O guia da mochileira cearense

“Egoísta”, inspirado na trajetória da viajante e cidadã do mundo, Josefa Feitosa, debate vida nômade, maternidade e etarismo num diálogo direto com o espectador

Foto: Matheus Tavares

Em cartaz na Caixa Cultural São Paulo, região central, “Egoísta”, chega à capital paulista pela primeira vez, com produção da Peixe-Mulher, direção de Juracy de Oliveira e protagonismo da atriz cearense Ana Marlene. O espetáculo solo vem rodando o país há dois anos, angariando críticas positivas, além de indicação ao Prêmio Shell, na categoria Melhor Atriz.

“Egoísta” surgiu do desejo de levar ao teatro a história de Josefa Feitosa, a Jô, cearense, mulher negra, que decidiu dar um chute nas regras determinadas por uma sociedade bruta, renegando tudo o que se espera de alguém na terceira idade. Ou seja, Jô não é de ficar sentada fazendo tricô ou jogando gamão com outras senhorinhas.

Há oito anos, se tornou mochileira, em busca de outras galáxias, viajante e cidadã do mundo. Se aposentou e decidiu virar nômade, “vivendo onde sua mala está”, conhecendo novos lugares e pessoas, no melhor estilo “easy rider”, guiada sempre pelo mistério e o encantamento de viver o inedistismo.

Resultado? Hoje, aos 64 anos, a cearense visitou mais de 60 países, compartilhando as viagens pelo mundo nas redes sociais (@joviajando). Suas andanças e contato com os mais jovens lhe proporcionou milhares de views nas redes sociais, além de experienciar com os novos amigos formas alternativas de se orientar melhor mundo afora.

No palco, durante 60 minutos, vemos Ana Marlene ser movida e inspirada pela coragem de Jô Feitosa. A atriz, fundadora da Trupe Caba de Chegar, primeiro grupo de teatro de rua de Fortaleza, vê muitas similaridades entre sua história e da conterrânea.

“A Jô me inspira. A história dela conta também uma parte da minha: uma mulher negra, que saiu de casa pra viver um sonho, que não teve medo de enfrentar o preconceito, não teve medo de ousar e se aventurar. Mesmo no alto dos seus 50, 60 anos, quando tudo o que a sociedade quer é que você se esconda, ela fez o contrário, apareceu mais ainda e pintou o cabelo de azul”, conta a atriz.

Já para Juracy de Oliveira, conhecer Jô Feitosa foi uma incrível surpresa. “A história de vida dela é inacreditável e por ter sido criado em uma família com uma maioria de mulheres, a coragem dela me atravessou, me fez lembrar das mulheres que são referência pra mim. Essa peça parte de um desejo genuíno de homenagear pessoas enquanto estão vivas, ainda que não sejam famosas”, conclui o diretor.

“Egoísta” tem curta temporada na Caixa Cultural São Paulo, ficando somente até 13 de setembro, com sessões de quinta-feira a domingo. E o melhor. Tudo gratuito. Confira abaixo.

SERVIÇO
Egoísta
Espetáculo solo com Ana Marlene
Até 13 de setembro
Sessões: Quinta-feira a sábado: 19h – Domingo: 18h
CAIXA Cultural São Paulo – Praça da Sé, 111 – São Paulo – SP
Os ingressos gratuitos são distribuídos uma hora antes do início de cada apresentação, limitados a um por pessoa
Duração: 60 minutos
Classificação indicativa: Livre

Explore mais em Entretenimento
Artigo anterior O que fazer neste fim de semana: festa italiana, passeios grátis e atrações em Jundiaí
Desenvolvido com por Célio Ricardo
.