A importância da cultura popular

Nova montagem da Cia Paideia de Teatro joga luz nos símbolos da cultura popular que trazem papel importante na formação da identidade cultural

Foto: Alma Rosales

A partir desta sexta-feira, (12), a Cia Paideia de Teatro realiza temporada de “Adivinhona”, nova montagem do grupo buscando rever símbolos da cultura popular, rompendo narrativas preestabelecidas e questionando valores ligados a padrões hegemônicos. O espetáculo infantil terá sessões aos sábados e domingos na Paideia Associação Cultural, sede do grupo na zona sul de São Paulo, trazendo texto e direção de Ana Luíza Junqueira.

A trama gira em torno de uma mulher, que um dia acorda e percebe que cresceu demais e já não cabe em sua casa. Sendo assim, decide sair pelo mundo em busca da felicidade. Acompanhada apenas de um ovo passa por várias aventuras até decidir se tornar adivinha para ganhar dinheiro, usando de truques e malandragens. Sua fama chega ao conhecimento do Rei que manda chamá-la para resolver um grande mistério.

Para saber o final só indo conferir a saga da protagonista vivida por Luísa Crobelatti, evidenciando o trabalho de pesquisa da Cia Paideia na busca de quanto os contos populares têm importante papel na formação da identidade cultural. Porém, ao mesmo tempo perpetuando valores e símbolos ligados a narrativas hegemônicas em provocações feitas pela autora e diretora. O processo criativo de “Adivinhona” seguiu padrões criativos e formas imagéticas distintas do convencional.

“Os contos populares são importantes formadores da nossa identidade cultural e, por isso mesmo, também podem perpetuar injustiças históricas. Por que nos orgulhamos de personagens como João Grilo, Pedro Malasartes, João Teité, Curupira e Saci Pererê, protagonistas espertos, audaciosos e criativos, mas não associamos mulheres a esses papéis? Condicionar o imaginário é uma forma de opressão porque impede, desde a infância, que outras possibilidades de vida sejam concebidas. Neste trabalho, buscamos revisitar símbolos da cultura popular e romper narrativas que não desejamos perpetuar”, afirma Ana Luíza Junqueira.

Para Luísa Crobelatti, dar vida a uma personagem feminina que usa a inteligência e sagacidade como características centrais é uma oportunidade de apresentar às crianças outras possibilidades de representação feminina. “A Adivinhona desafia estruturas impostas e brinca com ideias tradicionalmente associadas ao feminino”, conta a atriz.

A cenografia também ficou a cargo de Ana Luíza Junqueira explorando contrastes e atmosferas dos ambientes e personagens. São mostrados as discrepâncias entre os mundos dos plebeus e da realeza. Enquanto o viés monocromático bege e branco dominam o castelo, as ruas são cheias de cores e sons. A cultura popular está presente com o uso de materiais como redes e tecidos de chita.

“A ideia é trabalhar a sensação dessa oposição. O que é estar em um lugar popular, onde as pessoas convivem e falam ao mesmo tempo, lugar em que não se vê uma hierarquia e existe uma multiplicidade, diferente de um espaço onde tudo está muito pré-estabelecido, as regras são fixadas, o centro é uma pessoa”, conclui Ana Luiza Junqueira.

“Adivinhona” fica em cartaz na zona sul da capital até 12 de julho.

SERVIÇO

Adivinhona

Paideia Associação Cultural

Rua Darwin, 153. Jardim Santo Amaro – São Paulo – SP

Temporada: De 13 de junho a 12 de julho de 2026, sábados, às 16h, e domingos, às 11h

Ingressos: R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (meia) na bilheteria do teatro

Inf: https://www.sympla.com.br/evento/adivinhona/3431894

Indicação etária: a partir de 8 anos

Duração: 70 minutos

Entrada gratuita para alunos de escolas públicas e suas famílias, crianças e jovens das Casas de Acolhimento e escolas parceiras*

Escolas parceiras: EMEF Carlos de Andrade Rizzini, CEMEI Andaguaçu, CEI Jd. São Joaquim, EE Odete Maria de Freitas e EE Prof. Marcia Aparecida da Silva Farias Ries

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