O patrimônio declarado pelo deputado federal Kiko Celeguim (PT-SP) à Justiça Eleitoral passou de R$ 304,7 mil em 2016 para R$ 1,67 milhão em 2026, uma alta nominal próxima de 450% em dez anos.
Os dados disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral mostram que a elevação ocorreu de forma mais intensa nos últimos quatro anos. Em 2022, quando foi eleito deputado federal, Celeguim havia informado R$ 861,6 mil em bens.
Na declaração apresentada para a eleição de 2026, o total chegou a R$ 1.679.383,86.
A evolução patrimonial ocorre durante um período em que o político, que construiu sua trajetória em Franco da Rocha, ampliou sua presença na política paulista. Atualmente, Celeguim exerce mandato na Câmara dos Deputados e preside o PT no Estado de São Paulo.
Os valores correspondem às declarações feitas pelo próprio candidato à Justiça Eleitoral. O crescimento dos bens, isoladamente, não caracteriza irregularidade e precisa ser analisado considerando também inflação, aquisição de imóveis, investimentos e alterações patrimoniais ocorridas ao longo dos anos.
Patrimônio saiu de R$ 304 mil para quase R$ 1,7 milhão
A comparação das declarações apresentadas em três eleições permite acompanhar a evolução dos bens informados.
Em 2016, quando disputou a Prefeitura de Franco da Rocha, Kiko Celeguim declarou patrimônio de R$ 304.740,55.
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Em 2022, o valor passou para R$ 861.660,33.
Em 2026, chegou a R$ 1.679.383,86.
Em dez anos, a diferença nominal é de aproximadamente R$ 1,37 milhão.
Apenas entre 2022 e 2026, o patrimônio declarado cresceu cerca de R$ 817,7 mil, avanço próximo de 95%.
Já na comparação entre 2016 e 2026, o valor informado ficou aproximadamente 5,5 vezes maior.
Imóvel em Mairiporã responde pela maior parcela dos bens
O principal item da declaração patrimonial de 2026 é um imóvel residencial em Mairiporã avaliado pelo candidato em R$ 1,35 milhão.
Também consta um automóvel BYD Song Plus, ano/modelo 2024/2025, declarado por R$ 233,5 mil.
A relação inclui ainda investimentos e participação em imóvel localizado em Franco da Rocha.
Entre os seis bens declarados aparecem:
- imóvel residencial em Mairiporã: R$ 1.350.000
- automóvel BYD Song Plus 2024/2025: R$ 233.500
- saldo em VGBL no Banco Santander: R$ 63.647,63
- participação correspondente a 2/6 de imóvel em Franco da Rocha: R$ 30.000
- aplicações de renda fixa: R$ 1.347,77
- saldo em conta no Banco do Brasil: R$ 888,46
Somados, os valores chegam aos R$ 1,679 milhão informados à Justiça Eleitoral.
Alta de 450% é uma comparação nominal
O percentual de aproximadamente 450% considera os valores registrados em cada declaração sem correção monetária.
Isso é importante porque R$ 304 mil em 2016 tinham poder de compra diferente do mesmo valor dez anos depois.
A inflação acumulada durante o período reduz a diferença quando a comparação é feita em valores corrigidos.
Mesmo com esse ajuste, a trajetória permanece de crescimento patrimonial, mas o percentual não pode ser interpretado como aumento equivalente de poder aquisitivo.
Outro aspecto é que valores declarados de imóveis nem sempre correspondem ao preço atual de mercado. Dependendo da forma de aquisição e da informação utilizada na declaração, um imóvel pode permanecer registrado por valor diferente daquele pelo qual poderia ser negociado.
Esposa de Kiko Celeguim foi exonerada da Câmara de São Paulo
Outro episódio envolvendo a família do deputado ganhou repercussão em maio deste ano.
Talita Cristina Pimenta Greco, esposa de Kiko Celeguim, ocupava um cargo comissionado de assessora parlamentar na Câmara Municipal de São Paulo.
Ela havia assumido a função na estrutura legislativa em 2022 e, mais recentemente, estava lotada na liderança do PT.
Em maio, reportagens mostraram Talita deixando uma academia de spinning em Jundiaí durante o período em que deveria cumprir atividades relacionadas ao cargo público.
Segundo informações divulgadas pela própria Câmara, o expediente informado para a função era das 10h às 19h, com possibilidade de atividades externas ligadas ao trabalho.
Talita foi fotografada deixando a academia por volta das 11h05.
Naquele momento, ela negou que estivesse no estabelecimento e afirmou que se encontrava na Câmara Municipal.
Talita também era ligada à academia em Jundiaí
A situação ganhou maior repercussão porque Talita não aparecia apenas como frequentadora do estabelecimento.
Ela era sócia de uma academia de spinning instalada em Jundiaí.
O vínculo com a empresa levantou questionamentos sobre a compatibilidade entre suas atividades particulares e o exercício do cargo comissionado na capital paulista.
A assessoria de Kiko Celeguim afirmou, na ocasião, que Talita é advogada, possui especialização em Direito Eleitoral e havia sido convidada para trabalhar junto à bancada do PT.
A liderança partidária informou que a carga de trabalho poderia incluir atividades externas.
Após a repercussão do episódio, Talita deixou o cargo.
A exoneração foi publicada oficialmente e ocorreu a pedido da própria servidora.
Esposa negou irregularidade e criticou exposição
Talita contestou as suspeitas levantadas sobre sua atuação profissional.
Ela afirmou possuir trajetória consolidada como advogada e sustentou que as imagens utilizadas nas reportagens teriam sido apresentadas sem o devido contexto.
Também negou irregularidade no cumprimento de suas funções públicas.
Em sua manifestação, declarou ainda que vivia uma situação familiar delicada naquele período, com um filho pequeno enfrentando problema de saúde.
A ex-assessora também criticou a forma como o caso foi divulgado e afirmou considerar que houve exposição indevida de sua vida privada.
A exoneração, apesar da repercussão, não representa reconhecimento automático de irregularidade administrativa.
Ação trabalhista também envolve Kiko Celeguim
Outro caso relacionado ao deputado tramita na Justiça do Trabalho em Franco da Rocha.
A ação foi ajuizada por um ex-motorista e envolve cobrança próxima de R$ 400 mil.
Entre os pedidos apresentados estão reconhecimento de vínculo empregatício, pagamento de horas extras e verbas trabalhistas.
Segundo a versão apresentada pelo trabalhador no processo, ele teria cumprido uma jornada extensa, inclusive aos fins de semana.
O ex-funcionário também afirma que realizava tarefas pessoais para integrantes da família.
Entre as atividades descritas estariam transporte de Kiko Celeguim, da esposa, dos filhos e de uma funcionária doméstica.
O trabalhador sustenta ainda que levava animais da família ao pet shop.
Essas afirmações correspondem à versão apresentada pelo autor da ação e ainda dependem de julgamento.
Processo passou a tramitar sob segredo de Justiça

A ação trabalhista passou posteriormente a tramitar em segredo de Justiça.
Com essa restrição, detalhes processuais mais recentes deixaram de ficar disponíveis para consulta pública ampla.
Antes da imposição do sigilo, as alegações do ex-motorista haviam se tornado conhecidas.
Uma audiência foi marcada para setembro.
O resultado do processo dependerá da análise das provas apresentadas pelas partes, dos depoimentos e da avaliação da Justiça do Trabalho.
Deputado diz que questão trabalhista é privada
Ao ser questionado sobre a ação, Kiko Celeguim afirmou que o processo trata de uma questão de caráter privado que está sendo discutida judicialmente.
O parlamentar informou que, por essa razão, não faria comentários adicionais enquanto o caso estivesse em andamento.
A posição não representa concordância com as alegações apresentadas pelo ex-funcionário.
Os pedidos formulados na ação continuam dependendo de decisão judicial.
Trajetória política avançou junto com patrimônio declarado
Kiko Celeguim foi prefeito de Franco da Rocha antes de ampliar sua atuação política.
Depois, passou pela Câmara Municipal de São Paulo e chegou à Câmara dos Deputados.
Hoje exerce mandato federal e preside o diretório estadual do PT paulista.
Sua atuação parlamentar já apareceu em outros episódios acompanhados pelo noticiário, como o embate entre deputados durante uma sessão da Câmara, quando Celeguim se envolveu em uma discussão no plenário.
A projeção política crescente coincide temporalmente com o avanço dos valores declarados à Justiça Eleitoral, embora essa coincidência, sozinha, não estabeleça relação de causa entre carreira pública e crescimento patrimonial.
Declaração eleitoral permite acompanhar evolução dos bens
A divulgação dos patrimônios dos candidatos é uma das ferramentas utilizadas pela Justiça Eleitoral para ampliar a transparência durante as eleições.
Os dados permitem comparar o que cada candidato informou em diferentes disputas.
No caso de Kiko Celeguim, a sequência disponível mostra:
2016: R$ 304.740,55
2022: R$ 861.660,33
2026: R$ 1.679.383,86
A diferença nominal entre o primeiro e o último registro é de cerca de R$ 1,37 milhão.
O crescimento próximo de 450% é matematicamente verificável a partir desses valores, mas não permite, sozinho, afirmar origem irregular de recursos ou enriquecimento ilícito.
Qualquer conclusão dessa natureza dependeria de dados fiscais, bancários, societários ou investigação específica que demonstre incompatibilidade entre rendimentos, aquisições e patrimônio.
A declaração eleitoral mostra o quanto foi informado em cada candidatura. O episódio envolvendo a esposa e a ação trabalhista são fatos distintos, embora façam parte do histórico recente envolvendo o parlamentar e sua família.








