Finlândia encerra temporada no Teatro Cultura Artística

Premiado texto de Pascal Rambert expõe complexidades emocionais, conflitos de linguagem e transformações estruturais que atravessam os vínculos amorosos na atualidade

Foto: José de Holanda

Em cartaz no Teatro Cultura Artística, em São Paulo, “Finlândia” encerra temporada no dia 31 de maio. Texto do francês Pascal Rambert, recebeu vários prêmios desde a primeira montagem em 2022, em Madrid, Espanha, abordando relações afetivas contemporâneas, complexidades emocionais e transformações estruturais que atravessam os vínculos amorosos.

Depois da Espanha, seguiu para a França, Uruguai e México obtendo sucesso de crítica e público. No Brasil, estreou no ano passado com sessões lotadas em São Paulo e Rio de Janeiro. De volta à capital paulista, “Finlândia” nos apresenta um casal vivido por Paula Cohen e Jiddu Pinheiro em processo de separação, tentando estabelecer um diálogo sobre o futuro da relação e a criação da filha pequena.
Pela brilhante atuação Paula Cohen recebeu o Prêmio APCA 2025 na categoria Melhor Atriz tornando o espetáculo grande destaque da cena teatral recente causando forte impacto e identificação no público e reconhecimento da crítica.

A trama toda acontece num quarto de hotel em Helsinque, capital finlandesa, e durante 90 minutos vemos o desenrolar do embate entre dois mundos aparentemente inconciliáveis, sendo reflexo dos nossos dias num sistema de padrões opressivos em desconstrução, revisão das estruturas de poder e resistências que emergem nesse processo de mudança.

Com direção segura de Pedro Granato vemos grande sintonia entre Pinheiro e Cohen, responsáveis pela tradução e adaptação do texto para nosso idioma. Para Pedro Granato, o texto traz a nova onda feminista para dentro das relações em que os pais estão mais presentes. “Eles compartilham as tarefas do lar e cuidados com os filhos e não terceirizam os cuidados. E aqui há também uma certa inversão de papéis em alguns momentos, uma desconstrução, uma visão mais crítica dessas estruturas de poder dos homens, do que é violência e do que é respeito. O texto traz muito a filha para o centro da questão”, atesta o diretor.

Paula Cohen, diz que a obra explora a dicotomia entre padrões herdados e a tentativa de rompê-los a partir das transformações de tempo, valores e olhares. “Acho que a peça explora essas contradições colocando em perspectiva esses questionamentos, de maneira muito humana na boca dessas personagens. Esse casal passa por muitos assuntos que estão em pauta na sociedade e, por isso, encontra ressonância em muitas casas, em muitos lares, em outros países”, comenta a atriz.

Por fim, Jiddu Pinheiro afirma que ” o debate sobre opressores e oprimidos no ambiente público e privado, o embate político-ideológico nos mais diversos fóruns, as lutas por igualdade de direitos de gêneros e representatividade feminina, a forma como a estrutura patriarcal moldou e molda subjetividades de homens e mulheres são pautas de primeira ordem neste momento. O texto de Rambert traz de forma brilhante esse imaginário e esse debate nas subjacências dos dizeres desses personagens fazendo com que tudo pareça orgânico e cotidiano.”

SERVIÇO
Finlândia, de Pascal Rambert
Temporada: até 31 de maio
Sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 18h30
Teatro Cultura Artística – Rua Nestor Pestana, 196 – Centro, São Paulo
Ingressos: R$ 120 (inteira) | R$ 60 (meia-entrada)
Venda online em https://culturaartistica.byinti.com/#/event/finlandia
Bilheteria: terça a sábado, das 12h às 18h, e domingos, das 10h às 16h
Telefone: (11) 3256-0223
Duração: 90 minutos
Classificação: 16 anos
Capacidade: 150 lugares
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

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