Furacão Dalva de Oliveira

Musical que homenageia uma das nossas maiores cantoras é protagonizado por Soraya Ravenle

Foto: A atriz Soraya Ravenle

A partir de 28 de março o Teatro do SESI do Centro Cultural FIESP, em São Paulo, recebe o musical “Minha Estrela Dalva”, cujo texto do ator e dramaturgo Renato Borghi promete ser “o acerto de contas com a história”.

Considerada uma das maiores cantoras de todos os tempos, Vicentina de Paula Oliveira (1917-1972), seu nome de batismo, teve trajetória intensa, apesar de ter vivido apenas 55 anos. A montagem mostra uma Dalva de Oliveira, que soube se impor aos desmandos de uma sociedade machista e preconceituosa. Muito antes do termo “cancelamento”, a cantora nascida em Rio Claro, interior de São Paulo, sofreu com o linchamento midiático da época. Foi chamada de messalina, cafona, acabada e indigna de ser mãe.

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O texto de Renato Borghi, vai fundo na relação entre a estrela e seus maridos e como cada um exerceu sobre ela variações do mesmo poder. Herivelto Martins (1912-1992) a chamava de caipira, a cobrando como se o talento dela fosse propriedade dele. Kiko, o segundo marido, a roubou, fugindo com seu dinheiro, além de chamá-la de mulher envelhecida.

Porém, a diva conhecida como “Rouxinol do Brasil” transformou cada golpe em canção. Para as difamações do ex-marido, ela gravou: “Errei sim” e devolveu: “Que venha logo a primeira pedra me atirar”. Quando quiseram acabar com sua carreira, cantou “Bandeira Branca”, no Maracanã, o público se ajoelhou diante da diva.

Infelizmente o machismo e preconceito contra mulheres empoderadas não é coisa nova. Dalva os enfrentou da década de 1940 aos anos 1970, sem vocabulário feminista, rede de apoio, ou hastag. Somente com a voz e teimosia ferozes de não se deixar apagar. No palco dando vida a ela está a atriz e cantora Soraya Ravenle, que iniciou a trajetória em musicais integrando o coro de “A Estrela Dalva”, de 1987, sucesso de Renato Borghi com Marília Pera (1943-2015), retornando agora para ocupar o centro do palco.

A direção do espetáculo traz assinatura de Élcio Nogueira Seixas, que também atua interpretando o jovem Renato Borghi. “Desde o início dos anos 90, divido e multiplico a cena do mundo com Renato. Fui seu aluno e tornei-me seu parceiro na arte. Dalva entrou em mim como entrou nele — pela voz, pelo espanto, pelo chamamento. Só que o meu bolachão de 78 rotações foi o próprio Borghi. Hoje dirijo Minha Estrela Dalva ao lado de meu amado amigo e mestre Elias Andreato — que foi quem me aproximou do Renato. E no palco, sou ele jovem — o menino de sete anos que ouviu aquela voz pela primeira vez e nunca mais foi o mesmo. Neste espetáculo, sigo a receita antropófaga de Oswald de Andrade e faço a devoração de Renato e Dalva”, diz o diretor.

Segundo Soraya Ravenle, mais que interpretar suas canções é ser impactada pela coragem de Dalva de Oliveira. “Em cena, eu não a interpreto, eu a convoco, canto a mulher que desafiou seu tempo com o peito aberto e transformou dor em beleza. E estar ao lado de Renato Borghi é viver um encontro de amor e memória, ele escreve para sua musa e eu tenho a honra de dar corpo e voz a essa história diante do público”, conclui a atriz.

“Minha Estrela Dalva” fica em cartaz na região central de São Paulo até 12 de julho, com sessões quinta a domingo e ingressos gratuitos.

Confira abaixo.

SERVIÇO

Minha Estrela Dalva

Temporada: de 28/03 a 12/07

Centro Cultural Fiesp Teatro do SESI-SP – Avenida Paulista, 1313

Em frente à estação Trianon-Masp

Sessões:

Quinta a sábado, às 20h, e domingo, às 19h

Classificação etária: 14 anos

Duração: 90 minutos

Acessibilidade sempre aos sábados e domingos, com intérprete de Libras e audiodescrição.

Os ingressos estarão disponíveis em breve pelo site www.sesisp.org.br/eventos

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Nelson de Souza Lima

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