A desmedida ânsia masculina pelo poder

Montagem teatral criada a partir de três obras do francês Édouard Louis aborda temas urgentes como violência sexual, homofobia, xenofobia, machismo e dominação masculina

Foto: Renato Pagliaci

A partir de 23 de junho o Teatro FAAP, em São Paulo, recebe nova temporada de “Eddy – violência & metamorfose”, espetáculo inspirado nos livros “O fim de Eddy”, “História da violência” e “Mudar: método”, do francês Édouard Louis, um dos principais nomes da literatura contemporânea europeia. Intercalando as três obras, o espetáculo é resultado dos trabalhos da Polifônica, núcleo de pesquisa e de criação artística fundado em 2015, no Rio de Janeiro, discutindo temas sensíveis como violência de classe, gênero e sexual, homofobia, machismo e xenofobia.

“Eddy – violência & metamorfose” gira em torno de um episódio real vivido por Édouard Louis, em Paris, no Natal de 2012, quando após jantar com amigos e ao voltar pra casa é abordado por um jovem de origem argelina, chamado Redá, em seguida ambos rumam para o apartamento do escritor. Mas, após uma noite de amor, na manhã seguinte, Édouard é violentado por este homem e quase assassinado. O trauma provocado no escritor originou “História da violência”, lançado em 2016, levando a uma jornada reflexiva e de elaboração a respeito das estruturas sociais que viabilizam a produção, reprodução e circulação da violência em nossas sociedades.

Luiz Felipe Reis, diretor, dramaturgo e ator, além de um dos fundadores da Polifônica, idealizou a montagem, assumindo também a direção ao lado de Marcelo Grabowsky. O elenco conta com João Côrtes, Julia Lund e Erom Cordeiro e, em quase duas horas, vemos a atemporalidade da violência e dominação masculina nas relações humanas e devastadoras consequências.


A temporada paulistana deve replicar o sucesso do Rio de Janeiro onde recebeu várias indicações ao Prêmio APTR 2025 nas categorias melhor direção, ator protagonista e direção de movimento. “Ao longo dos últimos dez anos de trabalho, buscamos, através de cada obra, propor uma reflexão coletiva acerca das consequências da desmedida ânsia masculina por poder, controle, dominação e submissão; sobre como isso produz danos nos mais diferentes corpos humanos, além de humanos e de toda a Terra, mas, principalmente, em tudo aquilo que se aproxima ou é identificado como feminino”, atesta Luiz Felipe Reis.

O diretor diz ainda que seu interesse pela obra de Édouard surgiu como desdobramento dessa investigação contínua sobre os diferentes modos de violência. “Sobretudo os que constituem o mundo masculino, seu ethos e psiquismo, as regras e normas das sociedades patriarcais e, sobretudo, do regime totalitário do capital sob o qual estamos todos subjugados. Édouard reflete e escreve sobre violência social, política, econômica, cultural, racial, sexual, de gênero, ou seja, sobre inúmeras formas de produção e de circulação da violência, sobre todo um circuito de violência que rege nossos comportamentos e pensamentos, sociais e individuais. Em outras palavras, Édouard descreve com precisão iluminadora os efeitos devastadores das forças de opressão e de destruição que constituem a nós e nossas sociedades contemporâneas”, completa.

Marcelo Grabowsky acrescenta dizendo admirar a forma como a Polifônica enxerga a cena teatral e os cruzamentos entre as diferentes linguagens. “Adaptar a obra do Édouard para o palco encontra a importância de encenar dilemas e vivências de corpos e subjetividades gays e, assim, fazer a gente se reconhecer em cena. Mesmo com o avanço e a legitimação de muitas vozes LGBTQIAP+ no Brasil, o conservadorismo e o preconceito insistem em revelar e exercer a sua violência. Édouard elabora de uma forma instigante seu olhar sobre a violência, encarando sua complexidade, e questionando sua origem. Consegue transformar suas próprias experiências, por mais duras que possam ser, em literatura, em arte, para alcançarem e sensibilizarem outras pessoas”, conclui Grabowsky.

“Eddy – violência & metamorfose”, fica em cartaz na região central de São Paulo, até 6 de agosto, com sessões às terças, quartas e quintas-feiras. Confira abaixo.

SERVIÇO

EDDY – violência & metamorfose

Temporada: 23 de junho a 6 de agosto de 2026

Terças, quartas e quintas-feiras, às 20h

Teatro FAAP – Rua Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo 

Ingressos: R$ 130,00 (inteira) e R$ 65,00 (meia-entrada)

Vendas online em https://www.faap.br/teatro/peca/eddy-violencia-metamorfose/

Bilheteria: De quarta a sábado das 14h às 20h e domingo das 14h às 17h.

Durante os dias de espetáculo, até o início da apresentação

Duração: 110 minutos

Classificação: 18 anos

Capacidade: 477 lugares

Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

📲
Receba notícias da região no WhatsApp

Entre no canal oficial do RNews e acompanhe alertas, serviços públicos, trânsito, segurança, eventos e notícias de Caieiras, Franco da Rocha, Perus e toda a região.

Seguir o RNews no WhatsApp
Artigo anterior Virada Cultural 2026 deve lotar ruas, estações e palcos durante o dia e a madrugada em São Paulo
Desenvolvido com por Célio Ricardo
.