Édipo Rei no Auditório do MASP

Tragédia escrita por Sófocles há 2500 anos ganha contemporâniedade evidenciando o quanto transgredir leis, orgulho, cobiça e a busca desenfreada por poder são inerentes ao ser humano

Foto: Ronaldo Gutierrez

A partir de 2 de julho o Auditório do MASP, em São Paulo, recebe temporada de “Édipo Rei”, tragédia do dramaturgo grego Sofócles. Escrito em 427 a.C. o clássico texto ganhou ares contemporâneos em 2018, sendo reescrito por Robert Icke. O dramaturgo inglês transformou “Édipo Rei” num thriller político/psicológico envolto em suspense, trazendo um painel intrincado de relações familiares, profunda sondagem existencial, mergulhando no inconsciente.

A montagem tem tradução e direção de Clara Carvalho e no elenco estelar estão Sergio Mastropasqua, Clarisse Abujamra, Oswaldo Mendes, Chris Couto, João Bourbonnais, Thalles Cabral, Thaina Muniz, Márcia Teodoro, Marisa Mainarte, Rodrigo Scarpelli, Thomas Huszar e Roberto Borenstein.

Durante quase duas horas acompanhamos Édipo (Sérgio Mastropasqua), candidato prestes a vencer uma eleição majoritária. Em meio à uma crise vertiginosa o político transgride leis civilizatórias e seu excesso de autoconfiança e orgulho o levam a própria ruina. Apesar da contemporaneidade a peça conserva as unidades clássicas de tempo, espaço e ação.

Segundo Clara Carvalho, não que Édipo Rei precise ser atualizado, pois é uma tragédia tão perfeita e interessante, que 2500 anos depois continua impecável em sua dimensão universal. “O que Robert Icke faz é um exercício muito interessante de releitura, usando todas as linhas mestras da peça. Na montagem, Édipo é o candidato que vai ganhar a eleição. Todas as pesquisas mostram que ele está praticamente eleito. Todavia, um personagem chega para dizer que tudo aquilo que ele acredita sobre si mesmo pode não ser verdade. Existe essa relação entre poder, sucessão e a construção de narrativas”, enfatiza a diretora.

Sérgio Mastropasqua diz ter ficado impressionando pela capacidade de Robert Icke de não ser reverente ou tentar comentar Sófocles. Como se ambos caminhassem juntos num jogo no qual os atores enfrentam a potência do autor grego pelas mãos do dramaturgo contemporâneo. “Édipo é um personagem que estará pelo mundo enquanto existir alguém que saiba ler ou encenar. A atualidade é apenas mais um momento desse percurso. Por coincidência, a peça começa com o final de uma campanha política, que estará ocorrendo no Brasil enquanto estivermos em cartaz no Masp. Violência contra a mulher, discriminação por origem, novos movimentos políticos e autoritarismo percorrem a trama”, comenta o ator.

“Édipo Rei” fica em cartaz na região central de São Paulo até 6 de setembro com sessões às sextas, sábado e domingos. Confira abaixo.

SERVIÇO
Édipo Rei
Auditório do Masp
Av. Paulista, 1578 – Bela Vista – São Paulo – SP
De 4 de julho a 06 de setembro. Sextas e sábados às 20h, domingos às 18h
Classificação: 16 anos
Duração: 110 minutos.
Capacidade: 344 lugares.
Ingressos: Sextas: R$100 (inteira) – R$50 (meia) / Sábados e domingos: R$120 (inteira) – R$60 (meia).
https://bileto.sympla.com.br/event/121617/

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