Dualidades da vida em verso e prosa

Texto inédito de Gabriel Chalita faz a união entre questões filosóficas e poesia que reverberam na vida

Foto: Eduardo Knapp

A partir de 24 de abril o Teatro Multiplan Morumbi Shopping, em São Paulo, recebe a montagem “Poemas”, cujo texto do educador Gabriel Chalita conversa sobre dualidades da vida. Espetáculo inédito do também advogado, professor e escritor tem direção de Duda Maia e elenco formado por André Torquato e Marcos Pitombo.

“Poemas” é imersão na dualidade da vida e da morte, prosa e poesia, liberdade e dependência do outro. As memórias que moldam o ser humano, que às vezes paralisa, em outras acalenta. Fala de esperança, falta dela, medo, ansiedade, dor, depressão, contrapontos ao amor, prazer, às alegrias e à ação necessária para movimentar as coisas e mudar o mundo.

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No palco, durante 60 minutos e numa atmosfera onírica, os personagens de Pitombo e Torquato trazem lembranças da infância e versam sobre o que pensam e almejam para a velhice. “A peça tem uma construção teatral, mas com um espectro filosófico, ligado ao cotidiano. É um espetáculo com beleza, mas que também nos ajuda a refletir sobre o que é viver e o que é existir. O que é um poema e o que são os lados poema e prosa da vida. O ser humano tem dois lados, um animal e um simbólico. E o trabalho explora tanto essa dimensão da animalidade humana, com sua cotidianidade, suas dores, e essa elevação, a permanência. E, esse vento que venta a vida”, atesta Gabriel Chalita.

Segundo Marcos Pitombo, o espetáculo brinca com as palavras como a construção poética. “O texto tem uma sequência, um objetivo, que é construir um poema que pretende salvar o mundo. E que mundo é esse? Será que fala do mundo físico, de todo mundo, do mundo à minha volta, ou do meu mundo particular, o nosso mundo de dentro? A gente fala um pouco sobre o que nos inspira, sobre nossas dores e também sobre o que nos move. Então, através de sensações e palavras, a gente vai guiando um norte para chegar nesse poema”, diz ele.

André Torquato diz que o interessante da peça é não querer trazer explicações. “Em vez de oferecer respostas prontas, o espetáculo cria um espaço de escuta, de silêncio, de vento, onde o que parece escuro pode, de repente, acender pequenas luzes. São dois personagens tentando escrever o poema que falta, mas talvez o que mais interessa não seja o poema em si, mas esse processo de busca. Às vezes é no mistério que a gente se salva”, reflete o ator.

E a encenação de Duda Maia é pautada nessa dualidade entre palavra e corpo. “Eu acho que é o casamento de duas linguagens muito fortes: a forma de escrever do Chalita junto com a minha assinatura física. Estamos procurando essa dualidade o tempo inteiro, nas palavras, nos corpos, na trilha sonora, no cenário, no figurino e na iluminação. É essencial que o coletivo tenha força, para que o espetáculo aconteça. Na encenação tem vento, mas tem leveza, tem peso, mas desliza”, conclui Maia.

“Poemas” fica em cartaz na zona sul de São Paulo até 7 de junho com sessões às sextas-feiras, sábados e domingos. Confira abaixo.

SERVIÇO
Poemas, de Gabriel Chalita
Temporada: 24 de abril a 7 de junho
Horários:
Sexta-feiras: 20h30
Sábados: 18h00 e 20h30
Domingos: 18h00
Duração: 60 minutos
Classificação etária: 14 anos
Ingressos a partir de R$ 25,00
Local: Teatro Multiplan MorumbiShopping
Avenida Roque Petroni Júnior, nº 1.089, Piso G2
Acesso por meio das escadas rolantes em frente à Renner
Inf: https://www.sympla.com.br/

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Nelson de Souza Lima

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