Amor além da vida e da morte

Foto: Milena Horvatti Montagem revisita a trágica história de amor entre D. Pedro e Inês de Castro Imagine se Manoel […]

Foto: Milena Horvatti


Montagem revisita a trágica história de amor entre D. Pedro e Inês de Castro

Imagine se Manoel Carlos (1933-2026), o autor de folhetins dramáticos recheados de Helenas, resolvesse escrever um roteiro em parceria com o americano Stephen King, o mestre dos contos de terror. Talvez os dois geniais autores não conseguissem criar um roteiro tão fantástico quanto a história de D. Pedro e Inês de Castro.

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D. Pedro (1320-1367), coroado D. Pedro I (não confundir com o primeiro imperador do Brasil que viveu 400 anos depois) foi amante e posteriormente marido de Inês de Castro (1325-1355). O casal viveu uma das histórias de amor mais conhecidas da cultura portuguesa, recheada de traições, crises familiares, ódio, instabilidade, terminando de maneira trágica e aterrorizante. Na Europa Medieval as relações dos países se valia de casamentos arranjados e, muitas vezes impostos à força, para perpetuar e aliar os reinos. Porém, diversas crises surgiam entre os familiares resultando em violência extrema, caso os envolvidos não aceitassem as decisões a que fossem submetidos.

Foi o que D. Afonso IV, Rei de Portugal na época, viu na relação entre o filho Pedro e Inês de Castro. O monarca odiava Inês tendo-a como ameaça à estabilidade do reino devido à influência e ascensão sobre o filho. Enviando Pedro para um exílio forçado e consequente separação do casal, D. Afonso IV ordenou que Inês fosse executada em 7 de janeiro de 1355, em Coimbra. A jovem galega morreu barbaramente, decapitada pelos conselheiros reais Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco. Com a morte de D. Afonso IV, Pedro I se tornou Rei de Portugal em 1357, empreendendo caça sanguinária aos assassinos da amada. Diz a lenda que ele mandou arrancar o coração de Pêro pelo peito e o de Álvaro Gonçalves pelas costas e presenciando as execuções.

Mas se segura na cadeira que tem mais. Em 1360, alegando ter casado secretamente com Inês, Pedro I ordenou a remoção do corpo da amada para o Mosteiro de Alcobaça, onde foi coroada rainha, originando a famosa lenda da “coroação da rainha morta”. O túmulo de Inês traz a inscrição “Até ao fim do mundo”, simbolizando o amor verdadeiro, eterno e além da vida.

A fascinante história de amor entre Pedro e Inês atravessou os séculos sendo retratada em livros, poesias, peças e filmes. Uma nova montagem será encenada no próximo dia 24 de fevereiro no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, com a cia paulistana Grupo Dragão 7. “Inês de Castro, Até o Fim do Mundo!”, terá entrada franca, propondo “um olhar que se afasta do épico histórico tradicional para aproximar os personagens de sua dimensão humana, destacando afetos, conflitos e contradições que dialogam com o presente”. O texto e direção ficam a cargo de Creuza Borges e dramaturgia de Neviton de Freitas colocando o amor como eixo central, refletindo perdas, escolhas e vínculos que permanecem universais.

O elenco traz Camila Costa (Inês de Castro), Alessandro Ramos (Pedro I), Karina Moraes (Constança), Sergio Portella (Afonso IV), Mirian Castilho (Rainha Izabel e Rainha Beatriz), Roberto Cezaretti (Rei D. Diniz e Lopo Fernandes), Mauricio Madruga (Pero Coelho), Irineu Hirineu (Diogo Lopes), Elizabeth Rizzo (Aia Ana) e Daniel Dhemes (Tempo). Ingressos disponíveis pela plataforma Sympla.

SERVIÇO

Inês de Castro, Até o Fim do Mundo!
Data: 24 de fevereiro de 2026, terça-feira, às 18h30
Ingressos: Gratuitos

Retirar no www.sympla.com
Duração: 90 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno

Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista – São Paulo/SP
Capacidade:143 lugares + 6 espaços para cadeirantes

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Nelson de Souza Lima

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