Um vídeo mostra um candidato fazendo uma declaração surpreendente. Em outro, um jornalista parece anunciar uma pesquisa eleitoral que ninguém mais divulgou. Há também gravações de voz que imitam pessoas conhecidas e imagens de acontecimentos que nunca existiram.
Com ferramentas de inteligência artificial, esse tipo de conteúdo pode parecer autêntico mesmo quando foi inteiramente fabricado.
A três dias do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, marcado para domingo, 25 de outubro, a circulação de vídeos falsos, áudios manipulados e informações enganosas exige atenção redobrada dos eleitores.
O problema não se limita às grandes redes sociais. Uma montagem compartilhada em grupos de WhatsApp pode alcançar familiares, amigos e moradores de uma mesma cidade sem que ninguém confira sua origem.
O principal cuidado é não confundir aparência de autenticidade com prova de que uma informação é verdadeira.
Monitoramento identificou centenas de publicações com IA
O projeto VigIA, desenvolvido pelo Observatório Lupa para acompanhar o uso da inteligência artificial durante as eleições, identificou 920 publicações eleitorais com utilização dessa tecnologia entre 16 de agosto e 28 de setembro.
O levantamento encontrou conteúdos que simulavam jornalistas anunciando pesquisas inexistentes, celebridades declarando apoio político e situações de campanha que não aconteceram.
Acompanhe mais de Notícias
Veja reportagens, análises e atualizações desta editoria.
Nem todas as publicações identificadas eram necessariamente fraudulentas. O monitoramento incluiu diferentes utilizações de inteligência artificial, algumas potencialmente permitidas e outras incompatíveis com as regras eleitorais.
Em uma análise específica do período próximo ao primeiro turno, realizado em 4 de outubro, o projeto identificou 64 publicações político-eleitorais manipuladas com IA entre os dias 1º e 5 de outubro, quando já havia restrições para a divulgação de novos conteúdos sintéticos.
Os números demonstram que o problema não está restrito à possibilidade tecnológica de criar vídeos falsos: esse material efetivamente circulou durante a campanha.
O que são deepfakes e por que podem enganar?
Deepfake é uma técnica de manipulação digital que permite criar ou alterar imagens e vozes, fazendo parecer que determinada pessoa disse ou fez algo que não aconteceu.
Uma gravação pode utilizar a aparência de um candidato, reproduzir sua voz ou colocá-lo artificialmente em uma situação inexistente.
A tecnologia também pode ser utilizada para simular entrevistas, pronunciamentos, conversas telefônicas e declarações de apoio.
O risco aumenta quando o conteúdo chega acompanhado de frases como “a imprensa não quer mostrar”, “acabou de acontecer” ou “compartilhe antes que apaguem”.
Essas mensagens procuram estimular uma reação rápida, reduzindo o tempo dedicado à verificação.
É importante distinguir um vídeo integralmente falso de uma gravação verdadeira apresentada fora de contexto. Um trecho antigo, uma fala cortada ou uma legenda enganosa também podem produzir desinformação, mesmo sem inteligência artificial.
Como desconfiar de um vídeo eleitoral falso?
Alguns cuidados ajudam a identificar conteúdos suspeitos:
- Confira a origem: procure a publicação original e veja se ela foi divulgada por uma fonte identificável.
- Desconfie de declarações extraordinárias: falas muito graves ou surpreendentes precisam de confirmação independente.
- Observe possíveis inconsistências: alterações na voz, movimentos faciais estranhos e desencontro entre áudio e imagem podem indicar manipulação.
- Verifique a data: gravações antigas podem ser apresentadas como acontecimentos recentes.
- Procure outras fontes: declarações relevantes geralmente podem ser verificadas por registros completos, documentos ou cobertura jornalística.
- Não compartilhe por impulso: mensagens que exigem divulgação imediata merecem atenção especial.
Esses sinais não oferecem certeza absoluta. Ferramentas modernas conseguem produzir imagens e áudios sem defeitos facilmente perceptíveis.
Da mesma maneira, falhas de iluminação, compressão de vídeo ou baixa qualidade de uma gravação não significam, isoladamente, que houve manipulação.
A melhor proteção continua sendo conferir a procedência e buscar confirmação independente.
TSE proíbe deepfakes para favorecer ou prejudicar candidatos
A Justiça Eleitoral estabeleceu regras específicas para a utilização de inteligência artificial na propaganda das eleições de 2026.
A Resolução nº 23.610/2019, atualizada para o pleito deste ano, determina que conteúdos sintéticos utilizados na propaganda eleitoral sejam identificados de maneira explícita quando a legislação exigir essa transparência.
A norma também proíbe o uso de deepfakes para favorecer ou prejudicar candidaturas, inclusive quando houver autorização da pessoa cuja imagem ou voz foi reproduzida.
A utilização de inteligência artificial, por si só, não constitui necessariamente irregularidade. O enquadramento depende da finalidade, do conteúdo, da identificação exigida e das demais condições previstas na legislação eleitoral.
Já a fabricação de declarações ou acontecimentos falsos para influenciar a disputa pode resultar na remoção do material e em outras consequências jurídicas para os responsáveis.
Restrição fica mais rigorosa nas 72 horas antes da eleição
Para o segundo turno de domingo (25), as normas eleitorais estabelecem um período especial de restrição à circulação de novos conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por inteligência artificial.
A proibição alcança a publicação, a republicação e o impulsionamento de materiais que utilizem imagem, voz ou manifestações de candidatos e pessoas públicas, nas condições previstas pela resolução.
A restrição começa 72 horas antes da votação e se estende até 24 horas depois do encerramento do pleito.
Isso significa que, mesmo quando um conteúdo produzido com IA apresenta identificação, sua divulgação pode ser proibida durante esse intervalo.
A medida procura reduzir a circulação de manipulações que poderiam alcançar eleitores quando já não existe tempo suficiente para esclarecimentos antes da votação.
Informações falsas sobre urnas e locais de votação também preocupam
A desinformação eleitoral não envolve apenas os candidatos.
Mensagens falsas podem anunciar mudanças inexistentes no horário da votação, problemas nas urnas eletrônicas ou alterações de última hora nos endereços das seções eleitorais.
Para os moradores de Caieiras, Franco da Rocha, Francisco Morato, Cajamar, Mairiporã, Jundiaí, Perus e Pirituba, é importante verificar diretamente as orientações da Justiça Eleitoral.
As informações sobre locais de votação e mudanças para o segundo turno ajudam o eleitor a conferir o endereço correto antes de sair de casa.
Mensagens recebidas em grupos de WhatsApp, mesmo quando encaminhadas por conhecidos, não substituem as informações oficiais.
Onde verificar uma notícia suspeita?
O Tribunal Superior Eleitoral mantém a plataforma Fato ou Boato, que reúne conteúdos de esclarecimento e verificações sobre informações relacionadas às eleições.
Outra possibilidade é consultar agências profissionais de checagem, procurar a publicação original e comparar o conteúdo com informações oficiais.
Quando a mensagem mencionar uma decisão judicial, uma pesquisa eleitoral ou uma mudança na votação, é recomendável procurar o registro correspondente antes de acreditar na informação.
A ausência de uma notícia em um determinado veículo não comprova que ela seja falsa. O ideal é reunir evidências verificáveis sobre o fato.
Como denunciar conteúdos falsos?
O TSE disponibiliza o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (Siade), que recebe comunicações sobre conteúdos e práticas capazes de ameaçar a integridade das eleições.
Para registrar um alerta, o cidadão deve reunir, sempre que possível, o endereço da publicação, a plataforma onde o conteúdo circulou, uma descrição do problema e capturas de tela.
As informações permitem que o material seja analisado pelos órgãos responsáveis.
A Polícia Federal também atua na apuração de possíveis crimes eleitorais praticados no ambiente digital, conforme as circunstâncias e os requisitos legais de cada caso.
É importante preservar as evidências, mas evitar redistribuir o conteúdo suspeito para outros grupos, o que poderia aumentar sua circulação.
Antes de compartilhar, confirme
Com a proximidade do segundo turno, uma informação falsa pode circular rapidamente e alcançar milhares de pessoas antes de ser desmentida.
Vídeos, áudios e imagens devem ser avaliados com o mesmo cuidado dedicado a documentos e declarações públicas.
O eleitor não precisa dominar ferramentas de inteligência artificial para se proteger. Verificar a fonte, conferir a data, procurar o registro original e evitar compartilhamentos impulsivos são medidas acessíveis.
Na dúvida sobre a autenticidade de um conteúdo eleitoral, o mais seguro é não compartilhar até que a informação possa ser confirmada.
Ofertas relacionadas:
Descubra uma nova maneira de aproveitar seus filmes, séries, esportes e jogos com a TV 50 AOC Roku Smart 4K WiFi.
VER OFERTA COM DESCONTOAlta Absorção: Ideal para secar os pés rapidamente e impedir que a umidade se espalhe pela casa. Com excelente poder de absorção, ele garante…
VER OFERTAPodemos receber uma comissão por compras feitas, sem custo adicional para você.
Como consultar o patrimônio e os gastos de campanha dos candidatos nas eleições de 2026
Lula e Flávio assinam acordo para abrir sigilos, mas dados ainda não foram divulgados
Caieiras terá ônibus grátis nas eleições 2026, 2º turno; medida vale das 6h às 19h
Eleições 2026: locais de votação mudaram em SP; confira onde votar no domingo, 25



