Operação em Cajamar mira golpe do falso leilão que movimentou mais de R$ 2,6 milhões

Polícia cumpriu mandados nesta quarta-feira (23) contra grupo investigado por criar sites falsos de leilões; ação acende alerta para quem busca veículos e outros bens pela internet

Uma rede suspeita de manter pelo menos 13 sites falsos de leilões e movimentar mais de R$ 2,6 milhões virou alvo de uma operação policial que chegou a Cajamar nesta quarta-feira (23).

Ao todo, a Justiça expediu 24 mandados de busca e apreensão e sete de prisão. Além de Cajamar, houve diligências na Zona Leste da capital, em Rio Grande da Serra e Campinas. A operação contou com equipes do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), ligado ao Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope).

A investigação aponta que a estrutura usada pelo grupo era maior do que uma página isolada criada para enganar compradores. Pelo menos 13 sites teriam sido mantidos com aparência de leilões legítimos, enquanto anúncios ofereciam veículos e outros bens por valores capazes de chamar a atenção de quem procurava uma oportunidade de compra.

Investigação identificou 18 vítimas e mais de R$ 2,6 milhões movimentados

Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, 18 vítimas já foram identificadas. Os sites simulavam leilões relacionados a diferentes estados e o dinheiro movimentado pelo grupo teria ultrapassado R$ 2,6 milhões.

O roteiro começava antes do pagamento. A vítima encontrava um anúncio, acessava uma página com aparência profissional e via um bem anunciado por preço inferior ao encontrado normalmente no mercado. Depois de participar do suposto leilão, recebia orientações para transferir o dinheiro, inclusive por Pix.

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O problema aparecia depois: o veículo ou produto não era entregue, os responsáveis deixavam de responder e o endereço eletrônico utilizado no suposto leilão poderia sair do ar.

A própria Polícia Civil de São Paulo alerta que páginas fraudulentas podem usar indevidamente informações de leiloeiros verdadeiros. Por isso, encontrar nome, endereço ou dados aparentemente legítimos dentro do site não é suficiente para confirmar que aquele leilão existe.

Vai participar de um leilão? Faça estas verificações antes de pagar

Para quem procura carro, moto, máquina ou outro bem em leilões online, alguns minutos de conferência podem impedir um prejuízo alto.

A orientação da Polícia Civil é pesquisar o CNPJ e o endereço apresentados, verificar a reputação do responsável pelo leilão e observar com atenção o endereço eletrônico acessado. Sites fraudulentos podem utilizar URLs muito parecidas com as verdadeiras, com pequenas alterações difíceis de perceber em uma leitura rápida.

Preço muito abaixo do mercado também deve acender o alerta. Antes de dar um lance, vale comparar o valor daquele veículo ou bem com outras referências e confirmar, por canais independentes, se o leilão anunciado realmente está acontecendo.

Outro ponto decisivo está no pagamento. A Polícia Civil recomenda conferir quem aparece como beneficiário da transferência. Se os dados bancários não corresponderem aos responsáveis legítimos pelo leilão, o pagamento não deve ser realizado.

Também é recomendável evitar acessar um leilão diretamente por links recebidos em mensagens, anúncios ou publicações nas redes sociais. Quando a empresa ou o leiloeiro já é conhecido, a orientação policial é procurar o endereço oficial e digitá-lo diretamente no navegador.

Fez um Pix e percebeu que era golpe? O tempo importa

Quem já transferiu dinheiro não deve esperar o suposto vendedor voltar a responder para começar a agir.

O Banco Central orienta a comunicar o banco o mais rápido possível e solicitar o Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado para casos de fraude envolvendo Pix. O pedido pode ser registrado na instituição financeira em até 80 dias após a transação, embora a recomendação seja agir imediatamente. A devolução depende da análise do caso e da existência de recursos que possam ser bloqueados.

Também é importante preservar provas: prints do anúncio e das conversas, endereço completo do site, termo de arrematação, comprovante de pagamento, telefones e dados bancários podem auxiliar a investigação. A Polícia Civil orienta ainda o registro de boletim de ocorrência.

A presença de Cajamar entre os locais das diligências aproxima uma investigação interestadual dos moradores da região. Até a publicação desta matéria, não havia detalhamento público sobre quantos mandados foram cumpridos especificamente no município nem se alguma prisão ocorreu na cidade.

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