Foto:Tico Dias e Binho Cidra
A partir deste domingo (8) o Sesc Bom Retiro, em São Paulo, recebe o espetáculo infantojuvenil “Quando Anoitece” cuja dramaturgia envolve pertencimento, respeito às diferenças, práticas antirracistas e valorização da ancestralidade. Texto de Le Conde e direção de Flávio Rodrigues tem no elenco Amanda Linhares, Conrado Costa, Leonardo Garcez, Marina Espinoza e Thaís Cabral.
Além de atuar, Thaís Cabral é também idealizadora da montagem por intermédio da Muntu Produções, objetivando promover o encontro e junção das vivências negras e brancas. “Quando Anoitece” não tem a questão racial como tema e sim de forma estrutural sendo o ponto de partida para as intersecções dos afetos possíveis e alianças urgentes.
De forma leve “Quando Anoitece” nos apresenta a Melânia, menina preta aparentemente feliz que forma com Lari, Juca e Jaque um grupo de amigos inseparáveis. Mas a garota, às vezes se sente só e triste por não se identificar fisicamente com os colegas. Suas confidências no gravador a transportam para um mundo onde conhece Pedacinho do Céu, personagem alegórica, pra viverem situações que estimulam o reconhecimento e a valorização da negritude, respeito à diversidade, enfrentamento ao racismo e à gordofobia.
“O espetáculo não trata apenas da solidão da pessoa preta sem pares, embora eu saiba e já tenha sentido na pele o que é ser o único preto em muitos lugares. Este espetáculo também fala de encontro. De quando a noite não engole, mas acolhe. De quando a diferença deixa de ser distância e vira ponte. Aqui celebramos o afeto que nasce na diversidade, a amizade, o cuidado e o gesto simples de permanecer junto. Porque conhecer o outro de verdade é um exercício de coragem e ternura. Como diz Guimarães Rosa, qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”, ressalta Flávio Rodrigues.
Para Thaís Cabral, quanto mais crianças empoderadas houver, mais indivíduos conscientes de seus valores teremos na sociedade.
“É por isso que acho importante a existência de espetáculos como este,que trata tudo de uma forma leve e lúdica. Falar daquilo que dói, não fragiliza aquele que sente, muito pelo contrário, potencializa. Ao colocar os sentimentos pra fora, cria-se espaço para a elaboração da força. Eu me reconheci em muitas palavras ditas por Melânia e sabemos que, mesmo diante de muitos avanços na sociedade, ainda é preciso discutir muito sobre o racismo e seu impacto na vida de uma criança, por exemplo. Além disso, a peça fala também sobre a valorização do diferente, da força coletiva que existe quando enxergamos as potências individuais e, principalmente, sobre como o amor é importante para combater qualquer tipo de preconceito”, conclui a atriz.
“Quando Anoitece” fica em cartaz na região central de São Paulo até 19 de abril, com sessão extra no feriado (21/04). Confira abaixo
SERVIÇO
Sesc Bom Retiro
Alameda Nothmann, 185, Campos Elíseos – São Paulo
De 8 de março a 19 de abril (Sessão extra no feriado de 21 de abril, terça-feira, às 12h)
Horário: Domingos, às 12h.
Preço: R$ 40,00 (Inteira), R$ 20,00 (Meia), e R$12,00 (Credencial Plena). Grátis para crianças até 12 anos.
https://www.sescsp.org.br/programacao/quando-anoitece
Sessões extras no Espaço Cultural Interativo
Rua Limeira, 19 – Q. da Paineira (Próximo à estação de metrô Vila Prudente)
Dias 25 e 26 de abril, sábado e domingo, às 15h.
Sessões gratuitas e com audiodescrição
Telefone: (11) 98082-0380







