Nova etapa do sistema de segurança começou a valer ontem e permite bloqueio do valor mesmo após transferências entre bancos
Entraram em vigor ontem, segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, novas regras de segurança do Pix que prometem dificultar golpes financeiros no Brasil. A partir de agora, bancos passam a rastrear o caminho do dinheiro transferido em fraudes, podendo bloquear valores mesmo após circularem por várias contas, o que aumenta as chances de devolução às vítimas.
A mudança faz parte da ampliação do Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED 2.0, ferramenta criada pelo Banco Central para combater fraudes digitais e que agora passa a permitir o rastreamento do valor transferido mesmo quando ele circula por várias contas e diferentes instituições financeiras.
A medida surge em meio ao crescimento dos crimes eletrônicos no país, principalmente golpes aplicados por meio de transferências instantâneas, que se tornaram uma das principais formas de fraude financeira no ambiente digital.
Nova regra amplia rastreamento do dinheiro e aumenta chance de recuperação
Antes da atualização do sistema, quando uma vítima comunicava uma fraude envolvendo Pix, o bloqueio dos valores só podia ocorrer na primeira conta que recebeu o dinheiro. Como golpistas costumam transferir rapidamente o valor para outras contas, muitas vezes o saldo já havia sido retirado, dificultando a devolução.
Com o MED 2.0, o dinheiro pode ser rastreado em todas as contas utilizadas na movimentação fraudulenta. Isso permite que os bancos bloqueiem valores ainda disponíveis ao longo do caminho percorrido pelo recurso, aumentando significativamente as chances de recuperação.
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A nova regra obriga todos os participantes do sistema Pix a compartilharem informações sobre movimentações suspeitas, criando uma rede de cooperação entre instituições financeiras para combater fraudes com maior eficiência.
Como funciona o novo sistema de contestação do Pix
Caso o cliente perceba que foi vítima de golpe, fraude, coerção ou cobrança indevida, ele pode iniciar o processo de contestação diretamente no aplicativo do banco.
O procedimento funciona da seguinte forma:
O cliente acessa a área do Pix ou o extrato da conta e seleciona a transação suspeita
O banco da vítima envia a solicitação ao banco que recebeu o valor
As instituições financeiras devem bloquear os recursos ainda disponíveis nas contas envolvidas
Os bancos têm prazo de até sete dias para analisar o caso
Se confirmada a fraude, o valor pode ser devolvido em até onze dias após a contestação
A solicitação pode ser feita pelo próprio aplicativo, por atendimento telefônico, chat ou e-mail, dependendo da instituição financeira.
Após a abertura do processo, o cliente poderá anexar provas como boletim de ocorrência, comprovantes, capturas de tela e registros de conversas, que ajudam na análise do caso.
Em quais situações o MED pode ser utilizado
O mecanismo foi criado exclusivamente para situações relacionadas a fraudes e crimes financeiros. Ele pode ser acionado nos seguintes casos:
Golpes envolvendo falsos vendedores ou falsas cobranças
Transferências realizadas sob ameaça ou coerção
Cobranças indevidas no Pix Automático
Fraudes eletrônicas envolvendo engenharia social
O sistema não pode ser utilizado em situações de desacordo comercial, arrependimento de compra ou envio do Pix para destinatário errado por erro de digitação da chave.
Novo modelo busca reduzir prejuízos com golpes digitais
Segundo dados do Banco Central, o Pix já acumulou mais de R$ 1,5 bilhão devolvidos às vítimas de fraudes, golpes, erros operacionais ou transferências feitas sob pressão criminosa desde a criação do sistema de devolução.
Os números mostram crescimento progressivo na recuperação de valores ao longo dos anos:
2021 registrou cerca de R$ 3,8 milhões devolvidos entre novembro e dezembro
2022 alcançou mais de R$ 191 milhões em restituições
2023 somou aproximadamente R$ 389 milhões devolvidos
2024 ultrapassou R$ 561 milhões recuperados
2025 registrou cerca de R$ 377 milhões devolvidos até julho
Mesmo com o avanço, especialistas apontam que apenas uma pequena parcela das vítimas consegue recuperar integralmente o dinheiro perdido, o que motivou o aperfeiçoamento do sistema.
Bancos passam a bloquear todas as contas envolvidas no golpe
Com a nova regulamentação, as instituições financeiras são obrigadas a bloquear não apenas a conta que recebeu o valor inicialmente, mas todas aquelas que participaram da movimentação do dinheiro fraudado.
O objetivo é impedir que criminosos utilizem múltiplas contas para dificultar o rastreamento e ocultar os recursos desviados. A integração das instituições financeiras permite que as análises sejam feitas de forma coordenada e mais rápida.
Autoridades monetárias afirmam que a medida deve aumentar a capacidade de identificação de golpistas e fortalecer a segurança do sistema de pagamentos instantâneos, que se consolidou como o meio de transferência mais utilizado pelos brasileiros.
Agilidade do cliente continua sendo essencial para recuperar o dinheiro
Mesmo com o avanço tecnológico, especialistas alertam que a rapidez da vítima ao comunicar o golpe ainda é determinante para aumentar as chances de recuperação dos valores.
Quanto mais cedo o cliente acionar o banco após identificar a fraude, maior será a probabilidade de encontrar saldo disponível nas contas utilizadas pelos criminosos.
Orientações básicas para quem sofrer golpe via Pix:
Comunique imediatamente o banco pelo aplicativo ou atendimento oficial
Registre boletim de ocorrência
Guarde comprovantes, mensagens e registros relacionados à fraude
Evite negociar diretamente com suspeitos após identificar o golpe
O Banco Central reforça que o Pix continua sendo um sistema seguro, mas que o aumento de crimes digitais exige atualização constante das ferramentas de proteção e atenção dos usuários.
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