O gás formado pela decomposição dos resíduos que chegam ao aterro de Caieiras está ganhando uma nova função. Depois de captado e tratado, ele se transforma em biometano, combustível renovável que pode substituir parte do gás natural de origem fóssil usado por indústrias, veículos e outras operações.
A primeira planta começou a operar em 2024, por meio de uma parceria entre a Solví Essencis e a MDC Energia. Atualmente, a unidade produz cerca de 67 mil metros cúbicos de biometano por dia.
Hoje, esse combustível sai do aterro em carretas de gás natural comprimido, o GNC, e segue até os consumidores.
Em maio de 2026, a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo, a Arsesp, aprovou a interconexão da produção local à rede de gás canalizado da Comgás.
A aprovação abre caminho para a construção da estrutura que ligará a área de produção ao sistema da concessionária. Quando essa etapa estiver concluída, o biometano produzido em Caieiras poderá chegar a mais consumidores sem depender apenas do transporte por carretas.
Do aterro ao consumidor de gás
O aterro de Caieiras recebe resíduos sólidos urbanos de municípios da Grande São Paulo. Quando a parte orgânica desses materiais se decompõe, forma-se o biogás, composto principalmente por metano e dióxido de carbono.
Antes de ser usado como combustível, esse gás percorre várias etapas.
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Primeiro, ele é captado por uma rede de tubulações instalada no maciço de resíduos. Depois, passa por processos de limpeza e purificação que retiram umidade, dióxido de carbono e outras impurezas.
Ao fim desse tratamento, surge o biometano, um combustível com características semelhantes às do gás natural.
A principal diferença está na origem. O gás natural convencional é retirado de reservas fósseis. Já o biometano produzido em Caieiras aproveita o gás gerado dentro do próprio aterro.
Em vez de ficar restrito à decomposição dos resíduos, esse recurso pode abastecer caminhões, caldeiras e equipamentos industriais. Segundo a Solví, parte da produção já é utilizada em veículos de coleta do próprio grupo.
Quanto a usina produz atualmente
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Seguir o RNews no WhatsAppA planta de Caieiras tem capacidade declarada próxima de 70 mil metros cúbicos por dia. A produção atual fica em torno de 67 mil metros cúbicos diários.
A diferença entre os números é pequena, mas importante. A capacidade mostra quanto a unidade pode produzir. Já o segundo dado representa o volume obtido durante a operação.
Essa quantidade pode variar de acordo com o volume e a qualidade do biogás captado, as condições da planta, a manutenção dos equipamentos e a procura pelo combustível.
A Solví também informou, em seu relatório de sustentabilidade, a aprovação de uma segunda planta em Caieiras, planejada para ter ligação direta com a rede da Comgás.
A nova estrutura deve aumentar a produção e ampliar o papel do município em uma atividade que vai além do recebimento de resíduos. O aterro também passa a funcionar como ponto de produção de combustível renovável.
Como será feita a conexão à Comgás
O projeto prevê cerca de 5,3 quilômetros de tubulação de aço, com oito polegadas de diâmetro, entre a área de produção e o sistema de distribuição.
Também será construída uma Estação de Transferência de Custódia, chamada de Bio-Citygate.
É nessa estrutura que o gás será medido e controlado antes de entrar na rede da Comgás. A estação fará a ligação entre a planta e o sistema usado pela concessionária para distribuir gás a diferentes consumidores.
Segundo a documentação técnica da Arsesp, a operação conectada está prevista para começar em 2027.
O planejamento apresentado pela agência aponta capacidade de 110 mil metros cúbicos por dia nessa etapa. Com a ampliação gradual do projeto, esse volume poderá chegar a cerca de 400 mil metros cúbicos diários até o fim da década.
O crescimento deve ocorrer por etapas, acompanhando o avanço das obras, a disponibilidade de biogás e a demanda das empresas interessadas no combustível.
O que muda com a entrada na rede
Atualmente, o biometano precisa ser comprimido, colocado em carretas e levado até cada consumidor.
Esse sistema permite atender empresas distantes do aterro, mas exige transporte rodoviário em todas as entregas.
Com a nova tubulação, parte desse percurso poderá ser feita diretamente pela rede da Comgás. O gás sairá da planta, passará pela estação de medição e entrará no sistema de distribuição.
A mudança amplia o alcance da produção de Caieiras e pode reduzir a quantidade de carretas necessárias para transportar o combustível.
Isso não significa que haverá uma tubulação exclusiva entre o aterro e cada residência. Depois de entrar no sistema, o biometano passa a fazer parte de uma rede compartilhada, usada por diferentes consumidores.
Também não há previsão de redução imediata na conta de gás dos moradores. O preço final depende de contratos, tarifas de distribuição, quantidade comercializada e outras regras do mercado.
Por que as indústrias procuram biometano
Fornos, caldeiras e processos industriais consomem grandes quantidades de gás. Para essas empresas, o biometano oferece uma alternativa ao combustível fóssil sem exigir, em muitos casos, uma mudança completa na estrutura já utilizada.
O produto também pode abastecer veículos preparados para gás, principalmente caminhões, ônibus e outras frotas pesadas.
Esse interesse cresce à medida que as empresas buscam fontes renováveis e tentam reduzir as emissões ligadas à produção e ao transporte.
Como ocorre em outros projetos do setor, o resultado ambiental pode ser medido pela eficiência na captação do biogás, pela quantidade de combustível fóssil substituída e pela redução das emissões ao longo da operação.
O que o morador de Caieiras poderá acompanhar
Nos próximos anos, os moradores poderão acompanhar o avanço das obras, a instalação da tubulação e o início da entrada do biometano na rede.
Também será possível observar se a produção aumentou, quanto combustível passou a ser distribuído pelo sistema e se houve redução do transporte por carretas.
Outro ponto de interesse está nos resultados econômicos e ambientais gerados pela expansão.
Para Caieiras, o projeto amplia o papel do município em uma atividade que antes era associada principalmente à destinação dos resíduos. O aterro passa a reunir tratamento, produção de combustível e conexão com uma infraestrutura de distribuição de energia.
Com a ligação à rede da Comgás, o gás produzido no aterro poderá chegar a mais empresas sem depender apenas das estradas. Ao mesmo tempo, a Solví Essencis e a MDC Energia ampliam o aproveitamento dos resíduos e colocam Caieiras em uma área de energia renovável que deve crescer nos próximos anos.
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