O que é cyberbullying? Conheça 6 formas de violência digital que podem passar despercebidas

Perfis falsos, ataques em jogos online e montagens com inteligência artificial podem ser usados para humilhar pessoas; veja como reconhecer essas práticas e suas consequências.

Um estudante descobre que criaram um perfil falso usando sua fotografia. Em pouco tempo, começam a aparecer comentários ofensivos, mensagens de desconhecidos e publicações feitas em seu nome. Na escola, os colegas comentam o assunto. Em casa, o celular continua recebendo notificações.

Para o estudante, sair da escola não significa escapar das humilhações. O perfil falso continua ativo, as publicações podem alcançar desconhecidos e o medo de novas exposições passa a fazer parte da rotina.

Mas quais comportamentos caracterizam cyberbullying? Uma montagem feita por brincadeira pode ser considerada violência? E por que ataques em grupos de mensagens podem causar tanto sofrimento?

O que é cyberbullying?

Cyberbullying é a intimidação intencional e repetitiva praticada por tecnologias digitais, como redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos online e outras plataformas.

Segundo o UNICEF, essa violência pode envolver divulgação de mentiras, publicação de imagens constrangedoras, mensagens humilhantes e falsificação de identidade para prejudicar outra pessoa.

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O cyberbullying é uma manifestação do bullying, mas utiliza os recursos da internet para ampliar a exposição da vítima.

Para compreender a origem dessas práticas, é importante conhecer o que é bullying e quais são seus oito tipos, incluindo as formas presenciais de intimidação.

Quais são as principais formas de cyberbullying?

As agressões digitais podem assumir diferentes formas. Entre os exemplos estão:

  • Perfis falsos: criação de contas para ridicularizar alguém ou publicar mensagens em seu nome.
  • Boatos e mentiras: divulgação repetida de informações falsas para prejudicar a reputação.
  • Montagens humilhantes: manipulação de fotografias ou vídeos para constranger uma pessoa.
  • Ataques coletivos: grupos organizados para enviar insultos, ameaças ou comentários ofensivos.
  • Exposição de conversas: compartilhamento de mensagens privadas com intenção de humilhar.
  • Humilhações em jogos online: perseguições, provocações repetitivas e ataques direcionados durante partidas.

Esses comportamentos precisam ser avaliados conforme suas circunstâncias. Nem toda publicação desagradável configura automaticamente cyberbullying.

Onde o cyberbullying costuma acontecer?

O problema não está restrito às redes sociais mais conhecidas.

Pode ocorrer em grupos de WhatsApp, comentários de vídeos, transmissões ao vivo, comunidades virtuais, plataformas de jogos e aplicativos utilizados para conversar ou compartilhar imagens.

Em jogos online, por exemplo, um participante pode ser perseguido repetidamente por outros jogadores, receber insultos pelo chat ou se tornar alvo de humilhações coletivas.

O agressor nem sempre é um desconhecido. Colegas de escola, antigos amigos e pessoas do mesmo grupo de convivência também podem participar dessas situações.

Inteligência artificial pode ser usada para cyberbullying?

Sim. Ferramentas de inteligência artificial permitem alterar fotografias, criar vídeos falsos e simular situações que nunca aconteceram.

Uma imagem manipulada pode fazer parecer que determinado estudante participou de uma situação constrangedora. Se o conteúdo for utilizado repetidamente para humilhar ou intimidar, poderá integrar uma prática de cyberbullying.

O UNICEF alerta que a inteligência artificial pode facilitar ataques mais sofisticados, inclusive com falsificações conhecidas como deepfakes.

É importante distinguir essas práticas: produzir uma imagem artificial não significa, por si só, cometer cyberbullying. A finalidade, a repetição e as circunstâncias precisam ser consideradas. Conteúdos isolados também podem constituir outras infrações.

Cyberbullying pode acontecer fora da escola?

Sim. A violência digital pode atingir crianças, adolescentes e adultos, independentemente do local onde estejam.

Uma pessoa pode receber ataques durante a madrugada, nos fins de semana ou enquanto participa de atividades que nada têm a ver com a escola.

O alcance das publicações também pode agravar a exposição. Uma mensagem compartilhada em um grupo pode chegar a centenas de pessoas, ser reproduzida em outras plataformas e continuar circulando depois de excluída.

Quais são as consequências do cyberbullying?

O sofrimento não depende apenas da quantidade de mensagens recebidas.

A vítima pode sentir vergonha, medo de novas publicações, insegurança e dificuldade para manter suas relações sociais.

O UNICEF também relaciona o cyberbullying a problemas como ansiedade, alterações no sono, isolamento e perda de interesse por atividades habituais.

Essas mudanças merecem atenção, especialmente entre crianças e adolescentes. Os sinais de alerta do bullying entre estudantes ajudam familiares e educadores a reconhecer situações que exigem acolhimento.

Cyberbullying é crime no Brasil?

Sim. Desde 2024, a Lei nº 14.811 incluiu a intimidação sistemática virtual no artigo 146-A do Código Penal.

A pena prevista é de dois a quatro anos de reclusão e multa, quando a conduta não constitui crime mais grave.

A caracterização depende dos requisitos legais. Uma discussão isolada pode não configurar cyberbullying, embora determinadas ofensas ou ameaças possam constituir outras infrações.

Quando a violência acontece, conhecer como denunciar cyberbullying e preservar provas é importante para proteger a vítima e permitir a apuração dos fatos.

Para quem tem sua imagem exposta, recebe ataques constantes ou passa a temer cada notificação, a violência não desaparece quando o celular é desligado. Reconhecer o cyberbullying é o primeiro passo para impedir que humilhações sejam tratadas como brincadeiras.

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