Governos europeus estão orientando famílias a manter reservas de água, alimentos e itens essenciais para enfrentar emergências. No Reino Unido, a campanha Be Ready, lançada na quinta-feira, 22 de outubro, recomenda suprimentos para três dias. A Alemanha orienta reservas para até dez dias, enquanto a União Europeia trabalha com uma referência mínima de 72 horas.
A recomendação não representa uma obrigação de estocar mantimentos nem anuncia uma guerra. É uma medida de proteção civil destinada a situações como tempestades, enchentes, apagões e falhas em serviços essenciais.
Quais governos estão fazendo essa recomendação
As orientações variam conforme o país. França, Irlanda e Países Baixos também mantêm iniciativas semelhantes de preparação, segundo o governo britânico.
No Reino Unido, a campanha nacional de outubro de 2026 reforça orientações publicadas desde maio de 2024. A iniciativa terá duração de três anos e já conta com o apoio de mais de 500 organizações para alcançar diferentes públicos, incluindo famílias com crianças pequenas e idosos.
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A Comissão Europeia apresentou, em março de 2025, uma estratégia para ampliar a capacidade de resposta do bloco a crises. Entre as ações está desenvolver orientações para que a população consiga atender às necessidades essenciais por pelo menos 72 horas.
A Alemanha trabalha com um prazo maior. O Escritório Federal de Proteção Civil e Assistência em Desastres (BBK) orienta que os moradores consigam se manter, preferencialmente, por dez dias. O órgão reconhece que uma reserva para três dias já é útil e pode ser ampliada gradualmente.
O que levou os países a reforçar os alertas
No lançamento da campanha britânica, o governo citou tempestades do inverno anterior e incêndios florestais do verão como exemplos de ocorrências que podem prejudicar energia, água e telecomunicações.
A estratégia europeia também considera eventos climáticos extremos, ataques cibernéticos, sabotagem, crises sanitárias e tensões geopolíticas. O objetivo é preservar serviços essenciais em crises simultâneas.
A guerra entre Rússia e Ucrânia também influenciou a preparação. A agência alemã BBK afirma que dúvidas da população sobre conflitos armados levaram o órgão a incluir o tema em seu guia de emergência.
Essas orientações indicam uma guerra iminente? Não. Os documentos tratam de riscos possíveis e não apresentam uma previsão de ataque. A preparação serve também para emergências que já afetam a população, como tempestades e apagões.
A preparação europeia também envolve questões de segurança internacional, como mostra a análise sobre guerra, sabotagem e ameaças cibernéticas nos planos de emergência.
Por que os governos recomendam três ou dez dias
Os prazos procuram dar às famílias alguma autonomia enquanto serviços públicos e empresas trabalham para restabelecer o funcionamento das cidades.
Em grandes emergências, equipes de socorro precisam priorizar pessoas em perigo imediato. Quem está em um imóvel seguro e dispõe de recursos básicos pode atravessar as primeiras horas com menos dificuldades.
Isso não significa esperar três ou dez dias para pedir ajuda. Se houver alagamento, risco de deslizamento, danos à estrutura da casa ou necessidade de atendimento médico, a prioridade é procurar assistência e seguir eventuais determinações de evacuação.
Para organizar uma reserva proporcional ao tamanho da família, é importante saber quanto de água e alimentos guardar para 72 horas, sem compras desnecessárias.
Defesa Civil brasileira também recomenda reservas de emergência
A Defesa Civil de Santo André, na Grande São Paulo, recomenda água potável e alimentos não perecíveis para três dias. Seu plano familiar de emergência também inclui medicamentos, documentos protegidos, lanternas, baterias e contatos importantes.
A importância dessa preparação ficou evidente durante o apagão que atingiu a Grande São Paulo após a passagem de um ciclone extratropical, em dezembro de 2025. Mais de dois milhões de consumidores foram afetados. Segundo dados da ANEEL divulgados pela Agência Brasil, houve imóveis sem energia até o sexto dia após o evento.
O problema ultrapassa a falta de iluminação. Sem eletricidade, alimentos podem estragar, equipamentos médicos podem parar e bombas responsáveis por distribuir água em edifícios podem deixar de funcionar. Em situações assim, entender o que fazer durante um apagão prolongado ajuda a reduzir riscos e prejuízos.
Outro alerta vem do Cemaden: os municípios brasileiros classificados em seca severa ou extrema passaram de 157 em agosto para 276 em setembro de 2026. O levantamento não indica que todas essas cidades estejam sem água, mas mostra a necessidade de acompanhar os riscos locais.
O que uma família pode fazer sem gastar muito
O governo britânico recomenda verificar o que já existe em casa e acrescentar itens gradualmente às compras habituais. Vale priorizar alimentos que não precisam de refrigeração, água armazenada com segurança e medicamentos necessários aos moradores.
Também é útil manter lanterna, carregador portátil e números de telefone anotados em papel. Uma pequena reserva de dinheiro em espécie também pode ajudar durante apagões, quando caixas eletrônicos e sistemas de pagamento ficam indisponíveis. A quantia deve considerar as necessidades da família.
A preparação deve considerar crianças, idosos e pessoas que dependem de cuidados específicos. Quem utiliza equipamento médico elétrico precisa planejar alternativas com profissionais de saúde. Em áreas de enchente ou deslizamento, conhecer as rotas de saída é mais importante do que conservar o estoque.
No Brasil, onde temporais, enchentes e interrupções de energia já causam transtornos, manter recursos básicos disponíveis pode ajudar as famílias a enfrentar os primeiros dias de uma emergência.
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