Foto: Fernanda Maia e Zé Henrique de Paula
Mais de vinte séculos separam “As Troianas”, obra homônima do grego Eurípedes, escrita em 415 a.C, falando da guerra de Troia na qual às mulheres da cidade foram submetidas ao luto, escravidão e exílio, e a resistência das presas pela ditadura no Brasil, sendo encarceradas na Torre das Donzelas, a ala feminina, do Presídio Tiradentes, centro da capital paulista.
Inaugurado em 1852, como Casa de Correção, o Presídio Tiradentes recebeu, entre outras, a ex-presidente Dilma Roussef, ficando amplamente conhecido pelas práticas violentas e graves denúncias de tortura, durante o regime militar (1964-1985).
Demolido em 1973, pelo então Governador Laudo Natel, só restou o pórtico de entrada, a poucos metros da Estação Tiradentes do metrô, e tombado pelo Condephaat, em 1985, como símbolo da resistência contra a opressão e violência ditatorial.
Em 2023 a escritora e jornalista Luiza Villaméa lançou o livro “A Torre”, relatando as condições das presas políticas e como sobreviveram às terríveis condições impostas pelos carcereiros carniceiros, mostrando como se organizavam, se relacionavam entre si e com agentes da repressão e pessoas do lado de fora, além de expor a rotina que se contrapunha à brutalidade da situação.
Inspirado na obra de Luiza Villaméa, o dramaturgo e diretor Zé Henrique de Paula traça um paralelo entre as tragédias grega e brasileira levando-as ao palco do Núcleo Experimental, em São Paulo, a partir de 18 de agosto, com o drama musical “As Troianas”.
Os arranjos das canções ficaram a cargo de Fernanda Maia e no elenco Bia Reze, Brian Penido Ross, Bruna Guerin, Edyelle Brandão, Fabio Redkowicz, Fernando Tavares, Giovanna Sassi , Larissa Noel, Laura Sciulli, Mari Rosinski, Nábia Villela, Patrícia Gifford, Vanessa Espósito e Victor Edwards.
Horrível a similaridade entre as troianas e as militantes brasileiras. Ver que apesar de passados dois mil anos a atemporalidade brutal permanece atingindo mulheres, não apenas pelas posições políticas, mas por aquilo que representam simbolicamente.
Ao impor uma mulher a violência sexual, insultos misóginos, ameaças à família e repressão, não somente seu corpo é atingido, mas toda a sociedade é ferida e machucada.
Segundo Fernanda Maia, a música, mais que ilustrar a ação dramática, é testemunho. “Inspirada por artistas que transformaram a música em instrumento de denúncia e esperança, a composição incorpora referências da canção de protesto brasileira e latino-americana, evocando a força poética de compositoras e compositores que enfrentaram regimes autoritários por meio da arte”, atesta a diretora musical.
“As Troianas” fica em cartaz na sede do Núcleo Experimental, zona oeste da capital, até 7 de outubro com sessões às terças e quartas-feiras. Confira abaixo.
SERVIÇO
As Troianas
Temporada: 18 de agosto a 7 de outubro
Às terças e quartas-feiras, às 20 h
*Todas as sessões serão seguidas por um bate-papo com elenco
Teatro do Núcleo Experimental – Rua Barra Funda, 637 – Barra Funda – São Paulo
Ingressos: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada)
Venda online via www.sympla.com
Classificação: 12 anos
Duração: 90 minutos
Capacidade: 65 lugares
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