Anvisa manda apreender dois lotes de medicamento contra câncer por suspeita de falsificação

Agência identificou unidades irregulares de Keytruda 100 mg/4 mL no mercado; medida atinge os lotes Z005197 e Z012354 e acende alerta para pacientes e serviços de saúde

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou nesta segunda-feira, 19 de outubro, a apreensão de dois lotes do medicamento Keytruda, usado no tratamento de diferentes tipos de câncer.

A medida atinge especificamente os lotes Z005197 e Z012354 da apresentação pembrolizumabe 100 mg/4 mL.

A suspeita é de falsificação.

Segundo a Anvisa, a própria empresa detentora do registro do medicamento, a Merck Sharp & Dohme Farmacêutica Ltda., identificou no mercado unidades com características diferentes das encontradas no produto original.

A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e determina a retirada das unidades suspeitas de circulação.

O que o consumidor precisa verificar

Pacientes, familiares, hospitais, clínicas e farmácias que tenham unidades do medicamento devem conferir cuidadosamente o número do lote.

Os lotes sob suspeita são:

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Z005197
Z012354

A medida não significa que todas as apresentações de Keytruda estejam comprometidas.

O alerta é direcionado a esses dois lotes específicos.

Quem utiliza o medicamento não deve interromper o tratamento por conta própria. Caso exista dúvida sobre a procedência do produto ou sobre o lote recebido, o caminho adequado é procurar imediatamente o serviço de saúde responsável pelo tratamento, a farmácia ou o profissional que acompanha o paciente.

O que é o Keytruda

Keytruda é o nome comercial do pembrolizumabe, um medicamento imunoterápico utilizado no tratamento de diferentes tipos de câncer.

A imunoterapia atua estimulando o próprio sistema imunológico do organismo a reconhecer e combater células tumorais.

O medicamento pode fazer parte de protocolos para diferentes tipos de tumores, de acordo com indicação médica, estágio da doença e características clínicas do paciente.

Por ser um medicamento de alta complexidade e utilizado em tratamentos oncológicos, qualquer suspeita relacionada à autenticidade do produto exige atenção imediata.

Por que um medicamento falsificado representa risco

Medicamentos falsificados podem apresentar problemas graves.

Não há garantia de que contenham o princípio ativo correto, na quantidade adequada ou em condições seguras de fabricação e armazenamento.

Também pode haver risco de contaminação, composição desconhecida ou ausência completa da substância responsável pelo tratamento.

Em pacientes com câncer, esse risco se torna ainda mais preocupante porque o uso de um produto falsificado pode comprometer uma etapa importante do tratamento.

Casos semelhantes já ocorreram

A apreensão anunciada agora não é o primeiro episódio envolvendo falsificação de medicamentos oncológicos.

Em outras ocasiões, a Anvisa já determinou a retirada de lotes falsificados de Keytruda e de outros medicamentos utilizados no tratamento do câncer.

No ano passado, por exemplo, a agência também identificou lotes falsos do próprio Keytruda e de Avastin.

Em setembro deste ano, houve ainda apreensão de um lote falsificado de Phesgo, medicamento utilizado no tratamento do câncer de mama.

A repetição desses casos reforça a importância de hospitais, clínicas, farmácias e pacientes verificarem a origem dos medicamentos adquiridos.

Compra deve ocorrer por canais regulares

Medicamentos de alto custo ou destinados a tratamentos específicos não devem ser adquiridos por canais informais.

Preço muito abaixo do mercado, vendedor sem identificação clara, ausência de nota fiscal, embalagem alterada ou informações diferentes das habituais são sinais que merecem atenção.

Para medicamentos usados em ambiente hospitalar, a responsabilidade pela aquisição e rastreabilidade normalmente passa pela instituição responsável pelo tratamento.

Mesmo assim, pacientes e familiares podem conferir informações básicas da embalagem e perguntar sobre a procedência quando houver alguma dúvida.

Embalagem diferente merece atenção

A Anvisa informou que as unidades suspeitas apresentavam características divergentes do medicamento original.

A agência não detalhou, nesta comunicação, todas as diferenças encontradas nos dois lotes agora apreendidos.

Por isso, o consumidor não deve tentar concluir sozinho se uma unidade é verdadeira ou falsa apenas pela aparência.

A conferência do lote e a verificação junto ao estabelecimento responsável são medidas mais seguras.

Se houver dúvida sobre autenticidade, o produto não deve continuar sendo utilizado até que a situação seja esclarecida pelo serviço de saúde.

Não interrompa tratamento sem orientação médica

Esse é um ponto especialmente importante.

Pacientes em tratamento contra o câncer não devem interromper aplicações, mudar medicamentos ou alterar datas de tratamento por conta própria apenas por causa do alerta.

A medida da Anvisa é específica para dois lotes.

Quem utiliza Keytruda deve verificar o lote e, caso exista correspondência ou dúvida, entrar em contato com a equipe médica ou serviço responsável.

A decisão sobre substituição, suspensão ou continuidade do medicamento deve ser tomada por profissionais de saúde.

Falsificação de medicamentos exige fiscalização constante

O mercado de medicamentos falsificados é um problema de saúde pública porque pode atingir justamente pessoas em situação de maior vulnerabilidade.

Produtos de alto custo também acabam se tornando alvo de falsificadores por terem maior valor comercial.

Por isso, rastreabilidade, controle de distribuidores, conferência de lotes e fiscalização sanitária são etapas essenciais para reduzir a circulação de produtos irregulares.

A falsificação de medicamentos e produtos de saúde já levou a outras apreensões recentes determinadas pela Anvisa, reforçando a necessidade de comprar apenas em estabelecimentos regulares e manter atenção à origem do produto.

O que fazer se o lote for um dos dois

Quem identificar uma unidade pertencente aos lotes Z005197 ou Z012354 deve procurar o serviço de saúde, hospital, clínica ou farmácia responsável pelo fornecimento.

Também é importante guardar embalagem, nota fiscal, comprovantes e qualquer informação relacionada à origem do medicamento.

Esses dados podem ajudar na apuração e na substituição do produto, quando necessária.

A principal orientação é simples: não utilizar uma unidade suspeita sem antes confirmar sua procedência com o serviço responsável pelo tratamento.

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