Flávio Bolsonaro deixa o Brasil rumo aos EUA, afirmam fontes à Reuters

Após derrota para Lula, senador descumpre ordem do STF para entregar passaportes. Polícia Federal cancela documentos e apura sua saída do país.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos, segundo fontes ouvidas pela agência Reuters nesta terça-feira (27). O candidato derrotado na eleição presidencial de domingo (25) teria viajado acompanhado da esposa e das duas filhas, após descumprir uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que o proibia de sair do país.

A viagem também foi relatada por aliados à Folha de S.Paulo, ao UOL e ao Metrópoles. A Polícia Federal cancelou os passaportes do parlamentar e investiga como ele teria deixado o território brasileiro. Até as últimas informações verificadas, não havia confirmação oficial de sua chegada aos Estados Unidos.

O que a Reuters descobriu sobre a saída de Flávio Bolsonaro?

Segundo reportagem da Reuters, publicada às 14h33 desta terça-feira (27), um aliado próximo de Flávio Bolsonaro e uma fonte do governo dos Estados Unidos relataram que o senador viajou para o país após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A agência procurou representantes do parlamentar, mas não obteve esclarecimentos sobre seu paradeiro.

Segundo a Folha, interlocutores contrários à saída afirmaram que a operação teria sido organizada por um advogado próximo à família Bolsonaro.

Acompanhe mais de Notícias

Veja reportagens, análises e atualizações desta editoria.

Ver tudo de Notícias →

O UOL ouviu uma fonte próxima à administração Donald Trump que declarou estar ciente da partida, mas não confirmou a chegada aos Estados Unidos.

Aliados ouvidos pelo Metrópoles também afirmaram que Flávio pretende solicitar asilo político ao governo Trump. Não existe confirmação oficial de que o pedido tenha sido apresentado ou aceito.

Flávio prometeu entregar passaportes antes de perder contato com aliados

Na segunda-feira (26), Flávio publicou um vídeo informando que havia sido intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes em até 24 horas.

A determinação foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, no âmbito de uma investigação envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. A decisão também proibiu Flávio de manter contato com o advogado.

Na gravação, Flávio declarou:

“Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar.”

O parlamentar também afirmou que nunca havia pensado em deixar o Brasil.

A promessa não foi cumprida.

Segundo reportagem do Metrópoles, Flávio enviou uma mensagem às 8h desta terça-feira ao senador Rogério Marinho, coordenador de sua campanha presidencial, dizendo que estava “esfriando a cabeça”. Questionado se permanecia no Brasil, não respondeu.

O prazo terminou sem a entrega dos documentos, embora a defesa tivesse sinalizado à Polícia Federal que cumpriria a determinação naquela manhã. A corporação cancelou os passaportes e informou que comunicaria o descumprimento ao STF.

Como Flávio poderia ter saído do Brasil sem passar pela imigração?

Segundo um alto funcionário da Polícia Federal ouvido pela Reuters, não existe registro da saída de Flávio Bolsonaro por postos regulares de controle migratório brasileiro.

A ausência desse registro não comprova, isoladamente, uma travessia clandestina.

As primeiras suspeitas apontaram para a fronteira com a Argentina.

Na madrugada de terça-feira, o jornal argentino Infobae publicou que Flávio teria atravessado a fronteira para embarcar em uma aeronave particular no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú.

O avião citado era um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, operado pela empresa Baires Fly.

Segundo levantamento do Metrópoles, a aeronave pousou em Puerto Iguazú às 23h42 de segunda-feira, após partir de Buenos Aires.

O jato não realizou a decolagem inicialmente prevista para a madrugada. O portal argentino Iguazú Ahora informou que Flávio também não constava da lista de passageiros declarados para um voo previsto para Miami na tarde de terça-feira.

Não há comprovação de que o senador tenha utilizado essa aeronave.

Argentina nega entrada do senador

A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou não ter encontrado registros da entrada de Flávio Bolsonaro no país.

Autoridades argentinas verificaram a aeronave e sua documentação após a repercussão das notícias, mas não identificaram plano de voo que incluísse integrantes da família Bolsonaro.

O governo argentino também negou ter recebido pedido de asilo do senador.

Segundo a Folha, um interlocutor próximo à família afirmou posteriormente que Flávio não teria utilizado território argentino para chegar aos Estados Unidos.

A rota efetivamente utilizada permanece sem esclarecimento público.

Por que o STF determinou a entrega dos passaportes?

A medida foi determinada em uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz.

A apuração examina movimentações financeiras relacionadas a empresas do setor de apostas.

Investigadores identificaram documentos que associam o senador à administração de uma conta vinculada à Alcazar Holdings, empresa relacionada ao advogado.

Flávio e Willer negam irregularidades.

A investigação já recebia atenção pública antes das eleições. O RNews também noticiou o acordo entre Lula e Flávio para abertura de sigilos durante a disputa presidencial.

O descumprimento da determinação pode resultar em novas medidas judiciais, mas não provoca prisão automática. As consequências jurídicas da decisão do STF dependem de requisitos específicos, incluindo as garantias constitucionais aplicáveis aos senadores.

Derrota para Lula antecedeu a viagem relatada

Flávio Bolsonaro perdeu a eleição presidencial de domingo (25) para Lula, que conquistou seu quarto mandato.

Após a divulgação do resultado, o senador questionou a votação e anunciou que buscaria medidas judiciais relacionadas ao processo eleitoral.

Na segunda-feira, o Partido Liberal reconheceu oficialmente a vitória de Lula.

Antes da votação, Eduardo Bolsonaro havia defendido publicamente que o irmão deixasse o Brasil caso fosse derrotado.

Questionado nesta terça-feira, Eduardo inicialmente negou os relatos sobre a viagem.

Onde está Flávio Bolsonaro e o que falta esclarecer?

A Polícia Federal ainda precisa esclarecer quando e por onde Flávio Bolsonaro teria deixado o território brasileiro. Também não existem informações públicas conclusivas sobre a aeronave utilizada ou eventual pedido formal de asilo.

A Reuters identificou um vídeo antigo que circulava nas redes como se comprovasse uma viagem após as eleições. As imagens eram de maio de 2026 e não documentam os acontecimentos desta terça-feira.

Enquanto aliados relatam a viagem aos Estados Unidos, as autoridades brasileiras não identificaram registros de saída pelos postos migratórios regulares.

A Polícia Federal informou que comunicaria ao Supremo Tribunal Federal o descumprimento da ordem de Alexandre de Moraes. Caberá à Justiça avaliar eventuais medidas, enquanto as circunstâncias da viagem permanecem sob investigação.

Artigo anterior Flávio Bolsonaro pode ser preso por descumprir ordem do STF? Entenda
Desenvolvido com por Célio Ricardo
.