O que é bullying? Conheça os 8 tipos e quando uma brincadeira vira agressão

Apelidos ofensivos, exclusão de grupos e humilhações podem passar despercebidos; entenda como reconhecer o bullying, onde acontece e sua diferença para o cyberbullying.

Um aluno recebe um apelido de que não gosta. Os colegas repetem a provocação todos os dias, riem quando ele reclama e começam a deixá-lo de fora das atividades. Para quem assiste, pode parecer uma brincadeira. Para quem enfrenta a situação, frequentar a escola passa a ser motivo de angústia.

Mas quando uma brincadeira se transforma em bullying? Toda discussão entre colegas pode receber esse nome? E o que muda quando as humilhações acontecem pela internet?

Nem sempre é fácil reconhecer essa violência. Ela pode aparecer em pequenos gestos repetidos, comentários ofensivos ou atitudes de exclusão que passam despercebidas pelos adultos. Saber identificar esses comportamentos ajuda a interromper situações que não deveriam fazer parte da rotina de ninguém.

O que é bullying e como identificar?

Bullying é uma forma de intimidação caracterizada por agressões intencionais e repetitivas, praticadas individualmente ou em grupo.

A Lei nº 13.185/2015 também considera o desequilíbrio de poder entre os envolvidos. Isso acontece, por exemplo, quando uma criança tem dificuldade para se defender de colegas fisicamente mais fortes, de um grupo ou de alguém que exerce influência sobre os demais.

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As agressões não precisam ser físicas. Humilhações, ameaças, apelidos depreciativos e exclusão deliberada também podem caracterizar bullying.

Quais são os 8 tipos de bullying?

A legislação brasileira reconhece oito classificações, que podem ocorrer separadamente ou ao mesmo tempo:

  • Verbal: xingamentos, insultos e apelidos usados para humilhar.
  • Moral: divulgação de boatos, mentiras e acusações para prejudicar a reputação.
  • Social: exclusão intencional de grupos, atividades e relações de amizade.
  • Psicológico: intimidação, perseguição, chantagens e ameaças repetidas.
  • Físico: empurrões, socos, chutes e outras agressões corporais.
  • Material: furto, roubo ou destruição de objetos pertencentes à vítima.
  • Sexual: assédio e outras condutas de natureza sexual utilizadas para constranger.
  • Virtual: humilhações, perseguições e exposição ofensiva por meios digitais.

Os diferentes tipos de bullying podem ocorrer ao mesmo tempo. Uma ameaça repetida, por exemplo, pode envolver violência verbal e psicológica. As oito classificações estão previstas na legislação brasileira e não representam uma ordem de frequência ou gravidade.

Onde o bullying costuma acontecer?

A escola é um dos ambientes mais associados ao bullying. As agressões podem ocorrer na sala de aula, nos corredores, durante o recreio, no transporte escolar ou em atividades esportivas.

Também podem acontecer em cursos, clubes, grupos de amigos e outros espaços de convivência.

A Lei nº 13.185/2015 determina que escolas, clubes e agremiações recreativas adotem medidas de conscientização, prevenção, identificação e combate à intimidação sistemática.

O local, por si só, não define o bullying. O que importa é observar o comportamento, a repetição das agressões e a relação de poder entre os envolvidos.

Qual é a diferença entre bullying e cyberbullying?

O bullying pode ocorrer em ambientes presenciais. Quando a intimidação sistemática acontece por meios digitais, como redes sociais, aplicativos de mensagens e jogos online, recebe o nome de cyberbullying.

Uma humilhação iniciada na escola pode continuar em um grupo de WhatsApp, com fotografias adulteradas, comentários ofensivos ou perfis falsos.

Na internet, as agressões podem alcançar pessoas que nem conhecem a vítima e continuar circulando fora do ambiente onde começaram.

Nessas situações, entender como denunciar cyberbullying e proteger as vítimas ajuda a preservar registros, identificar os responsáveis e buscar apoio.

Apelidos e brincadeiras podem ser considerados bullying?

Sim, dependendo de como acontecem.

Uma brincadeira deixa de ser saudável quando provoca constrangimento, medo ou humilhação, especialmente quando continua mesmo depois de a pessoa demonstrar que está incomodada.

Se uma criança demonstra incômodo e os colegas continuam utilizando um apelido para ridicularizá-la, a situação merece atenção.

Nem toda discussão configura bullying. Desentendimentos pontuais também fazem parte da convivência, mas isso não significa que ofensas ou agressões isoladas devam ser ignoradas.

O bullying acontece apenas entre crianças?

Não. Adultos também podem enfrentar intimidações e humilhações repetidas em ambientes profissionais, grupos sociais e outros espaços.

No trabalho, determinados comportamentos podem configurar assédio moral, conforme as circunstâncias. Embora existam semelhanças, os conceitos não são necessariamente equivalentes.

O bullying recebe atenção especial no ambiente escolar porque pode comprometer o aprendizado, as relações sociais e o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Quem pratica bullying pode ser punido?

Sim. A Lei nº 14.811/2024 incluiu a intimidação sistemática no artigo 146-A do Código Penal.

O bullying pode ser punido com multa, quando não constitui crime mais grave. Para o cyberbullying, a pena prevista é de dois a quatro anos de reclusão e multa, na mesma condição legal.

Quando o responsável tem menos de 18 anos, aplicam-se as regras do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Como ajudar alguém que sofre bullying?

A primeira atitude é ouvir sem minimizar o sofrimento. Recomendar que a vítima revide ou considerar as agressões uma fase passageira pode dificultar a busca por ajuda.

Familiares e educadores devem observar mudanças de comportamento. Isolamento, resistência em frequentar a escola e alterações na rotina estão entre os sinais de alerta do bullying entre adolescentes que merecem atenção.

Quem presencia agressões pode oferecer apoio, evitar participar das humilhações e comunicar a situação a um adulto ou responsável pela instituição.

Nem toda violência deixa marcas no corpo. Às vezes, ela aparece em um apelido repetido, na exclusão de uma atividade ou em uma criança que já não quer voltar à escola. Perceber essas mudanças e levar o relato a sério pode ser o primeiro passo para interromper as agressões.

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