
Documento de Eliza Samudio é localizado em Portugal após anos e levanta novas dúvidas sobre um dos crimes mais marcantes do país.
Um documento esquecido em outro país, guardado entre livros em uma estante, trouxe de volta um dos capítulos mais sombrios da história recente do Brasil. Um passaporte atribuído a Eliza Samudio, morta em 2010, foi encontrado em Portugal no fim de 2025 e passou a circular no noticiário nacional, reacendendo memórias, questionamentos e forte comoção pública.
As imagens do documento, divulgadas pela imprensa, mostram dados pessoais detalhados, como filiação, data de nascimento, nome completo e fotografia. O achado levanta novas reflexões sobre um caso que, mesmo após mais de uma década, segue sem encerramento simbólico.
Consulado confirma recebimento do documento
O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa confirmou que recebeu o passaporte na sexta-feira (2). Desde então, o órgão aguarda orientação oficial do Itamaraty para definir qual será a destinação do documento, que já se encontra sob custódia das autoridades brasileiras.
Segundo informações oficiais, ainda não há decisão sobre o encaminhamento final, mas o passaporte está preservado e sob análise administrativa.
Como o passaporte foi encontrado em Portugal
De acordo com relatos divulgados pela imprensa, o documento teria sido localizado em um apartamento alugado em Portugal, onde Eliza teria se hospedado anos antes. Um homem, que não teve a identidade revelada, encontrou o passaporte entre livros dispostos em uma estante, no imóvel.
O detalhe chama atenção pelo estado de conservação do documento, descrito como intacto, com todas as páginas preservadas, apesar de ter permanecido fora do Brasil por tantos anos.
Irmão de Eliza acredita que documento seja verdadeiro
À imprensa, Arlie Moura, irmão de Eliza Samudio, afirmou acreditar na autenticidade do passaporte encontrado.
Segundo ele, os dados pessoais exibidos nas imagens como filiação, data de nascimento e nome completo coincidem com as informações da irmã.Apesar disso, Arlie ressaltou que ainda não há confirmação oficial definitiva por parte das autoridades.
“Não posso bater o martelo”, declarou, acrescentando que, com base no que foi divulgado até agora, acredita que o documento seja, de fato, de Eliza.
Ele também afirmou que soube do caso pela mídia e que segue acompanhando os desdobramentos à espera de informações oficiais.
Um caso que nunca foi encerrado
Eliza Samudio desapareceu em 4 de junho de 2010, aos 25 anos, após informar amigos que faria uma viagem. Desde então, nunca mais foi vista. Investigações posteriores levaram à conclusão de que a jovem foi assassinada, embora seus restos mortais jamais tenham sido encontrados.
Eliza manteve um relacionamento extraconjugal com Bruno Fernandes de Souza, à época goleiro do Flamengo e em ascensão no futebol brasileiro. Da relação nasceu um filho, Bruninho, em fevereiro de 2010, hoje criado pela família materna.
Investigações, condenações e versões nunca totalmente comprovadas
Durante as apurações, peças de roupas e fraldas foram encontradas em um sítio ligado ao ex-goleiro, em Minas Gerais. O filho de Eliza foi localizado posteriormente na periferia de Belo Horizonte.
Alguns dos envolvidos relataram versões sobre o crime, indicando que Eliza teria sido estrangulada e, depois, esquartejada. No entanto, essas versões nunca puderam ser totalmente comprovadas, justamente pela ausência do corpo.
Bruno foi condenado a 20 anos de prisão pelo assassinato de Eliza Samudio e por outros crimes relacionados ao caso. Ele nunca confessou ter planejado a morte da ex-modelo.
Um documento que virou símbolo
O passaporte encontrado em Portugal não altera juridicamente o desfecho do processo criminal, mas carrega forte valor simbólico. Para muitos, trata-se de um vestígio concreto da vida de Eliza, preservado longe do país onde sua história foi interrompida de forma brutal.
Mais de 15 anos depois, o simples surgimento de um documento pessoal foi suficiente para recolocar o caso no centro do debate público, mostrando que a história de Eliza Samudio continua viva na memória coletiva e ainda desperta dor, indignação e busca por respostas.
Porque o passaporte estava em Portugual?
A descoberta do documento em Portugal fez surgir uma grande dúvida em muitas pessoas: como Eliza Samudio conseguiu retornar ao Brasil sem o passaporte?
Esse ponto foi detalhado em outro artigo da nossa cobertura especial:
Como Eliza Samudio saiu de Portugal sem o passaporte? Saiba o que aconteceu nesse caso.
A explicação envolve procedimentos consulares pouco conhecidos, autorizações emergenciais e registros oficiais que só agora voltaram ao debate público.
Fonte: Metrópoles, G1



