
O IPTU 2026 de Caieiras provocou reações intensas entre contribuintes após relatos de falhas no site oficial, erros na emissão de boletos e ausência de informações sobre restituição. A prefeitura anunciou reajuste de 9,2%, percentual que ultrapassa a inflação de 2025. Cidadãos questionam a falta de transparência nos critérios de cálculo e pedem estabilidade nos serviços digitais para garantir o pagamento regular do imposto municipal.
Por Bianca Ludymila Peres
Jornal Fala Regional
Instabilidades digitais, falta de transparência sobre o reajuste e ausência de carnês físicos geram críticas de contribuintes ao IPTU 2026 em Caieiras
O lançamento do IPTU 2026 em Caieiras, divulgado na primeira semana de janeiro, mobilizou contribuintes e evidenciou problemas técnicos e de comunicação pública. A prefeitura anunciou três formas de emissão da segunda via do boleto — pelo site, WhatsApp e atendimento presencial —, mas as rotas digitais apresentaram instabilidades e relatos de falha na emissão do documento.
Moradores informaram que, ao tentar imprimir o boleto no portal municipal, o sistema redirecionava para uma página com código de erro. Outros usuários relataram dificuldade de acesso à plataforma de restituição, ferramenta criada para consultas e pedidos de devolução de valores referentes a exercícios anteriores. O canal de atendimento via WhatsApp, embora divulgado como alternativa, também apresentou falhas na identificação de imóveis.
Os registros indicam que, enquanto páginas como a de parcelas ativas funcionam normalmente, o link de restituição permanece fora do ar desde dezembro, segundo contribuintes. O problema afeta diretamente quem busca ressarcimento de cobranças consideradas indevidas e reforça a necessidade de transparência administrativa e eficiência digital.
Além dos obstáculos técnicos, a divulgação do reajuste médio de 9,2% gerou questionamentos. A variação supera em mais de duas vezes a inflação oficial de 2025, medida pelo IPCA, que fechou em 4,26%. O aumento, embora não confirmado oficialmente pela prefeitura como média geral, foi citado por diversos contribuintes ao Jornal Fala Regional.
A diferença percentual levanta dúvidas sobre a base de cálculo utilizada. O IPTU pode ser corrigido por atualização monetária, reavaliação de valor venal ou ajustes de alíquota, mas a ausência de nota explicativa detalhando o índice aplicado dificulta a verificação pública. O valor venal, definido pela planta genérica, é o principal elemento para cálculo do imposto e pode variar de acordo com localização e padrão construtivo.
Os relatos recebidos pela redação também destacam a preocupação de contribuintes idosos com a não entrega dos carnês físicos, prática comum em anos anteriores. A digitalização, sem uma política de transição inclusiva, tornou-se uma barreira para parte da população que não dispõe de acesso ou familiaridade com meios eletrônicos.
Outra reclamação recorrente é a ausência de opção para pagamento em cota única e a falta de clareza quanto ao vencimento das parcelas. O desconto de 10% para pagamento até 30 de janeiro foi anunciado, mas nem todos conseguiram acessar o boleto a tempo.
No Paço Municipal, localizado na Avenida Professor Carvalho Pinto, 207, o atendimento presencial ocorre das 8h às 17h. Telefones divulgados para suporte — 4445-9228, 4445-9235, 4445-9245, 4445-9227 e 4445-9246 — continuam sendo o meio mais seguro para obter informações até que o sistema seja normalizado.
O caso do IPTU 2026 em Caieiras exemplifica o desafio contemporâneo das administrações municipais: conciliar arrecadação eficiente com prestação de serviço digital estável e acessível. Enquanto parte dos contribuintes busca apenas pagar o tributo, outra parcela tenta, sem sucesso, exercer o direito à restituição — ambos dependentes de uma mesma estrutura tecnológica que, por ora, não entrega o mínimo exigido pelo princípio da eficiência administrativa.



