Canetas emagrecedoras autorizadas no Brasil

Medicamentos à base de semaglutida, liraglutida e tirzepatida só podem ser vendidos com prescrição e seguem regras rígidas de comercialização

Veja quais medicamentos para perda de peso têm registro sanitário e quais foram proibidos pela Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária definiu quais canetas emagrecedoras podem ser comercializadas legalmente no Brasil, reforçou a proibição de produtos sem registro sanitário e estabeleceu regras mais rígidas para prescrição e venda de medicamentos à base de semaglutida, liraglutida e tirzepatida.

As chamadas canetas emagrecedoras, utilizadas no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, ganharam espaço no Brasil nos últimos anos e passaram a ser alvo de maior fiscalização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Em decisões recentes, o órgão definiu quais medicamentos podem ser comercializados legalmente no país e reforçou a proibição de produtos vendidos sem registro sanitário.

Esses medicamentos utilizam substâncias como semaglutida, liraglutida e tirzepatida, aplicadas por meio de canetas injetáveis de uso subcutâneo. O uso é restrito à prescrição médica e segue regras específicas de dispensação nas farmácias brasileiras.

Fiscalização e proibição de produtos irregulares

Em 2026, a Anvisa determinou a proibição e apreensão de lotes de canetas à base de tirzepatida comercializadas sob as marcas Synedica e TG, conhecidas popularmente como “canetas do Paraguai”. A decisão também se estendeu à retatrutida, independentemente da marca.

Segundo o órgão regulador, esses produtos eram anunciados e vendidos sem registro sanitário, inclusive por meio de redes sociais, o que representa risco à saúde pública. Medicamentos sem autorização não passam por avaliação de qualidade, segurança e eficácia exigidas no Brasil.

Canetas emagrecedoras autorizadas no Brasil

Atualmente, apenas medicamentos com registro sanitário podem ser comercializados legalmente no território nacional. Entre os principais produtos autorizados estão:

  • Wegovy: indicado especificamente para o tratamento da obesidade e do sobrepeso, com aplicação semanal.
  • Saxenda: utilizado no tratamento da obesidade, com aplicação diária.
  • Ozempic: aprovado para diabetes tipo 2, podendo ter uso fora da bula para perda de peso sob critério médico.
  • Mounjaro: registrado no Brasil para diabetes tipo 2, com resultados expressivos de perda de peso observados em estudos clínicos.
  • Outros medicamentos com semaglutida ou liraglutida também constam na lista da Anvisa, conforme indicação aprovada.

Como essas substâncias atuam no organismo

As substâncias presentes nas canetas emagrecedoras atuam de forma semelhante ao hormônio GLP-1, produzido naturalmente pelo intestino. Ao alcançar o cérebro, especialmente o hipotálamo, esse hormônio participa do controle da fome e da saciedade.

No caso da tirzepatida, o mecanismo é duplo. Além do GLP-1, a substância também imita o hormônio GIP, que estimula a liberação de insulina e contribui para o controle da glicose no sangue. Essa combinação explica os resultados mais elevados de perda de peso observados em alguns pacientes.

Resultados e expectativas clínicas

Estudos clínicos indicam que pacientes em uso de tirzepatida podem apresentar redução superior a 20% do peso corporal em cerca de nove meses de tratamento, dependendo do perfil clínico e da adesão terapêutica.

Já a semaglutida e a liraglutida costumam apresentar reduções médias menores, variando conforme o tempo de uso, dose e acompanhamento médico. A semaglutida é aplicada semanalmente, enquanto a liraglutida exige aplicação diária.

Regras de prescrição e venda nas farmácias

Desde 2025, a Anvisa passou a exigir que medicamentos agonistas do GLP-1 sejam vendidos exclusivamente com retenção da receita médica. A receita deve ser emitida em duas vias e tem validade de até 90 dias.

A medida busca coibir o uso indiscriminado, reduzir a automedicação e garantir que o tratamento ocorra com acompanhamento profissional adequado.

Manipulação e importação de substâncias

A agência também estabeleceu critérios mais rígidos para a manipulação e importação de insumos farmacêuticos ativos usados nessas canetas. A manipulação só é permitida em situações específicas e quando a substância já passou por avaliação técnica no processo de registro do medicamento.

Produtos manipulados ou importados sem autorização continuam proibidos no país.

Orientação ao consumidor

A Anvisa reforça que medicamentos para emagrecimento devem fazer parte de um plano terapêutico completo, que inclua avaliação médica, exames e acompanhamento contínuo. A compra de canetas sem registro sanitário representa risco direto à saúde e pode resultar em efeitos adversos graves.

Artigo anterior Uva: a fruta milenar que une sabor, saúde e tradição ao redor do mundo
Valentina de Lucca

Valentina de Lucca

Sou uma jornalista guiada pela sensibilidade, pela curiosidade e pelo desejo profundo de compreender o mundo em todas as suas camadas. Busco construir uma trajetória que marcada pela precisão da informação, pelo olhar humano e pela capacidade de transformar histórias reais em narrativas que inspiram, acolhem e despertam reflexão.

Apaixonada por comportamento, ciência, natureza e pelas relações que conectam pessoas, animais e ambientes, encontro sentido tanto nos avanços da tecnologia quanto na simplicidade da vida cotidiana.

Desenvolvido com por Célio Ricardo