MP pede condenação de Renato Cariani, mas solicita absolvição de duas rés

Promotoria quer condenar influenciador e outros dois acusados. Defesa contesta as provas e afirma que pedirá absolvição.

O Ministério Público de São Paulo pediu a condenação de Renato Cariani por associação para o tráfico de drogas, tráfico de matérias-primas destinadas à fabricação de entorpecentes e lavagem de dinheiro. A manifestação foi apresentada nesta quarta-feira (28), quase três anos depois de o influenciador fitness se tornar alvo de uma operação da Polícia Federal.

O pedido trouxe um desdobramento importante: enquanto o MP-SP sustenta a condenação de Cariani e outros dois acusados, solicita a absolvição de duas mulheres incluídas no processo. O empresário, que reúne mais de 11 milhões de seguidores no Instagram, responde às acusações em liberdade e nega envolvimento com o narcotráfico.

A defesa afirma que apresentará suas alegações finais para contestar as provas citadas pelo Ministério Público e sustenta que o empresário deve ser absolvido.

Por que o MP pediu a condenação de Renato Cariani?

O pedido foi apresentado nas alegações finais do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público paulista.

Segundo os promotores, Cariani teria participado de um esquema que utilizava operações comerciais fictícias para justificar a saída de produtos químicos da Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa da qual é sócio, localizada em Diadema, na Grande São Paulo.

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A acusação sustenta que as substâncias eram desviadas para pessoas ligadas ao tráfico, que as utilizariam na preparação de cocaína e crack.

O Ministério Público aponta 59 operações consideradas fraudulentas, envolvendo vendas registradas em nome de empresas que não reconheciam as compras.

Para os promotores, documentos comerciais, movimentações financeiras e mensagens reunidas durante a investigação indicariam a participação do influenciador nas irregularidades.

A defesa contesta essas conclusões.

MP também pede condenação de dois réus e absolvição de duas acusadas

Além de Cariani, o Ministério Público solicitou a condenação de Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes.

Conforme a acusação, Fábio teria atuado na negociação e no fornecimento das substâncias, intermediando operações entre a indústria química e compradores vinculados ao narcotráfico.

Rodrigo, por sua vez, é apontado como responsável por movimentações financeiras que teriam ajudado a ocultar a origem ilícita dos recursos.

O Gaeco pediu a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na Anidrol, e Andréia Domingues Ferreira, ambas incluídas nas investigações.

O pedido não representa uma absolvição judicial. Caberá ao juiz avaliar individualmente a responsabilidade criminal dos acusados.

As informações divulgadas até a tarde desta quarta-feira não esclarecem detalhadamente os fundamentos apresentados pelos promotores para solicitar a absolvição das duas mulheres.

O que as mensagens encontradas no celular de Cariani indicariam?

Entre os elementos utilizados pela acusação estão mensagens extraídas do celular do influenciador durante as investigações.

De acordo com o Gaeco, as conversas indicariam que Cariani mantinha contato próximo com um policial civil ligado à fiscalização de produtos químicos controlados.

Os promotores afirmam que o empresário teria recebido informações sobre diligências e participado de conversas envolvendo empresas que poderiam ser fiscalizadas.

Um dos episódios mencionados pela acusação ocorreu em 11 de abril de 2019. Segundo o Ministério Público, ao ser consultado pelo policial sobre determinada substância, Cariani teria respondido que ela era utilizada para aumentar o rendimento da cocaína.

Para o Gaeco, a mensagem indicaria conhecimento sobre a utilização dos insumos químicos no preparo de drogas.

Outro ponto citado envolve a retirada de mercadorias fora do expediente da Anidrol e a apresentação de comprovantes considerados falsos pelos investigadores.

Esses elementos integram a argumentação da Promotoria, mas sua suficiência para uma eventual condenação ainda será avaliada pela Justiça.

O que diz a defesa de Renato Cariani?

O advogado Aldo Romani Netto, responsável pela defesa do influenciador, afirmou ao g1 que recebeu com naturalidade o pedido de condenação.

Segundo ele, a manifestação não representa surpresa, pois o Ministério Público manteve a posição defendida desde o início da ação penal.

A defesa sustenta que as provas produzidas durante a instrução permitirão contestar os argumentos apresentados pelos promotores.

Romani afirmou que apresentará as alegações finais defensivas e demonstrará por que considera improcedentes as acusações.

O advogado também declarou confiar em um julgamento baseado na análise imparcial das provas e manifestou convicção de que Cariani será absolvido.

Até a divulgação das informações, o g1 buscava manifestações das defesas de Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira.

Como a investigação contra Renato Cariani chegou às alegações finais?

A investigação começou em 2019, após a farmacêutica AstraZeneca comunicar irregularidades relacionadas a operações comerciais registradas em seu nome.

Em dezembro de 2023, a Polícia Federal deflagrou a Operação Hinsberg para investigar o suposto desvio de produtos químicos utilizados na preparação de entorpecentes.

Cariani foi indiciado pela PF e tornou-se réu em fevereiro de 2024, quando a Justiça paulista recebeu a denúncia.

A manifestação de 28 de outubro de 2026 representa o encerramento da participação da acusação nessa etapa processual, antes da apresentação das alegações finais da defesa.

Renato Cariani pode ser condenado agora?

O influenciador ainda não foi condenado nessa ação penal. O pedido do Ministério Público não determina sua prisão nem estabelece uma pena.

Uma estimativa apresentada pelo advogado criminalista Anderson Almeida, ouvido pelo g1, indica que as penas poderiam chegar a 51 anos e oito meses caso as acusações fossem integralmente acolhidas, consideradas determinadas regras de aplicação das penas.

O cálculo não representa uma sentença. Além disso, a legislação brasileira estabelece um limite de 40 anos para o cumprimento de penas privativas de liberdade.

A próxima etapa será a apresentação das alegações finais da defesa. Depois, a Justiça poderá proferir sentença, caso não sejam necessárias outras providências processuais.

Ainda não há data divulgada para a sentença.

O desfecho permanece indefinido: enquanto a Promotoria sustenta a condenação de três réus, também pede a absolvição de duas acusadas. A decisão dependerá das provas e dos argumentos apresentados no processo.

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