A vegetação que cerca a Grande São Paulo ajuda a abastecer reservatórios, amenizar o calor e proteger o solo contra erosões. Parte dessas áreas integra a Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo, reconhecida pela Unesco e presente em 78 municípios. Apesar de sua importância, a região enfrenta pressões provocadas pelo crescimento urbano, pela poluição e pela ocupação irregular.
O alerta ganha destaque na terça-feira, 3 de novembro, quando é celebrado o Dia Internacional das Reservas da Biosfera. Criada pela Unesco em 2021, a data chama atenção para territórios que procuram conciliar a conservação da natureza com as atividades humanas.
No estado de São Paulo, essa relação envolve milhões de moradores, especialmente aqueles que vivem próximos à Serra da Cantareira, às áreas de mananciais e aos últimos grandes fragmentos de Mata Atlântica.
Cinturão Verde de São Paulo protege 78 municípios
Reconhecida em 1994, a Reserva da Biosfera do Cinturão Verde abrange aproximadamente 2,4 milhões de hectares.
Seu território inclui áreas da Região Metropolitana de São Paulo e da Baixada Santista, reunindo florestas, unidades de conservação, mananciais, espaços rurais e zonas urbanizadas.
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Biodiversidade, conservação, clima e impactos ambientais na região do CIMBAJU.
Segundo a Rede Brasileira de Reservas da Biosfera, esses ecossistemas fornecem serviços ambientais essenciais a uma população superior a 25 milhões de habitantes.
A vegetação contribui para regular a temperatura, proteger nascentes, reduzir a erosão e preservar espécies animais e vegetais.
O território abriga principalmente ecossistemas da Mata Atlântica, além de áreas de Cerrado.
O que ameaça as áreas verdes da Grande São Paulo?
A expansão urbana está entre as principais pressões sobre o Cinturão Verde.
Construções irregulares, abertura de vias e ocupação de terrenos ambientalmente sensíveis podem reduzir a vegetação e fragmentar os habitats naturais.
O problema não se limita à retirada de árvores.
Quando uma floresta é dividida em pequenos fragmentos, espécies animais podem encontrar dificuldades para circular, buscar alimento e reproduzir-se.
A Rede Brasileira de Reservas da Biosfera também identifica outras ameaças, como exploração ilegal de recursos florestais, caça, poluição e introdução de espécies invasoras.
Obras de infraestrutura exigem atenção especial quando atravessam áreas ambientalmente sensíveis. Os possíveis impactos da expansão de rodovias sobre a vegetação, os mananciais e os corredores de fauna já motivaram debates e manifestações na Região Metropolitana de São Paulo.
A avaliação desses projetos depende de estudos ambientais, licenciamento e fiscalização.
Serra da Cantareira tem importância para Caieiras e Mairiporã
A Serra da Cantareira é uma das principais referências ambientais da região norte da Grande São Paulo.
Sua vegetação contribui para a proteção de nascentes, a conservação da fauna e a regulação das condições climáticas locais.
Municípios como Caieiras e Mairiporã mantêm uma relação direta com esse patrimônio natural.
O crescimento urbano próximo às áreas de mata exige planejamento para evitar ocupações em locais vulneráveis, desmatamento e comprometimento dos recursos hídricos.
A preservação também interessa aos moradores de Franco da Rocha, Francisco Morato e Cajamar, municípios que compartilham desafios relacionados à expansão urbana, à drenagem e à proteção ambiental.
Menos árvores podem significar mais calor e enchentes
A perda de vegetação pode trazer consequências perceptíveis mesmo longe das áreas desmatadas.
Árvores oferecem sombra e ajudam a reduzir a temperatura por meio da evapotranspiração.
Quando terrenos naturais são substituídos por asfalto e concreto, as superfícies passam a absorver e armazenar mais calor.
A vegetação também favorece a infiltração da água da chuva.
Sem cobertura vegetal, o escoamento superficial pode aumentar, contribuindo para erosões e sobrecarregando sistemas de drenagem.
A relação entre desmatamento e enchentes depende de fatores como relevo, intensidade da chuva, ocupação do solo e infraestrutura urbana.
Por isso, preservar florestas e recuperar áreas degradadas são medidas importantes, mas não substituem obras adequadas de drenagem e fiscalização territorial.
Mata Atlântica registra queda no desmatamento
Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Fundação SOS Mata Atlântica mostram uma redução importante na perda de florestas maduras.
Entre 2024 e 2025, o desmatamento monitorado pelo Atlas dos Remanescentes Florestais caiu 40%, passando de 14.366 para 8.668 hectares.
Foi o menor resultado da série histórica desse levantamento.
São Paulo também apresentou queda, registrando 35 hectares de supressão nas áreas de floresta madura acompanhadas pelo estudo.
Os números representam avanço, mas não significam que o desmatamento tenha terminado.
O monitoramento específico de florestas maduras também não contabiliza todas as formas de degradação ambiental, como incêndios, poluição e perda de vegetação em determinadas áreas secundárias.
Incêndios também ameaçam a vegetação nativa
O fogo representa outro risco para áreas naturais, especialmente durante períodos de estiagem.
Incêndios podem provocar a morte de animais, comprometer a regeneração da vegetação e expor o solo à erosão.
A fumaça também prejudica a qualidade do ar e pode agravar doenças respiratórias.
Nas regiões próximas a bairros e rodovias, o descarte inadequado de materiais inflamáveis e o uso irregular do fogo exigem atenção.
A presença de fumaça ou focos de incêndio em áreas de vegetação deve ser comunicada ao Corpo de Bombeiros, pelo telefone 193.
A população não deve tentar combater incêndios florestais por conta própria.
O que são reservas da biosfera?
As reservas da biosfera fazem parte do programa O Homem e a Biosfera, desenvolvido pela Unesco.
Esses territórios procuram integrar proteção ambiental, pesquisa científica e atividades econômicas sustentáveis.
Diferentemente de uma unidade de conservação integral, uma reserva da biosfera pode incluir cidades, propriedades particulares, atividades agrícolas e comunidades tradicionais.
Seu reconhecimento internacional não transforma automaticamente toda a área em território de proteção integral.
A proposta é estabelecer formas de convivência que permitam preservar a biodiversidade sem desconsiderar as necessidades das populações locais.
Como a população pode ajudar na preservação?
A proteção das áreas naturais depende de fiscalização, planejamento urbano e participação da sociedade.
Moradores podem comunicar desmatamentos suspeitos, descarte irregular de resíduos, queimadas e intervenções em áreas protegidas aos órgãos ambientais competentes.
Também é importante evitar jogar lixo em córregos e terrenos, respeitar as regras de visitação de parques e não retirar animais ou plantas da natureza.
O Dia Internacional das Reservas da Biosfera lembra que a conservação ambiental não interessa apenas a quem vive próximo das florestas.
Na Grande São Paulo, preservar a vegetação significa também proteger recursos que sustentam a vida nas cidades, como água, ar de melhor qualidade e temperaturas mais amenas.
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