CBS de 11,3% em 2027 supera previsão de 9,21%; entenda o cálculo

TCU analisou 17 módulos e revisou premissas sobre arrecadação, Zona Franca de Manaus e sonegação. Entenda os fatores considerados na definição da nova alíquota.

A CBS de 11,3% para 2027, calculada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) na quarta-feira, 28, ficou 2,09 pontos percentuais acima dos 9,21% utilizados anteriormente nas projeções da reforma tributária.

O resultado não representa aumento sobre uma alíquota já existente. Os 9,21% eram uma estimativa, enquanto o cálculo oficial considerou dados de arrecadação, regimes tributários e ajustes metodológicos. O percentual exato chegou a 11,3468%, posteriormente arredondado para 11,3%.

De onde veio a estimativa de 9,21%?

Em julho de 2026, projeções utilizadas pelo Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) apontavam uma alíquota conjunta de 27,91% para IBS e CBS. Desse total, 18,70% eram atribuídos ao IBS. A diferença, de 9,21%, correspondia à CBS.

Os números serviam como estimativas, mas não haviam sido fixados pelo Senado. A comparação, portanto, não significa que a CBS tenha sofrido um aumento de 2,09 pontos percentuais sobre uma alíquota já existente.

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O RNews detalhou a decisão do TCU sobre a alíquota de referência da CBS e os próximos passos da definição oficial.

Como o TCU chegou aos 11,3%?

O tribunal buscou uma alíquota capaz de preservar a arrecadação federal de referência durante a substituição dos tributos atuais. A meta corresponde a 4,9861% do Produto Interno Bruto (PIB), calculada a partir de receitas do período de 2012 a 2021.

Para estimar quanto a CBS arrecadaria, foram utilizados dados fiscais de 2023 e 2024 e 17 módulos que reproduzem diferentes situações tributárias.

Os auditores desenvolveram uma ferramenta própria, chamada César, para conferir os cálculos da Receita Federal.

Na análise, o TCU ajustou premissas relacionadas à arrecadação do IPI na Zona Franca de Manaus e aos efeitos esperados da redução da sonegação.

Não é possível atribuir toda a diferença entre 9,21% e 11,3% apenas a essas mudanças, porque as projeções anteriores não utilizavam necessariamente as mesmas bases e hipóteses.

Por que os benefícios fiscais influenciam a alíquota?

A reforma prevê alíquota zero para determinados produtos, reduções para outros e regras próprias para diferentes atividades.

Quando parte das operações paga menos impostos, a arrecadação obtida com elas diminui. Para preservar a receita de referência, o cálculo da alíquota-padrão precisa considerar esse efeito.

Isso ajuda a explicar o funcionamento do modelo, mas não permite afirmar que determinado benefício elevou a CBS em um número específico de pontos percentuais.

O que mostram os 17 módulos do cálculo?

O painel oficial do TCU apresenta os ajustes em relação ao módulo central da simulação, que representa a tributação geral.

O módulo central corresponde a R$ 440,41 bilhões. Os valores abaixo mostram como determinados tratamentos tributários alteram essa base, considerando a média de 2023 e 2024.

Componente do cálculoAjuste na simulação
Operações com alíquota zero-R$ 126,30 bilhões
Operações com redução proporcional-R$ 61,89 bilhões
Compras governamentais-R$ 35,60 bilhões
Importações em geral+R$ 136,64 bilhões
Simples Nacional+R$ 67,78 bilhões
Devolução de tributos (cashback)-R$ 10,51 bilhões

Os sinais positivos e negativos não indicam aumento ou redução de impostos desses setores.

Cada valor representa o ajuste de um tratamento específico em relação ao módulo central, não a arrecadação total da atividade.

O cálculo também considera a redução do chamado gap tributário, diferença entre a arrecadação potencial e a efetivamente obtida.

R$ 528,5 bilhões ou R$ 636 bilhões: qual valor está certo?

Os dois números têm finalidades diferentes.

O TCU chegou a R$ 528,5 bilhões de arrecadação simulada, utilizando dados de 2023 e 2024 para calcular a alíquota de referência.

Já a Agência Senado informa que o governo federal prevê arrecadar R$ 636 bilhões com a CBS em 2027.

O primeiro valor corresponde à simulação utilizada pelo tribunal. O segundo representa uma projeção orçamentária para 2027.

Compará-los como se fossem estimativas para o mesmo período levaria a uma conclusão incorreta.

Quais dados ainda não estavam definidos?

Na sessão de 28 de outubro, ainda faltavam definições legais sobre as alíquotas do Imposto Seletivo e os produtos sujeitos ao IPI residual.

Também permaneciam pendentes critérios de créditos presumidos relacionados à Zona Franca de Manaus, a produtores rurais e a transportadores autônomos.

O TCU utilizou os dados disponíveis na data da deliberação. Essas pendências ajudam a entender por que o cálculo depende de estimativas, mesmo após a validação técnica.

A diferença significa aumento de impostos ou preços?

Não necessariamente. A CBS substituirá o PIS e a Cofins, com regras de aproveitamento de créditos e tratamentos tributários diferenciados.

Uma alíquota de referência maior não indica, isoladamente, quanto cada empresa pagará nem o preço que chegará ao consumidor.

O RNews também explicou quais alimentos terão alíquota zero e quem poderá receber devolução da CBS.

O próximo passo caberá ao Senado, responsável por fixar a alíquota de referência por resolução.

Os 11,3% são o resultado do cálculo do TCU, não uma confirmação de aumento automático da carga tributária ou dos preços em 2027.

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