Diesel pode subir 50%? Entenda a projeção e quanto o combustível pode custar

Goldman Sachs aponta risco de reajuste na Petrobras, mas prevê estabilidade até dezembro. Veja quanto isso representaria nos postos e nos custos de transporte.

O diesel pode sofrer um reajuste de até 50% no preço cobrado pela Petrobras às distribuidoras, segundo uma análise do Goldman Sachs repercutida em 22 de outubro de 2026. A projeção ganhou atenção após as eleições presidenciais e levantou dúvidas sobre o custo do abastecimento e as possíveis consequências para os fretes.

O percentual não representa um aumento anunciado pela Petrobras nem significa que os motoristas pagarão 50% a mais nos postos. A estimativa depende de mudanças nos subsídios federais. O próprio banco considera mais provável a manutenção dos preços da estatal até dezembro.

De onde surgiu a previsão de aumento de 50%?

A estimativa consta de um relatório do Goldman Sachs, repercutido pelo InfoMoney.

Segundo os analistas, o diesel comercializado pela Petrobras, considerando as subvenções governamentais, apresentava defasagem de aproximadamente 21% em relação à paridade internacional de importação.

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O banco utilizou como referências R$ 5,43 por litro, incluindo subsídios, e R$ 6,89 para a paridade internacional.

A Petrobras cobrava aproximadamente R$ 3,31 por litro das distribuidoras, antes da compensação governamental.

Nessa base, um acréscimo de R$ 1,50 representaria reajuste próximo de 45%, percentual apresentado na análise como possibilidade de aumento de até 50%.

A projeção considera o eventual encerramento da diferença entre os subsídios destinados a importadores e produtores nacionais.

Os valores envolvem bases de comparação distintas. A diferença entre R$ 5,43 e R$ 6,89, isoladamente, não corresponde ao percentual de reajuste apresentado pelo banco.

Quanto o diesel poderia custar nos postos?

Segundo o Goldman Sachs, um aumento de aproximadamente 50% no preço cobrado pela Petrobras poderia provocar elevação próxima de 20% nas bombas.

Para dimensionar o impacto, considere o preço médio de R$ 7,32 por litro do diesel S-10 no estado de São Paulo, referência utilizada no levantamento da ANP de 18 a 24 de outubro.

AbastecimentoValor de referênciaCom alta de 20%
50 litrosR$ 366,00R$ 439,20
100 litrosR$ 732,00R$ 878,40
200 litrosR$ 1.464,00R$ 1.756,80
500 litrosR$ 3.660,00R$ 4.392,00

Para um caminhoneiro que abasteça 500 litros, a diferença seria de R$ 732 em uma única operação.

O litro passaria de R$ 7,32 para aproximadamente R$ 8,78.

Os valores são simulações, não previsões de reajuste. O preço efetivo depende da região, dos tributos e das condições comerciais dos postos.

Diesel pode chegar a R$ 10 por litro?

O Goldman Sachs também avaliou uma hipótese mais severa, envolvendo o encerramento de todos os subsídios federais ao diesel.

Na hipótese de encerramento de todos os subsídios, o Goldman Sachs considera que o diesel poderia atingir a faixa de R$ 9 a R$ 10 por litro, dependendo das condições de mercado.

Considerando o acréscimo estimado de R$ 1,80 sobre a referência de R$ 7,34 utilizada pelos analistas, o litro chegaria a aproximadamente R$ 9,14. Valores superiores dependeriam de outras variações de preços.

Essa hipótese é diferente da simulação de aumento de 20% e depende do encerramento dos benefícios governamentais.

A pressão também está relacionada ao câmbio. A valorização do dólar após as eleições encarece as importações e amplia o risco de reajustes da gasolina e do diesel, mesmo sem mudanças imediatas nas refinarias.

Governo vai manter os subsídios ao diesel?

Nesta terça-feira (27), o governo federal anunciou que renovará por mais 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel.

A medida busca preservar o abastecimento e reduzir a pressão internacional. A formalização da nova prorrogação depende da publicação do ato correspondente.

Segundo a ANP, o período de apuração anteriormente vigente terminava em 27 de outubro.

O Ministério da Fazenda também havia estabelecido uma compensação adicional de R$ 1,40 por litro para importadores, elevando o benefício potencial para R$ 3,52.

Esse adicional possui prazo próprio, com encerramento previsto para 6 de novembro, e não deve ser confundido com a renovação da subvenção de R$ 2,12.

A continuidade das medidas é relevante porque aproximadamente 33% do diesel consumido no Brasil depende de importações.

Como o aumento do diesel afeta os alimentos?

Mesmo quem não possui veículo movido a diesel pode sentir os efeitos de um reajuste.

O combustível representa uma despesa importante no transporte rodoviário de alimentos, medicamentos e produtos industrializados.

Quando o diesel encarece, transportadoras enfrentam custos maiores, especialmente em trajetos longos.

Parte dessas despesas pode ser repassada aos fretes e, posteriormente, aos preços das mercadorias.

O Goldman Sachs estima que o reajuste considerado poderia acrescentar entre 0,21 e 0,24 ponto percentual à inflação, somando efeitos diretos e indiretos.

Isso não significa que todos os produtos terão aumentos equivalentes. O repasse depende dos contratos, custos operacionais e condições de concorrência.

Como motoristas e transportadores podem se preparar?

Antes de antecipar abastecimentos, o consumidor deve verificar os preços efetivamente praticados em sua região.

A ANP disponibiliza levantamentos semanais que permitem comparar valores do diesel comum e do S-10 nos municípios pesquisados.

Para caminhoneiros autônomos e transportadoras, acompanhar o consumo por quilômetro ajuda a calcular o custo real das viagens.

Um caminhão que percorra 1.000 quilômetros e consuma um litro de diesel a cada três quilômetros precisará de aproximadamente 333 litros. Com o combustível a R$ 7,32, a despesa seria próxima de R$ 2.440. Se o litro chegasse a R$ 8,78, o gasto subiria para cerca de R$ 2.927, uma diferença próxima de R$ 487 na mesma viagem.

Também é importante considerar distância, carga transportada, pedágios e condições contratuais antes de negociar fretes.

Por enquanto, o aumento de 50% permanece uma hipótese econômica, não um reajuste confirmado. As decisões sobre subsídios, os preços internacionais e a política comercial da Petrobras determinarão se haverá mudanças nos próximos meses.

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