São Paulo vai sair de temperaturas mais amenas para uma sequência de dias de calor que pode se prolongar até a metade da próxima semana.
A partir do meio-dia de sábado (26), todo o estado entra em alerta vermelho para onda de calor, o nível mais alto utilizado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O aviso permanece válido até as 18h de quarta-feira (30).
O alerta não se limita às áreas tradicionalmente mais quentes do interior. Caieiras, Franco da Rocha, Francisco Morato, Cajamar, Mairiporã, a capital e toda a Região Metropolitana de São Paulo estão dentro da área atingida.
E isso não significa que todas essas cidades precisarão chegar aos 40 °C.
Uma onda de calor também pode ocorrer em locais onde os termômetros ficam perto dos 30 °C. O que importa é quanto a temperatura se afasta do normal daquela região e por quantos dias o calor persiste.
Por que 30 °C podem ser suficientes para uma onda de calor?
O Inmet considera neste episódio temperaturas máximas 5 °C ou mais acima da média climatológica por pelo menos cinco dias consecutivos.
Por isso, não existe uma temperatura única que determine uma onda de calor em todo o país.
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Uma cidade mais elevada e normalmente mais fresca pode enfrentar calor excepcional com máximas de 30 °C ou 32 °C, enquanto outras áreas do estado podem ultrapassar 35 °C.
Isso ajuda a explicar por que municípios da Grande São Paulo e regiões serranas aparecem no mesmo alerta de áreas muito mais quentes do interior.
Na capital paulista, o Inmet indicava possibilidade de 32 °C no domingo (27). Na região de Campinas, o Cepagri da Unicamp projeta máximas próximas de 32 °C no sábado e 34 °C no domingo, enquanto pontos do norte paulista podem chegar perto de 36 °C.
Sábado marca o início, mas o calor pode apertar depois
O alerta começa no sábado, mas esse não será necessariamente o dia mais quente.
As temperaturas continuam subindo durante o fim de semana e, dependendo da região, os maiores valores podem aparecer entre domingo e terça-feira.
É justamente a duração que aumenta a preocupação.
Quando dias quentes se repetem e as noites também permanecem abafadas, o corpo encontra menos tempo para eliminar o calor acumulado. Dentro das casas, paredes, telhados e ambientes pouco ventilados podem continuar quentes mesmo depois do pôr do sol.
O problema deixa de ser apenas a máxima registrada em uma tarde e passa a ser a exposição ao calor por vários dias seguidos.
O que está mantendo o ar quente sobre São Paulo?
A formação desta onda de calor envolve dois sistemas atmosféricos.
Uma área de baixa pressão deve se intensificar entre o norte da Argentina e o oeste do Paraguai. Essa circulação favorece o transporte de ar quente para partes do Centro-Sul do continente.
Ao mesmo tempo, uma circulação anticiclônica em níveis mais altos da atmosfera favorece a descida do ar.
Quando esse ar desce, ele é comprimido e se aquece. A configuração também dificulta a renovação da massa de ar, ajudando a manter o calor concentrado sobre a mesma região durante vários dias.
É o mecanismo conhecido como domo de calor.
Quem precisa redobrar os cuidados durante a onda de calor
O nível vermelho utilizado pelo Inmet indica grande perigo e risco à saúde.
Idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com doenças cardiovasculares, respiratórias ou outras condições crônicas precisam de atenção maior.
Sede intensa, fraqueza, tontura, dor de cabeça, náusea e cãibras podem aparecer quando o organismo começa a sofrer com o excesso de calor.
Confusão mental, desmaio, convulsões ou alteração importante da consciência exigem atendimento imediato.
Nos períodos mais quentes, é importante beber água regularmente, diminuir a exposição direta ao sol, procurar locais ventilados ou sombreados e evitar exercícios ou trabalhos físicos intensos nas horas de maior temperatura.
Crianças pequenas e idosos merecem acompanhamento mais próximo porque nem sempre percebem ou comunicam a sede com rapidez.
Quando a onda de calor deve perder força em São Paulo?
Uma mudança no tempo deve começar na quarta-feira (30), com o avanço de uma nova frente fria pelo Sul do Brasil.
Isso não significa que todo o estado de São Paulo vai esfriar imediatamente.
Os mapas meteorológicos ainda indicam áreas paulistas com temperaturas acima da média durante parte da quarta-feira. O alívio tende a avançar gradualmente à medida que a frente fria modifica a circulação do ar.
Até lá, acompanhar apenas a máxima prevista para cada dia conta apenas parte da história.
O principal risco desta onda de calor está na sequência: vários dias com temperaturas muito acima do normal e pouco tempo para o corpo, as casas e as cidades perderem o calor acumulado.
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