Nível do Sistema Cantareira chega a 29% e represa em Igaratá já expõe faixas de terra

Mesmo com leve recuperação, sistema segue em faixa restritiva e imagens revelam impacto da estiagem no reservatório Jaguari.

O nível do Sistema Cantareira atingiu 29% de volume útil nesta semana, segundo dados da Sabesp. O índice reflete meses de chuvas irregulares e mantém o sistema na segunda faixa mais restritiva de operação. Imagens recentes da Represa de Igaratá mostram extensas áreas de terra expostas onde antes havia água.

O percentual do Cantareira nesta semana ainda está distante da faixa considerada confortável para esta época do ano.

A elevação recente representa recuperação em relação a meados de janeiro, quando o nível estava abaixo de 20%. Ainda assim, o sistema segue na segunda faixa mais restritiva de retirada de água, com captação limitada a 23 metros cúbicos por segundo, conforme regras de operação vigentes.

Chuvas abaixo da média e recuperação desigual

Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais indicam que janeiro registrou cerca de 72% da chuva esperada para o mês. Em fevereiro, o acumulado chegou a aproximadamente 81,5% da média prevista até o momento analisado.

Apesar da melhora, especialistas apontam que a recuperação depende não apenas do volume de chuva, mas também da regularidade e da localização das precipitações. Para que haja recarga efetiva dos mananciais, é necessário que as chuvas ocorram de forma prolongada nas áreas de captação.

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A SP Águas informa que a recuperação dos reservatórios tem ocorrido de maneira desigual entre os sistemas que compõem o abastecimento metropolitano. Enquanto Guarapiranga, Rio Grande e São Lourenço operam com níveis mais elevados, o Cantareira permanece com desempenho inferior, pressionando o Sistema Integrado Metropolitano.

O que o nível atual do Sistema Cantareira significa para o abastecimento da Grande São Paulo?

O nível atual do Sistema Cantareira mantém o sistema na segunda faixa mais restritiva de operação, o que significa que a captação de água segue limitada a 23 metros cúbicos por segundo, conforme as regras vigentes.

Embora não haja anúncio de racionamento, o cenário exige acompanhamento constante diante da lenta recuperação dos reservatórios.

Especialistas indicam que a recuperação plena depende de chuvas regulares e prolongadas nas áreas de captação, e não apenas de volumes isolados acima da média.

Imagens aéreas mostram impacto na Represa de Igaratá

Registros feitos por drone na região da cachoeira Pena Branca, em Igaratá, evidenciam a redução do volume armazenado no reservatório Jaguari. As imagens mostram margens expostas e alteração visível na linha d’água.

O sobrevoo percorreu cerca de 4 quilômetros e registrou áreas antes submersas que agora estão descobertas. Também foi possível observar construções próximas às margens e adaptações feitas por proprietários para acesso à água em níveis mais baixos.

As imagens coincidem com o período em que as vazões dos rios que alimentam o sistema ficaram abaixo da média histórica. Segundo dados oficiais, as vazões naturais dos rios que alimentam o Cantareira ficaram próximas de 50% da média em determinados períodos recentes, o que limita a capacidade de recomposição dos reservatórios.

Histórico recente e medidas de gestão

O Sistema Cantareira abastece milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo e integra o Sistema Integrado Metropolitano, que apresentava nível geral superior a 40% no mesmo período.

Mesmo com a recuperação parcial, medidas de gestão da demanda seguem em vigor. Entre elas está a redução de pressão na rede durante o período noturno, estratégia adotada para preservar o volume armazenado.

Projeções indicam que, caso as chuvas se mantenham dentro da média até o fim do período chuvoso, o sistema poderá iniciar a estiagem com níveis próximos a 39% ou 46%, a depender do cenário de precipitação. Os dados acumulados desde outubro mostram que o volume de chuva ficou abaixo da média histórica, prolongando o déficit hídrico e exigindo recuperação mais consistente nos próximos meses.

Uso racional segue recomendado

Órgãos responsáveis pelo monitoramento reforçam que o uso racional da água permanece essencial neste momento. A economia no consumo doméstico, a identificação de vazamentos e a redução de desperdícios são apontadas como fatores que contribuem para a segurança hídrica.

O acompanhamento diário dos níveis do Sistema Cantareira e a divulgação constante de boletins públicos mantêm o cenário sob vigilância. Embora haja sinais de recuperação, o volume ainda distante da faixa confortável reforça que a estabilidade do abastecimento depende do comportamento das chuvas nos próximos meses.

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