Esgoto retorna pelos ralos e provoca alagamentos em condomínio recém-entregue em Caieiras

Moradores de um condomínio recém-entregue em Caieiras relatam alagamentos recorrentes provocados pelo retorno de esgoto pelos ralos dos apartamentos, problema que tem gerado prejuízos materiais, riscos à saúde e questionamentos sobre a qualidade da obra.

O que deveria ser o início de uma nova etapa virou motivo de angústia para moradores de um condomínio recém-entregue em Caieiras.

Em diversos apartamentos, a água de esgoto retorna pelos ralos e provoca alagamentos recorrentes, principalmente em banheiros e áreas de serviço, levantando questionamentos sobre a qualidade da obra e a responsabilidade da construtora.

Os relatos indicam que o problema ocorre sempre que as caixas de inspeção do sistema de esgoto atingem o limite ou transbordam.

Nessas situações, o fluxo se inverte e a água suja retorna pelos ralos internos dos apartamentos. Para evitar danos maiores, alguns moradores afirmam que precisam abrir e limpar manualmente as caixas com frequência semanal, uma tarefa improvisada que não resolve a causa do problema e expõe os residentes a riscos sanitários.

Problema recorrente desde a entrega das chaves

Segundo os moradores, as falhas não surgiram com o uso ao longo do tempo, mas já eram perceptíveis desde os primeiros dias após a entrega do condomínio.

Além do retorno de esgoto, foram identificados entupimentos provocados por restos de concreto dentro das tubulações, o que sugere falhas no processo de construção e no acabamento da rede hidráulica.

A situação se agrava porque os alagamentos não são eventos isolados. Há registros de repetição do problema em diferentes blocos e unidades, o que reforça a suspeita de um erro estrutural no sistema de escoamento do empreendimento.

Em alguns casos, móveis, eletrodomésticos e revestimentos foram danificados, gerando prejuízos financeiros diretos aos proprietários.

Outras falhas estruturais aumentam a insatisfação

Além do esgoto retornando pelos ralos, moradores apontam outros problemas que afetam a rotina no condomínio.

Entre eles estão a falta de iluminação adequada nas áreas externas, o que compromete a segurança, e elevadores que não funcionam plenamente, dificultando o acesso, especialmente para idosos, crianças e pessoas com mobilidade reduzida.

Esses fatores, somados, ampliam a sensação de descaso e frustração relatada pelos moradores, para muitos a expectativa era de tranquilidade e conforto em um imóvel novo.

Mas, na prática, o que se observa é a necessidade constante de lidar com falhas básicas de infraestrutura, que deveriam ter sido resolvidas antes da entrega das unidades.

Avaliação técnica aponta possíveis erros de execução

Engenheiros consultados por moradores indicam que o problema pode estar relacionado à instalação inadequada das caixas de inspeção da rede de esgoto.

Erros de nivelamento, posicionamento incorreto ou dimensionamento inadequado comprometem o fluxo natural dos resíduos, favorecendo o retorno da água para os ramais internos dos apartamentos.

Em um sistema corretamente executado, o esgoto deve escoar sempre no sentido da rede pública, sem possibilidade de refluxo, quando isso não ocorre, o indício é de vício construtivo, especialmente em empreendimentos novos, onde ainda vigora a garantia legal da obra.

Construtora reconhece falhas, mas aponta manutenção

Procurada, a construtora responsável pelo empreendimento informou que tem conhecimento das ocorrências e que avalia soluções definitivas para o sistema de esgoto.

No entanto, a empresa também declarou que a limpeza das caixas de inspeção não estaria sendo realizada de forma regular pelo condomínio, o que poderia contribuir para o agravamento do problema.

Essa versão é contestada pelos moradores, que afirmam justamente o contrário: a manutenção frequente estaria sendo feita de forma emergencial pelos próprios residentes, como tentativa de minimizar os alagamentos, já que o problema existe desde a entrega do empreendimento.

Riscos à saúde e impacto emocional

O retorno de água de esgoto para dentro dos apartamentos vai além do incômodo material. Trata-se de uma situação que envolve riscos à saúde, devido à possibilidade de contaminação por bactérias, vírus e outros agentes presentes nos resíduos.

Crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios ou imunológicos são os mais vulneráveis, além disso o impacto emocional também é significativo.

Moradores relatam sensação constante de insegurança, medo de novos alagamentos e desgaste psicológico por conviver com um problema que parece não ter solução rápida. O imóvel, que deveria representar estabilidade, acaba se tornando fonte de estresse diário.

Direitos dos moradores e responsabilidade legal

Especialistas em direito imobiliário destacam que problemas dessa natureza, quando decorrentes de falhas de construção, podem caracterizar vícios construtivos (anomalias, defeitos ou imperfeições decorrentes de falhas no projeto), o que nesses casos, a construtora pode ser responsabilizada por danos materiais, como prejuízos em móveis e acabamentos, e até por danos morais, dependendo da gravidade e da persistência da situação.

A formalização das reclamações é considerada essencial. Notificações por escrito, registros fotográficos e laudos técnicos fortalecem a posição dos moradores caso seja necessária uma solução judicial.

A atuação do síndico e da administração do condomínio também é fundamental para centralizar as demandas e buscar uma resposta efetiva da incorporadora.

Expectativa por solução definitiva em Caieiras

Em uma cidade como Caieiras, onde novos empreendimentos residenciais têm ganhado espaço, situações como essa acendem um alerta para futuros compradores e para o poder público.

A qualidade das obras, o cumprimento das normas técnicas e a responsabilidade pós-entrega são pontos que precisam ser acompanhados de perto.

Os moradores aguardam agora que a construtora apresente um plano de ação claro, com prazos definidos e intervenções técnicas capazes de eliminar definitivamente o problema. A expectativa é simples: poder viver em um imóvel novo sem o medo constante de ver a água de esgoto invadir o próprio lar.

Enquanto isso, o caso segue sendo acompanhado de perto pela comunidade local e gera debate sobre fiscalização, transparência e o direito básico à moradia digna em Caieiras.

Assista o vídeo da TV Record:

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Celio Ricardo

Celio Ricardo

Eu sou alguém que vive com os olhos curiosos e o coração aberto para o mundo.
Apaixonado por tecnologia, fascinado por saúde e encantado com tudo que envolve animais e plantas, encontro beleza tanto nos avanços digitais quanto na simplicidade da natureza.

Viajar é meu combustível, cada destino me ensina algo novo, e cada cultura me inspira a ver a vida por outros ângulos.

Escrever é minha forma de eternizar essas descobertas, transformar experiências em palavras e compartilhar ideias que conectam.

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