O projeto do Trem Intercidades que vai ligar São Paulo a Campinas avançou em 2026 com a aprovação do design externo dos trens e a previsão de início das obras em maio. O empreendimento, estimado em quase R$ 17 bilhões, pretende reduzir o tempo de viagem entre as duas cidades para cerca de 1 hora e 4 minutos.
A nova ligação ferroviária faz parte de um amplo projeto de mobilidade regional que pretende conectar a capital paulista à Região Metropolitana de Campinas com mais rapidez, previsibilidade e conforto.
Design externo aprovado e identidade visual definida para os trens
O layout definitivo das composições foi aprovado no início de 2026. O modelo apresenta frente alongada com perfil aerodinâmico, linhas contínuas ao longo dos vagões e combinação de cores que inclui vermelho, laranja e azul marinho.
O design foi escolhido entre três propostas desenvolvidas pela fabricante responsável pelos trens. A nova composição terá identidade visual própria, diferente das utilizadas atualmente nas linhas metropolitanas da Grande São Paulo.
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A estrutura aerodinâmica também contribui para o desempenho técnico em altas velocidades, permitindo operação mais eficiente no trajeto entre as duas regiões.
Quanto tempo o trem pode economizar na viagem diária
Hoje, o deslocamento entre São Paulo e Campinas pode levar entre 1h30 e mais de 2 horas, dependendo do trânsito nas rodovias Anhanguera e Bandeirantes. Com o Trem Intercidades, a previsão oficial é que a viagem seja feita em 1 hora e 4 minutos.
O tempo de viagem será mais estável e menos impactado por congestionamentos. Para quem faz esse trajeto diariamente, a economia pode chegar a quase uma hora por percurso, com ganhos diretos em produtividade e qualidade de vida.
Expresso e intermetropolitano: dois serviços com perfis diferentes
O projeto ferroviário integra mais do que uma única linha. Ele envolve um conjunto de melhorias no corredor que conecta São Paulo ao interior paulista, com três frentes principais:
- Trem Intercidades expresso entre São Paulo e Campinas, com velocidade máxima de 140 km/h e capacidade para até 860 passageiros por composição
- Serviço intermetropolitano com paradas em Jundiaí, Louveira, Vinhedo e Valinhos, transportando até 2.048 passageiros por composição
- Modernização da infraestrutura ferroviária existente ao longo do corredor
Tarifas previstas para os dois tipos de serviço ferroviário
O serviço expresso terá tarifa estimada de R$ 64, posicionando-se como alternativa rápida para deslocamentos entre São Paulo e Campinas. Já o serviço intermetropolitano, voltado principalmente a deslocamentos diários entre cidades da região, terá tarifa prevista de aproximadamente R$ 14,05.
A diferença de preço reflete os perfis distintos de cada serviço: o expresso prioriza velocidade e conforto para viagens pontuais, enquanto o intermetropolitano atende a rotina de quem mora em uma cidade e trabalha em outra ao longo do corredor.
Investimento de R$ 16,8 bilhões e operação prevista para 2031
O investimento total no projeto está estimado em R$ 16,85 bilhões, sendo cerca de R$ 9,5 bilhões aportados pelo Governo do Estado de São Paulo. A concessão foi assinada em 2024 e tem prazo de 30 anos, com início das operações comerciais previsto para 2031.
Durante a fase de construção, o projeto deve gerar aproximadamente 10.500 empregos diretos e indiretos, movimentando setores ligados à construção, engenharia e indústria ferroviária.
O consórcio responsável pela concessão inclui participação de uma das maiores fabricantes de trens do mundo, responsável por parte do fornecimento das composições e da tecnologia do sistema.
Pré-construção começa em maio com nove trechos prioritários
A etapa inicial das obras está programada para começar em maio de 2026. Os primeiros trabalhos devem envolver remoção de interferências, retirada de trilhos antigos, ajustes em tubulações existentes, obras de drenagem e preparação do terreno.
Nove trechos entre Campinas e Jundiaí foram definidos como prioritários para o início das intervenções. O governo estadual já publicou decretos de utilidade pública que somam cerca de 104 mil metros quadrados para desapropriações necessárias ao projeto.
Os projetos executivos estão em fase final e as licenças ambientais seguem em análise pelos órgãos competentes.
Fábrica de trens em Araraquara reforça a indústria ferroviária nacional
Uma das etapas estratégicas do projeto envolve a instalação de uma unidade de produção de trens em Araraquara, no interior paulista. A fábrica utilizará a estrutura de uma planta industrial já existente e deve iniciar atividades ainda no primeiro semestre de 2026.
Inicialmente, a produção será destinada às composições do serviço intermetropolitano. A unidade também poderá atender futuros projetos ferroviários na América Latina. Dos nove veículos especializados necessários para apoiar as obras, sete já chegaram ao Brasil pelo Porto de Santos.
Novo trem pode reduzir pressão sobre as rodovias e transformar a região
Quando entrar em operação, o Trem Intercidades deverá oferecer uma alternativa real ao transporte rodoviário. Rodovias como Anhanguera e Bandeirantes concentram grande volume de veículos, especialmente em horários de pico e feriados, e a expectativa é que parte dos passageiros migre para o modal ferroviário.
A nova conexão também deve facilitar deslocamentos entre polos industriais, universidades e centros de serviços localizados ao longo do corredor. Entre os impactos esperados estão maior previsibilidade no deslocamento diário, integração econômica entre cidades do interior, estímulo ao turismo regional e valorização urbana próxima às futuras estações.
Com investimento bilionário e previsão de operação no início da próxima década, o Trem Intercidades surge como um dos maiores projetos ferroviários em desenvolvimento no país.
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