A Oi teve a falência confirmada pela Justiça nesta terça-feira, 25 de agosto, após anos tentando reorganizar uma dívida superior a R$ 44 bilhões. A companhia já previa terminar o mês sem recursos suficientes para cumprir despesas consideradas essenciais.
A decisão foi tomada pela Primeira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O julgamento restabeleceu a falência decretada em novembro de 2025, que estava suspensa durante a análise de recursos apresentados por credores.
Para quem ainda mantém algum serviço ligado à empresa, a dúvida é imediata: a falência não significa que telefones, contratos e estruturas mantidas pela Oi serão desligados nesta terça-feira.
Oi chegou à falência com mais de 164 mil credores
Os números apresentados durante o processo mostram a dimensão da crise financeira.
Os principais números da Oi:
Entenda os impactos na Economia
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- mais de R$ 44 bilhões em dívidas;
- cerca de 164,7 mil credores;
- aproximadamente 8,3 mil trabalhadores entre os credores;
- perto de R$ 1,03 bilhão em créditos trabalhistas;
- projeção de caixa reduzida para aproximadamente R$ 19,6 milhões.
Bancos, fornecedores, trabalhadores e pequenas empresas estão entre os grupos que têm valores a receber.
O patrimônio da companhia também estava comprometido. Em março de 2026, o Grupo Oi registrava patrimônio líquido negativo superior a R$ 22 bilhões.
Com pouco dinheiro entrando e ativos difíceis de vender, a empresa perdeu espaço para continuar financiando a própria operação.
Empresa previa ficar sem recursos ainda em agosto
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Seguir o RNews no WhatsAppA falta de caixa pesou diretamente na avaliação da Justiça.
Uma projeção que anteriormente indicava aproximadamente R$ 88 milhões disponíveis caiu para cerca de R$ 19,6 milhões. A administração judicial apontou que a companhia poderia chegar ao fim de agosto com liquidez negativa.
Os problemas já atingiam contratos da empresa. Fornecedores chegaram a suspender alguns serviços diante de pagamentos em atraso, enquanto decisões judiciais buscavam preservar operações consideradas necessárias.
A Oi também tentava conseguir dinheiro com a venda de ativos. Algumas negociações não avançaram no ritmo previsto.
Um dos casos foi a tentativa de venda da Oi Soluções. O primeiro leilão terminou sem propostas, frustrando uma das fontes de recursos esperadas pela companhia.
Oi demitiu parte dos funcionários antes da decisão
Os cortes também atingiram diretamente os funcionários.
Nas semanas anteriores à confirmação da falência, a companhia negociou o desligamento de aproximadamente 60% de seu quadro de funcionários.
Antes dos cortes, o grupo mantinha perto de 2 mil empregados. As condições acertadas incluíram parcelamento de verbas rescisórias.
Os trabalhadores passam a integrar uma das frentes mais sensíveis do processo, já que milhares deles ainda têm créditos reconhecidos contra a companhia.
Quem ainda usa telefone da Oi precisa fazer alguma coisa agora?
A decretação da falência não exige que todos os clientes procurem imediatamente outra operadora.
A Agência Nacional de Telecomunicações informou, quando ocorreu a primeira decisão sobre a quebra em 2025, que a liquidação deveria ocorrer de maneira organizada, com preservação dos serviços necessários enquanto operações fossem transferidas ou encerradas conforme as regras aplicáveis.
A Oi ainda possui compromissos relacionados à telefonia fixa em milhares de localidades.
Após a mudança do antigo regime de concessão, a empresa assumiu obrigações de manutenção de determinados serviços que podem permanecer até 31 de dezembro de 2028.
Entre as atividades acompanhadas pela Anatel estão serviços de voz, números de emergência, telefones públicos em determinadas regiões, interconexões e contratos necessários ao funcionamento de órgãos públicos.
Quem ainda utiliza algum serviço diretamente ligado à Oi deve acompanhar as comunicações da empresa e da Anatel antes de solicitar cancelamento ou troca.
E quem tinha celular ou internet da antiga Oi?
Grande parte da Oi conhecida pelos consumidores já foi transferida para outras empresas.
A operação de telefonia móvel foi vendida e dividida entre Claro, TIM e Vivo. Os antigos clientes foram migrados durante esse processo.
Na internet por fibra, a antiga estrutura da Oi também foi separada da companhia. A rede passou a ser operada pela V.tal, enquanto os serviços ao consumidor seguiram por uma nova estrutura comercial ligada à marca Nio, reduzindo a dependência direta da antiga Oi.
Assim, a atual falência da Oi não significa que uma antiga linha móvel já transferida para outra operadora ou um serviço de fibra já migrado para outra estrutura deixará de funcionar automaticamente por causa da decisão desta terça-feira.
Duas recuperações judiciais não conseguiram salvar a Oi
A crise financeira da empresa atravessa praticamente uma década.
A primeira recuperação judicial começou em 2016, com passivo próximo de R$ 65 bilhões. Depois de vendas de ativos e renegociações, o processo terminou em dezembro de 2022.
Menos de três meses depois, em março de 2023, a companhia voltou à Justiça com cerca de R$ 43,7 bilhões em dívidas. Um novo plano foi aprovado em 2024, mas a dificuldade para gerar caixa e vender ativos impediu a recuperação financeira.
O que acontece com a Oi agora
Com a falência confirmada pelo tribunal, a administração judicial deverá organizar os ativos ainda pertencentes à empresa, atualizar a relação de credores e acompanhar os serviços que precisam continuar funcionando.
A liquidação dos bens também deverá seguir as determinações judiciais e a ordem prevista para pagamento dos diferentes grupos de credores.
Para consumidores, a decisão não representa desligamento automático dos serviços nesta terça-feira.
Para os mais de 164 mil credores, começa agora uma nova etapa na tentativa de recuperar parte dos valores devidos. Para quem ainda depende de serviços ligados à Oi, qualquer mudança deverá ocorrer de maneira organizada e sob acompanhamento da Justiça e da Anatel.






