O que acontece com as investigações contra Flávio Bolsonaro no STF após sua saída do Brasil? O senador (PL-RJ) desembarcou nos Estados Unidos na quarta-feira (28), enquanto é investigado em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal. As apurações envolvem suspeitas de irregularidades financeiras e uma publicação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A permanência no exterior não interrompe automaticamente os procedimentos. As investigações podem continuar mesmo sem a presença do parlamentar no Brasil, embora determinadas diligências dependam de cooperação internacional.
O RNews também detalhou a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e o trajeto até os Estados Unidos.
O andamento dos casos também poderá ser afetado pelo término do mandato de Flávio, previsto para 31 de janeiro de 2027.
Quais investigações envolvem Flávio Bolsonaro?
Segundo levantamento da CNN Brasil, divulgado na terça-feira (27), Flávio é investigado em três inquéritos no STF.
Os procedimentos envolvem o financiamento do filme Dark Horse, possíveis irregularidades relacionadas ao advogado Willer Tomaz e uma publicação nas redes sociais contra Lula.
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Cada investigação possui objeto próprio e pode seguir caminhos processuais diferentes. A existência de um inquérito não representa condenação nem comprovação de crime.
O senador nega irregularidades nos casos financeiros e contesta a acusação de calúnia.
O que a PF investiga no caso Banco Master?
O inquérito relacionado ao filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro, apura possíveis irregularidades em pagamentos realizados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo relatório da Polícia Federal divulgado pela Agência Brasil em setembro, Flávio solicitou aproximadamente R$ 131 milhões para financiar a produção. Cerca de R$ 60 milhões teriam sido repassados.
A investigação procura esclarecer a origem e a destinação dos recursos, além de possíveis irregularidades nos pagamentos.
Flávio foi formalmente incluído na investigação em julho de 2026.
A Polícia Federal solicitou ao ministro André Mendonça a prorrogação do inquérito por mais 90 dias. O pedido foi divulgado na sexta-feira (16).
A solicitação busca permitir a conclusão de perícias contábeis e a obtenção de registros financeiros nos Estados Unidos, relacionados a entidades que teriam recebido pagamentos.
A solicitação de prorrogação depende de decisão judicial. Até as informações verificadas para esta reportagem, não havia confirmação de que o pedido tivesse sido deferido.
Flávio afirma que os recursos eram privados e nega ter negociado vantagens indevidas com Vorcaro.
O que envolve a investigação sobre Willer Tomaz?
Outro inquérito, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro, o advogado Willer Tomaz e empresas do setor de apostas.
A investigação começou após a Polícia Federal examinar dados extraídos de dispositivos eletrônicos vinculados ao advogado.
Segundo a CNN Brasil, os investigadores inicialmente apontaram que Flávio aparecia como “usuário master” de uma conta da Alcazar Holding, empresa relacionada a Tomaz.
Um documento encaminhado pelo Banco Santander ao STF, em 25 de outubro, informou que Flávio não constava entre os usuários cadastrados na conta, nem com privilégios de administração nem em perfis secundários.
A resposta bancária contraria esse elemento específico da suspeita inicial, mas não significa, por si só, o encerramento das demais apurações.
A PF também examina registros de viagens, encontros e movimentações financeiras envolvendo empresas relacionadas ao advogado.
Flávio nega ter exercido poderes sobre contas dessas empresas. A defesa de Willer afirma que suas atividades são lícitas, declaradas às autoridades, e que a relação entre ambos é de amizade.
Foi nesse procedimento que Moraes determinou a entrega dos passaportes e proibiu a saída do senador do Brasil. Flávio deixou o país sem cumprir a determinação. Outra reportagem do RNews explica como Flávio Bolsonaro saiu do Brasil com os passaportes cancelados.
Por que Flávio também é investigado por calúnia?
O terceiro inquérito envolve uma publicação feita por Flávio Bolsonaro na rede social X, em 3 de janeiro de 2026.
Segundo a Agência Brasil, o senador relacionou Lula a acusações envolvendo tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e apoio ao terrorismo.
Em junho, a Polícia Federal concluiu o relatório do caso, apontando elementos que, na avaliação dos investigadores, caracterizariam calúnia.
A conclusão policial não equivale a condenação judicial.
Em 28 de julho, Flávio apresentou manifestação escrita à PF negando ter cometido o crime. Sua defesa sustentou que a publicação não atribuía diretamente ao presidente os delitos mencionados.
O senador não compareceu ao depoimento marcado, apresentando esclarecimentos por meio dos advogados, procedimento permitido pelas garantias legais do investigado.
As investigações continuam com Flávio nos EUA?
Sim. A permanência de um investigado no exterior não determina o arquivamento dos procedimentos brasileiros.
A Polícia Federal pode continuar examinando documentos, movimentações financeiras e dados digitais, além de ouvir testemunhas.
Diligências nos Estados Unidos poderão exigir cooperação jurídica internacional, especialmente para obtenção de informações bancárias.
O caso Dark Horse, por exemplo, já possui pedido de cooperação para acesso a registros financeiros.
O RNews explica em outra reportagem se Flávio Bolsonaro pode ser preso por descumprir a ordem do STF.
O que muda com o fim do mandato em 2027?
Flávio deixará o Senado em 31 de janeiro de 2027. A perda do mandato, porém, não determina automaticamente a transferência dos inquéritos para a primeira instância.
Em março de 2025, no julgamento do HC 232.627, o STF decidiu que o foro por prerrogativa de função pode ser mantido após o término do mandato para crimes supostamente praticados durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas.
A competência de cada investigação dependerá da natureza dos fatos apurados e de sua relação com o mandato parlamentar.
Quais são os próximos passos das investigações?
A Polícia Federal poderá solicitar novas diligências e encaminhar seus resultados às autoridades competentes.
A Procuradoria-Geral da República poderá avaliar as provas reunidas e adotar as providências processuais cabíveis, conforme a situação de cada procedimento.
A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil não encerra as investigações nem representa reconhecimento de culpa. Mesmo após o fim do mandato, os casos poderão permanecer no STF quando atenderem aos requisitos estabelecidos pela jurisprudência da Corte.
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