Polícia descobre esquema milionário de mineração de bitcoin com furto de energia em Jundiaí e Louveira; homem de 43 anos acabou preso

Operação encontrou cerca de 1,4 mil equipamentos funcionando sem medição regular de energia e consumo estimado poderia abastecer aproximadamente 2 mil casas por um mês

Uma operação conjunta entre a CPFL Piratininga e a 3ª Delegacia de Investigações sobre Crimes Patrimoniais (DEIC) de São Paulo revelou nesta semana um esquema de mineração de bitcoin com suspeita de furto de energia elétrica em imóveis localizados nas cidades de Jundiaí e Louveira, no interior paulista.

A ação chamou atenção pelo tamanho da estrutura encontrada. Segundo informações divulgadas pelas autoridades e pela concessionária, cerca de 1,4 mil microcomputadores usados para mineração de criptomoedas operavam de forma contínua, ligados diretamente a uma rede irregular de energia.

Os imóveis fiscalizados estavam localizados no Distrito Industrial de Jundiaí e no bairro Terra Nobre, em Louveira. De acordo com a apuração, os locais não possuíam medidores de energia elétrica instalados, apesar do consumo extremamente elevado exigido pelos equipamentos.

Funcionários Da Cpfl Acompanham Operação Em Estrutura Com Centenas De Computadores Usados Para Mineração De Bitcoin Durante Investigação De Furto De Energia Em Jundiaí E Louveira.

Estrutura operava 24 horas por dia

Os computadores utilizados na mineração funcionavam de forma ininterrupta, exigindo uma demanda energética considerada muito acima do padrão residencial e até mesmo industrial em alguns casos.

Durante a operação, também foram identificados nove transformadores que, juntos, somavam capacidade de 8.470 kVA. Os equipamentos foram apreendidos pelo DEIC para investigação.

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Suspeito preso durante investigação

As investigações sobre o furto de energia avançaram após a descoberta de um complexo utilizado para mineração de criptomoedas entre Louveira e Jundiaí. Segundo informações apuradas pelas autoridades, um homem de 43 anos acabou preso suspeito de participação no esquema que mantinha um grande centro de processamento digital abastecido por ligações clandestinas de energia elétrica.

No local, os agentes encontraram mais de mil computadores dedicados ao processamento digital da criptomoeda. A suspeita é de que a estrutura utilizasse energia desviada diretamente da rede elétrica para sustentar o funcionamento ininterrupto dos equipamentos de alta potência. O caso segue sob investigação para identificar possíveis outros envolvidos, além de calcular o tamanho do prejuízo provocado pelo consumo irregular.

A estimativa inicial aponta que a energia desviada pode chegar a aproximadamente 2 GWh. Segundo a CPFL Piratininga, esse volume seria suficiente para abastecer cerca de 2 mil residências durante um mês inteiro.

O que é mineração de bitcoin

A mineração de bitcoin é uma atividade digital que utiliza computadores de alta performance para validar transações realizadas na rede da criptomoeda.

Em troca desse processamento, os operadores recebem frações de bitcoin como recompensa. O problema é que a atividade exige enorme capacidade computacional e, consequentemente, alto consumo de energia elétrica.

Por causa disso, mineradoras costumam utilizar galpões cheios de equipamentos funcionando simultaneamente, gerando consumo contínuo de eletricidade e necessidade intensa de refrigeração.

Furto de energia pode gerar prisão

O furto de energia elétrica é considerado crime previsto no Código Penal Brasileiro. A pena pode variar de um a quatro anos de prisão, além da aplicação de multas e cobrança retroativa dos valores consumidos irregularmente.

Como denunciar suspeitas de fraude de energia

A CPFL orienta que moradores e comerciantes denunciem ligações clandestinas e suspeitas de furto de energia de forma anônima por meio do aplicativo “CPFL Energia” ou pelo portal oficial da concessionária www.cpfl.com.br/fraude.

Segundo a empresa, esse tipo de irregularidade não apenas provoca prejuízos financeiros, mas também aumenta o risco de incêndios, sobrecarga na rede elétrica e interrupções no fornecimento para bairros inteiros. A companhia afirma ainda que vem ampliando o uso de inteligência artificial e sistemas de monitoramento para localizar fraudes com mais rapidez em toda a região de concessão.

A companhia também informou que parte das perdas provocadas por fraudes acaba impactando o sistema elétrico e pode influenciar custos repassados ao setor regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Casos de mineração clandestina aumentaram no Brasil

Investigações envolvendo mineração ilegal de criptomoedas vêm crescendo em diferentes regiões do país. Além do caso identificado entre Jundiaí e Louveira, operações semelhantes também foram realizadas recentemente no Distrito Federal.

Em uma das ações mais conhecidas, chamada de Operação Criptogato, autoridades identificaram estruturas clandestinas que utilizavam ligações irregulares de energia para manter centenas de máquinas funcionando continuamente. Em determinadas fases da investigação, o consumo desviado chegou a ser comparado ao abastecimento de até 34 mil residências.

Segundo especialistas do setor elétrico, esse tipo de fraude costuma provocar sobrecarga na rede, oscilações de energia e prejuízos milionários às concessionárias. A prática conhecida popularmente como “gato” permite manter os equipamentos ligados 24 horas por dia sem medição regular de consumo.

O avanço do mercado de criptomoedas também ampliou o monitoramento das concessionárias e das polícias civis sobre estruturas suspeitas de mineração clandestina em diferentes estados brasileiros.

Inteligência artificial ajuda a localizar fraudes

A concessionária afirmou que vem ampliando o uso de tecnologia no combate a irregularidades. Entre os recursos utilizados estão sistemas de inteligência artificial, cruzamento de dados de consumo e monitoramento remoto.

Somente em 2025, a CPFL informou ter recuperado mais de 45 mil MWh de energia desviada em sua área de concessão. O volume seria suficiente para abastecer uma cidade de aproximadamente 23 mil residências ao longo de um ano.

Até o momento, não houve divulgação oficial sobre prisões relacionadas ao caso investigado em Jundiaí e Louveira.

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