No Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março, especialistas reforçam um alerta global: a obesidade infantil cresce rapidamente e já atinge milhões de crianças no Brasil e no mundo. O avanço do excesso de peso na infância preocupa pediatras porque aumenta o risco de doenças crônicas precoces e pode impactar a saúde de toda uma geração nas próximas décadas.
Dados recentes mostram que a obesidade infantil cresce em ritmo acelerado no mundo e no Brasil, impulsionada por mudanças no padrão alimentar, aumento do consumo de ultraprocessados e redução da atividade física entre crianças e adolescentes.
O que é o Dia Mundial da Obesidade e por que ele existe
O Dia Mundial da Obesidade, celebrado todos os anos em 4 de março, foi criado para ampliar a conscientização sobre os riscos da obesidade e estimular políticas públicas de prevenção e tratamento da doença.
A data mobiliza profissionais de saúde, pesquisadores e governos para discutir um problema que já afeta mais de um bilhão de pessoas no mundo e que cresce especialmente entre os mais jovens.
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Nos últimos anos, a campanha internacional tem destacado que a obesidade não é apenas resultado de escolhas individuais, mas também consequência de fatores sociais, econômicos e ambientais que influenciam a alimentação e o estilo de vida.
Entre esses fatores estão:
• aumento do consumo de alimentos ultraprocessados
• redução da atividade física na infância
• excesso de tempo em telas
• marketing agressivo de alimentos ricos em açúcar e gordura
• dificuldade de acesso a alimentos frescos em muitas regiões
Obesidade infantil já supera a desnutrição em vários países
Um dos dados que mais preocupam especialistas surgiu em relatórios recentes do UNICEF e de organizações internacionais de saúde.
Pela primeira vez na história, o número de crianças obesas no mundo ultrapassou o número de crianças com baixo peso.
Hoje:
• cerca de 1 em cada 10 crianças no planeta vive com obesidade
• aproximadamente 188 milhões de crianças e adolescentes são obesos
• cerca de 391 milhões apresentam excesso de peso
Esse crescimento foi rápido. Entre 2000 e 2022, a taxa de obesidade infantil global passou de 3% para cerca de 9,4%, praticamente triplicando em pouco mais de duas décadas.
O fenômeno reflete uma mudança no padrão de má nutrição. Em vez da falta de alimento, muitos países enfrentam agora o problema do excesso de calorias com baixa qualidade nutricional.
Brasil também enfrenta avanço preocupante da obesidade entre crianças
O Brasil segue a mesma tendência observada no cenário internacional.
Estudos indicam que uma em cada três crianças brasileiras já apresenta sobrepeso ou obesidade, número que preocupa especialistas em pediatria e saúde pública.
Outro dado relevante aponta que uma em cada três crianças de 5 a 9 anos está acima do peso no país, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Se o ritmo atual continuar, projeções indicam que até 2035 cerca de metade das crianças e adolescentes brasileiros poderá estar com excesso de peso.
Esse cenário é agravado por mudanças no estilo de vida das famílias, como:
• aumento do consumo de alimentos industrializados
• redução das refeições preparadas em casa
• menor prática de atividades físicas
• maior exposição a telas desde a infância
Quais são os riscos da obesidade infantil para a saúde
Ao contrário do que muitos imaginam, a obesidade infantil não é apenas uma questão estética.
A condição está associada a diversas doenças que podem surgir ainda na infância ou adolescência.
Entre os principais riscos estão:
• diabetes tipo 2
• hipertensão arterial
• colesterol elevado
• problemas respiratórios
• doenças cardiovasculares precoces
• dificuldades psicológicas e sociais
Além disso, crianças com obesidade têm maior probabilidade de continuar obesas na vida adulta, aumentando o risco de doenças crônicas ao longo da vida.
A alimentação ultraprocessada está no centro do problema
Especialistas apontam que um dos fatores mais importantes para o crescimento da obesidade infantil é a transformação do ambiente alimentar.
Em muitos países, alimentos ultraprocessados passaram a dominar a dieta das crianças.
No Brasil, pesquisas mostram que quase metade das crianças pequenas já consome ultraprocessados regularmente, incluindo bebidas açucaradas, biscoitos e doces.
Esses produtos costumam apresentar:
• alta quantidade de açúcar
• excesso de gordura
• baixo valor nutricional
• grande densidade calórica
Combinados com menor atividade física, esses fatores criam um ambiente que favorece o ganho de peso desde os primeiros anos de vida.
Projeções preocupam especialistas para as próximas décadas
Se nada mudar, os números podem crescer ainda mais nas próximas décadas.
Um relatório recente da Federação Mundial da Obesidade projeta que mais de 220 milhões de crianças poderão viver com obesidade até 2040.
Além disso, cerca de 120 milhões de jovens podem desenvolver doenças crônicas precocemente associadas ao excesso de peso, como problemas cardiovasculares e hipertensão.
Por isso, especialistas defendem que o combate à obesidade infantil precisa envolver:
• políticas públicas de alimentação saudável
• restrição ao marketing de alimentos ultraprocessados para crianças
• incentivo à atividade física nas escolas
• educação nutricional para famílias
O que pais e famílias podem fazer para prevenir
Embora políticas públicas sejam essenciais, muitas medidas também podem começar dentro de casa.
Entre as recomendações de especialistas estão:
• incentivar refeições em família
• reduzir consumo de refrigerantes e ultraprocessados
• estimular brincadeiras ao ar livre
• limitar o tempo de telas
• oferecer frutas, legumes e alimentos naturais no dia a dia
A prevenção na infância é considerada uma das estratégias mais eficazes para reduzir a obesidade ao longo da vida.
Um alerta que vai além de uma data no calendário
O Dia Mundial da Obesidade serve como um lembrete anual de que a obesidade infantil não é apenas um problema individual ou familiar, mas um desafio coletivo de saúde pública. À medida que os números aumentam em todo o mundo, especialistas reforçam que combater o problema exige mudanças no ambiente alimentar, na educação e nas políticas de saúde.
Sem essas ações, uma geração inteira pode enfrentar mais cedo doenças que antes eram associadas apenas à vida adulta. Crianças podem usar canetas emagrecedoras? Em regra, não.
Medicamentos injetáveis usados para emagrecimento, como semaglutida e liraglutida (os princípios ativos de várias “canetas”), não são indicados para crianças pequenas. O uso costuma ser autorizado apenas em adolescentes com obesidade grave e sob acompanhamento médico especializado.
As principais regras hoje são:
- Menores de 12 anos: não devem usar esses medicamentos
- 12 a 17 anos: uso possível apenas em casos específicos de obesidade
- sempre com prescrição médica e acompanhamento especializado
Algumas bulas reforçam que medicamentos como liraglutida não devem ser usados em crianças abaixo de 12 anos. Ou seja, não são remédios cosméticos nem soluções rápidas para perda de peso.
Em quais casos adolescentes podem usar
Quando médicos indicam esse tratamento, normalmente existem critérios clínicos:
• obesidade diagnosticada (IMC muito elevado)
• falha de tratamento com dieta e atividade física
• presença de complicações metabólicas
• acompanhamento por endocrinologista ou equipe especializada
Alguns medicamentos dessa classe foram aprovados para adolescentes a partir de 12 anos em casos de obesidade, mostrando redução significativa do IMC em estudos clínicos. Mesmo nesses casos, o tratamento não substitui mudanças de estilo de vida, como alimentação e atividade física.
Quais são os principais riscos em jovens
Os riscos são um dos motivos pelos quais médicos evitam usar essas medicações em crianças. Entre os efeitos adversos mais relatados estão:
Problemas gastrointestinais
- náusea
- vômito
- dor abdominal
- diarreia ou constipação
Alterações metabólicas
- hipoglicemia
- alterações digestivas
- inflamação pancreática em casos raros
Reações locais
- dor ou irritação no local da injeção
Outro risco importante: falta de dados de longo prazo
Embora estudos mostrem perda de peso em adolescentes, especialistas alertam que a segurança a longo prazo ainda não é totalmente conhecida, especialmente durante a fase de crescimento. Por isso muitos médicos defendem cautela antes de ampliar o uso desses medicamentos em jovens.
Risco de uso indevido em crianças
Casos de intoxicação já foram registrados quando crianças tiveram acesso a essas canetas em casa.
Em um episódio divulgado recentemente, uma menina de 8 anos precisou ser hospitalizada após usar uma caneta emagrecedora da mãe, o que reacendeu o alerta sobre os riscos de acesso a esses medicamentos por menores.
O que os especialistas recomendam primeiro
A maioria das diretrizes médicas indica que o tratamento da obesidade infantil deve começar com:
• reeducação alimentar
• atividade física regular
• acompanhamento nutricional
• apoio psicológico
• mudanças no ambiente familiar
A medicação costuma ser considerada apenas em casos graves e depois que essas medidas falham.
Resumo médico
Existem efeitos colaterais e dúvidas sobre segurança a longo prazo crianças não devem usar canetas emagrecedoras. Adolescentes podem usar em casos específicos a partir de 12 anos sempre com acompanhamento médico.
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