Desenrola Brasil para famílias termina em 3 de agosto; veja quem pode negociar

Programa permite descontos de até 90%, parcelamento em 48 meses e uso do FGTS, mas o consumidor deve conferir o custo total antes de fechar o acordo

Consumidores com dívidas bancárias em atraso têm até 3 de agosto de 2026 para aderir ao Novo Desenrola Brasil voltado às famílias. O programa oferece condições especiais de renegociação, com descontos que podem chegar a 90%, juros limitados a 1,99% ao mês e prazo de até 48 meses para pagamento.

O acordo é feito diretamente com a instituição financeira responsável pela dívida. A adesão não é automática, e o percentual de desconto varia conforme o tipo de crédito, o tempo de atraso e a proposta apresentada pelo banco.

Antes de aceitar, o consumidor deve comparar o valor original da dívida, o abatimento concedido, os juros do parcelamento e o total que será pago até o fim do contrato.

Quem pode participar do Novo Desenrola Brasil?

O programa atende pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos, equivalente a R$ 8.105 em 2026.

Também é necessário que a operação de crédito tenha sido contratada até 31 de janeiro de 2026. As parcelas precisavam estar atrasadas entre 91 e 720 dias em 3 de maio, data usada como referência pelas regras do programa.

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Entre as dívidas que podem entrar na renegociação estão:

  • cartão de crédito, inclusive rotativo ou parcelado;
  • cheque especial;
  • crédito pessoal sem desconto em folha;
  • operações de consolidação de dívidas;
  • outras modalidades aceitas pela regulamentação.

Empréstimos consignados, descontados diretamente do salário ou benefício, não fazem parte da lista principal do programa.

Desconto pode chegar a 90%

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O percentual não é igual para todos. Dívidas mais antigas podem receber abatimentos maiores, mas a proposta depende das condições oferecidas pela instituição financeira.

Uma dívida de R$ 8 mil, por exemplo, cairia para R$ 3.200 caso o banco concedesse desconto de 60%. Se o consumidor optar pelo parcelamento, os juros da nova operação serão aplicados sobre o valor renegociado.

Por isso, não basta observar quanto a dívida diminuiu. É necessário verificar quanto será pago depois da inclusão dos juros.

Parcelamento pode chegar a 48 meses

O valor renegociado pode ser dividido entre 12 e 48 meses, com taxa máxima de 1,99% ao mês. A primeira parcela pode vencer em até 35 dias, e o valor mínimo de cada prestação é de R$ 50.

A operação está limitada a R$ 15 mil por consumidor em cada instituição financeira.

Caso a pessoa tenha mais de uma dívida elegível no mesmo banco, os débitos devem ser reunidos na nova operação, respeitado o limite do programa. O consumidor pode não conseguir escolher apenas uma dívida e deixar outra elegível fora do acordo.

Um prazo mais longo reduz a prestação mensal, mas aumenta o custo final. Antes de contratar, vale solicitar ao banco o valor à vista e o total previsto em cada opção de parcelamento.

Quando o nome sai do cadastro de inadimplentes?

A assinatura do acordo, isoladamente, pode não retirar a restrição.

Pelas regras do Novo Desenrola, a instituição deve excluir a dívida renegociada dos cadastros de inadimplentes após o pagamento da primeira parcela, quando houver registro negativo relacionado ao débito.

Se o novo contrato deixar de ser pago, os descontos podem ser cancelados, novos encargos podem ser cobrados e o consumidor pode voltar aos cadastros de inadimplência.

Contratos cujo valor original seja de até R$ 100 recebem tratamento diferente. Os bancos participantes devem retirar permanentemente esses registros dos cadastros negativos. A baixa do registro, porém, não deve ser entendida automaticamente como perdão da dívida.

Como funciona o uso do FGTS?

O trabalhador pode utilizar parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para reduzir ou quitar o valor renegociado.

O limite corresponde ao maior valor entre:

  • R$ 1 mil;
  • 20% do saldo disponível no FGTS.

Podem ser usados recursos de contas ativas e inativas. O uso é opcional e deve ser autorizado pelo trabalhador.

Quem aderiu ao saque-aniversário precisa avaliar a decisão com cuidado. O uso do saldo no Novo Desenrola suspende temporariamente os saques anuais e novas antecipações até que o valor retirado seja recomposto por novos créditos na conta.

Adesão também bloqueia CPF em plataformas de apostas

Uma das condições previstas no programa é o impedimento de utilização do CPF em plataformas de apostas de quota fixa durante 12 meses, contados da assinatura do contrato.

A restrição deve constar da operação de renegociação. Por isso, o consumidor precisa ler o contrato completo antes de confirmar a adesão.

Como negociar sem cair em golpes

A consulta deve ser feita pelo aplicativo, internet banking, site ou agência da própria instituição financeira.

O consumidor não deve pagar intermediários nem fornecer senha, código de segurança ou acesso remoto ao celular. Links enviados por números desconhecidos precisam ser evitados, mesmo quando a mensagem utiliza o nome ou a identidade visual de um banco.

O Ministério da Fazenda também disponibiliza um simulador oficial para verificar os critérios gerais, testar o uso do FGTS e comparar prazos. A simulação não representa uma proposta definitiva. A contratação é concluída diretamente com a instituição participante.

A parcela precisa caber no orçamento

A renegociação pode reduzir a dívida, mas não resolve o problema quando a nova prestação depende do cartão, do cheque especial ou de outro empréstimo para ser paga.

Antes de fechar o acordo, o consumidor deve descontar da renda as despesas com moradia, alimentação, energia, transporte, saúde e outros compromissos essenciais.

Se não houver margem para pagar a parcela até o fim, a melhor decisão pode ser negociar um prazo diferente ou aguardar uma condição compatível com a renda.

Após 3 de agosto, ainda será possível procurar o credor e tentar um acordo comum. As condições especiais do Novo Desenrola para famílias, porém, poderão deixar de estar disponíveis.

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