Uma mulher chega sem avisar, sem bagagem e, muitas vezes, sem saber o que vai encontrar. O endereço é sigiloso, o acesso é controlado e o tempo é o que ela precisar. Assim funciona a Casa Sol, serviço de acolhimento especializado da Prefeitura de Jundiaí que completa 20 anos de funcionamento em 2026.
Vinculada à Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, a unidade foi criada em 2006 e estava entre os primeiros abrigos desse tipo no Brasil. Duas décadas depois, tornou-se referência na rede de proteção de mulheres em situação de violência.
Os números mostram a dimensão do trabalho: só em 2024, foram 57 acolhimentos. Em 2025, outros 37 atendimentos foram realizados. Cada caso representa uma história real de proteção, reconstrução e superação.
Uma iniciativa pioneira que ganhou reconhecimento internacional
Quando a Casa Sol foi inaugurada, em 2006, o Brasil ainda dava os primeiros passos na estruturação de redes especializadas de proteção para mulheres. Criar um abrigo sigiloso, com equipe multiprofissional e atendimento humanizado, era uma aposta ousada para uma cidade do interior paulista.
A aposta deu resultado. Ao longo dos anos, o serviço conquistou o Prêmio de Boas Práticas da Rede Mercocidades, reconhecimento que projeta o trabalho desenvolvido em Jundiaí para além das fronteiras do país.
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O caráter pioneiro não ficou apenas nos registros históricos. A unidade segue como modelo para outros municípios que buscam estruturar políticas públicas voltadas à proteção de mulheres em situação de risco.
Sigilo absoluto e segurança permanente protegem quem está acolhida
O endereço da Casa Sol não é divulgado. Essa é uma das regras mais rígidas do serviço e também uma das mais importantes. A confidencialidade do local garante que as mulheres acolhidas possam iniciar uma nova rotina sem o risco de serem encontradas por quem as colocou em perigo.
A proteção vai além do sigilo. A unidade conta com apoio permanente da Guarda Municipal e uma equipe multiprofissional preparada para oferecer atendimento humanizado em todas as etapas do acolhimento.
O acesso ao serviço ocorre exclusivamente por encaminhamento oficial. Delegacias, órgãos da Justiça e serviços da assistência social são os canais responsáveis por esse processo.
A capacidade da unidade é de até dez pessoas simultaneamente, incluindo a mulher acolhida e seus filhos ou dependentes. O período padrão de permanência é de 90 dias, podendo ser ampliado após avaliação técnica da equipe.
Como funciona o atendimento dentro da Casa Sol
Cada mulher que chega à unidade recebe um plano de atendimento individualizado. A equipe multiprofissional analisa fatores emocionais, sociais e jurídicos de cada caso para construir um caminho real de reconstrução da autonomia.
Esse planejamento personalizado é considerado um dos principais diferenciais do serviço. Ele permite que cada história seja tratada com atenção específica, sem soluções padronizadas que ignoram a complexidade de cada situação.
Principais serviços oferecidos durante o acolhimento
Durante o período na unidade, as mulheres têm acesso a um conjunto completo de apoio:
- Atendimento psicológico especializado
- Acompanhamento social contínuo durante todo o acolhimento
- Apoio para que as crianças continuem frequentando a escola
- Orientação sobre direitos trabalhistas e garantias legais
- Planejamento para autonomia financeira pós-acolhimento
- Suporte logístico para mudança de cidade, quando a segurança exige
O acompanhamento não se encerra no momento do desligamento. As mulheres podem continuar recebendo suporte por até um ano após saírem da unidade, o que amplia as chances de uma transição estável para a nova fase da vida.
Dados de atendimento revelam o impacto real do serviço
Em 2024, a Casa Sol registrou 57 acolhimentos. No ano seguinte, foram 37 atendimentos realizados. A variação entre os anos reflete a complexidade dos casos: alguns exigem permanências mais longas, o que reduz o número total de entradas.
Por trás de cada número há uma mulher que precisou recomeçar. O trabalho da equipe é construir as condições para que esse recomeço seja possível, seguro e duradouro.
Por que redes de proteção estruturadas fazem diferença
A trajetória da Casa Sol mostra o que acontece quando diferentes órgãos trabalham de forma coordenada. Delegacias especializadas, assistência social, sistema de Justiça e a própria unidade de acolhimento atuam em conjunto para responder às situações de risco com mais eficiência.
Essa articulação é o que transforma uma política pública em proteção real. Sem ela, o caminho percorrido por cada mulher seria muito mais longo e arriscado.
Como acessar o serviço em Jundiaí
O encaminhamento para a Casa Sol pode ser feito pelos seguintes canais:
- Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) e demais delegacias policiais
- Vara de Violência Doméstica e demais órgãos do sistema de Justiça
- Serviços municipais de assistência social, como CRAS e CREAS
Vinte anos de presença constante na vida de quem mais precisou
Completar duas décadas de funcionamento ininterrupto não é pouca coisa. A Casa Sol resistiu a mudanças de gestão, a períodos de crise e a todos os desafios que atravessam qualquer serviço público ao longo do tempo.
O que manteve a unidade de pé foi a clareza do seu propósito: estar disponível para mulheres em situações nas quais não há tempo nem espaço para improvisação.
O legado construído em 20 anos pode ser resumido em três pontos:
- Proteção imediata, com sigilo e segurança garantidos desde o primeiro dia
- Atendimento individualizado, que respeita a complexidade de cada história
- Acompanhamento contínuo, que vai além do período de acolhimento
Vinte anos depois da inauguração, a Casa Sol segue como prova de que políticas públicas consistentes e bem geridas transformam realidades. E que, para muitas mulheres, um endereço sigiloso pode ser o começo de uma vida nova.
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