Resultado ficou acima das estimativas do mercado, mas recuou 40% em relação ao mesmo período de 2024, mas inadimplência chegou a 5,17% e pressiona rentabilidade.
O Banco do Brasil (BBAS3) informou nesta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, que registrou lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões no quarto trimestre de 2025. O resultado representa queda de 40,1% na comparação anual, mas avanço de 51% em relação ao terceiro trimestre. No acumulado de 2025, o lucro somou R$ 20,7 bilhões.
Apesar da retração frente a 2024, o desempenho superou as expectativas de analistas, que projetavam um ganho inferior para o período. O balanço era aguardado com cautela pelo mercado, após um ano marcado pela deterioração da carteira de crédito do agronegócio, aumento das provisões e revisão do guidance.
Rentabilidade segue abaixo dos concorrentes
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) foi de 12,4% no quarto trimestre. O indicador melhorou em relação ao trimestre anterior, mas permanece abaixo do patamar observado um ano antes e também inferior ao registrado por grandes bancos privados.
Principais números do 4T25
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- Lucro líquido ajustado: R$ 5,7 bilhões
- ROE: 12,4%
- Inadimplência acima de 90 dias: 5,17%
- Carteira de crédito: R$ 1,3 trilhão
- Lucro acumulado em 2025: R$ 20,7 bilhões
Entre os principais concorrentes, o Itaú Unibanco (ITUB4) encerrou o período com ROE de 24%, enquanto Santander Brasil (SANB11) e Bradesco (BBDC4) registraram 17,5% e 15,2%, respectivamente.
Inadimplência e provisões pressionam resultado
A taxa de inadimplência acima de 90 dias atingiu 5,17% em dezembro, com alta tanto na comparação trimestral quanto anual. A carteira do agronegócio apresentou índice de 6,09%, enquanto a de pessoas físicas chegou a 6,56%.
Segundo o banco, um caso específico envolvendo títulos e valores mobiliários no segmento atacado, no valor de R$ 3,6 bilhões, impactou o indicador. Desconsiderando esse efeito pontual, a inadimplência teria sido menor.
O aumento dos atrasos levou à elevação das provisões para perdas esperadas, que ultrapassaram R$ 100 bilhões no consolidado de risco de crédito. O custo do crédito também avançou no período, refletindo principalmente o cenário do agronegócio.
Carteira de crédito atinge R$ 1,3 trilhão
Mesmo diante do ambiente mais desafiador, a carteira de crédito expandida encerrou o ano em R$ 1,3 trilhão, com crescimento de 2,5% em 12 meses.
O principal avanço ocorreu na carteira de pessoas físicas, que totalizou cerca de R$ 357 bilhões, impulsionada pelo crédito consignado, operações não consignadas e cartão de crédito, este último com expansão próxima de 20% no acumulado anual.
A carteira de pessoas jurídicas somou R$ 455,2 bilhões, com crescimento mais moderado. Já o agronegócio, segmento estratégico para o banco, alcançou R$ 406,1 bilhões, mantendo expansão contida diante do aumento das recuperações judiciais no setor rural.
Margens e despesas
A margem financeira bruta alcançou R$ 27,8 bilhões no trimestre, com leve variação anual e melhora na comparação com o trimestre anterior. As receitas com prestação de serviços totalizaram R$ 8,8 bilhões.
As despesas administrativas somaram R$ 9,8 bilhões, mantendo crescimento controlado, segundo a instituição, que destacou continuidade de investimentos em tecnologia, inovação e segurança digital.
Projeções para 2026
Junto ao balanço, o Banco do Brasil divulgou as estimativas para 2026. A instituição projeta lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões no próximo exercício.
A carteira de crédito deve variar entre 0,5% e 4,5%, com crescimento de 6% a 10% em pessoas físicas, estabilidade ou leve retração em empresas e agronegócio. O custo do crédito está estimado entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões.
Segundo o banco, as projeções dependem das condições macroeconômicas e do comportamento da inadimplência ao longo do ano.





