Caieiras
2 semanas atrás

Saúde pública de Caieiras pena nas mãos de políticos

A saúde pública de Caieiras nunca foi unanimidade entre os moradores, pois mais criticam o atendimento do que elogiam. Não que seja diferente de outros municípios, mas por aqui, sempre existe um agravante que deixa cada vez mais os caieirenses descontentes.

Saúde pública de Caieiras pena nas mãos de políticos

De tantos milhões já gastos, agora resolveram terceirizar a gestão do pronto-socorro e alguns postos de saúde, porém, continuam incapazes de atender a população a contento.

Em 2020, durante campanha eleitoral, surgiu a esperança, para alguns, de que tudo poderia ser melhor com promessas e ataques feitos pelo atual prefeito Lagoinha, mas o que se vê é uma piora no setor e imbróglios envolvendo a Justiça que parecem não ter fim. Com o Pronto Socorro à deriva, quem sofre com a situação, mais uma vez, é o povo que não tem condição de pagar planos de saúde ou buscar atendimento particular.

Cronograma da confusão

Em 26 de agosto, a confusão envolvendo a gestão do pronto-socorro ganhou mais um capítulo. A situação vem sendo acompanhada pelo jornal Regional News desde fevereiro deste ano quando a prefeitura resolveu trocar a Organização Social Aceni pela Fundação Juquery, presidida pelo irmão do ex-prefeito de Franco da Rocha, Kiko Celeguim.

Em meio a recursos e briga judicial, em 13 de agosto, o Tribunal de Justiça de São Paulo negou recurso de apelação da prefeitura de Caieiras e confirmou a sentença de primeira instância para manter o contrato da ACENI de operação do PS.

Em 23 de agosto, a Aceni ingressou com um mandado de segurança na Justiça de Caieiras solicitando que a prefeitura e a Secretaria Municipal de Saúde cumprissem o que foi determinado em Acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça.

Como já noticiado pelo jornal Regional News, as investidas da prefeitura em manter a Fundação Juquery e não cumprir a decisão judicial, podem resultar em enorme prejuízo aos cofres públicos, já que, além de rescindir o contrato, a prefeitura deixou de pagar várias faturas da Aceni.

Para surpresa dos envolvidos, na quarta-feira, 26, a prefeitura divulgou uma ata de julgamento dos projetos da seleção pública nº 001/2021 nomeando a Irmandade de Santa Casa de Misericórdia de São Bernardo do Campo para gerir o PS.

Em breve busca na internet, também é possível ver o nome dessa nova organização social tendo a prestação de serviço questionada em várias cidades onde atuou ou passou.

O que chama atenção nisso tudo é que a Santa Casa pode ser desclassificada por vários motivos e a licitação ser adjudicada ao segundo colocado que, coincidentemente, é a Fundação Juquery.

Até a quarta-feira, 1º, nenhuma atualização tinha sido divulgada. Em meio a essa confusão, funcionários da área da saúde ficam perdidos sobre quem obedecer, embora em áudio divulgado por um dos diretores da gestão da saúde caieirense, revele que a Valeria Maria Pereira de Araújo, Secretaria de Administração, tenha garantido que nenhum dos servidores seria prejudicado, além de afirmar, contrariando a determinação judicial, que a Aceni não voltará a administrar o pronto-socorro.

Enquanto isso, o povo torce para que a saúde de Caieiras não termine em uma situação ainda pior do que já se encontra.

Reclamações continuam

Em meio a todo esse imbróglio, quem necessita de atendimento continua reclamando pelas redes sociais. Quase todo dia tem alguma situação adversa envolvendo a saúde caieirense.

“Precisei de uma consulta com um médico vascular. Mas Caieiras não dispõe dessa especialidade. Paguei por uma consulta particular, mas para fazer exames pela rede pública, necessitei que um clínico fizesse o pedido. Após esperar por 3 meses para realizar o procedimento, descubro que o clínico do SUS conseguiu pedir exame errado. Para piorar, ele não pode receitar nenhum medicamento relacionado a problemas vasculares para ser retirado na farmácia pública, porque não é a especialidade dele. Mas como conseguir uma receita de vascular se Caieiras não tem esse especialista? É muito descaso”, aponta uma pessoa em um grupo das redes sociais.

Sueli Gallo também criticou a saúde pública de Caieiras. “Entra prefeito, sai prefeito e ninguém resolve. Eles têm dinheiro suficiente para cuidar da saúde. E nós que necessitamos do SUS, sofremos”, postou.

Já Lucidalva Fiuza alega que a saúde em Caieiras que era ruim, ficou péssima. “Não tem ginecologista, não tem vascular, uma consulta no clínico demora no mínimo 90 dias. Sem contar quando um oftalmologista manda fazer exame numa ótica e assim vai se arrastando há nove meses. Mas era hora da mudança e estamos vendo tudo novo pela cidade”, relatou.

Sandriani Nunes Alves lembrou das promessas feitas pela atual gestão. “Mudança… mudança… mudança… palavra tão utilizada na época de campanha política. Cadê a tão profetizada palavra? Perdeu-se ao vento aqui em Caieiras?”, questionou.

UPA abandonada

Recentemente, o prefeito Lagoinha fez um vídeo e postou nas redes sociais da prefeitura narrando que “neste momento a obra se encontra paralisada e o nosso maior desejo é retomá-la, para logo entregar a unidade ao uso da população”, se referindo à UPA.

A publicação ocorreu em 16 de agosto durante a visita do Deputado Estadual André do Prado (PL) à Caieiras.
Ainda em 2020, o então vereador e candidato a prefeito Lagoinha, tentou parar a obra da Unidade de Pronto Atendimento, alegando irregularidades, mas teve a liminar pedida na Ação Popular que assinou negada pela Justiça de Caieiras e o trabalho teve seguimento.

Hoje prefeito, ele não fez questão de dar andamento na obra e também não presta esclarecimentos sobre a unidade de saúde sugerida por ele mesmo por meio da indicação 669/2017.

Com a obra parada e material de construção exposto e se deteriorando, a situação se mostra desastrosa para o caieirense que tanto cobra dos governantes um atendimento mais qualificado e um espaço adequado para consultas e a UPA iria auxiliar nesse sentido.

Enquanto caieirenses sofrem com a saúde pública, obras da UPA continuam paralisadas – Foto: Arquivo RN

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