Cotidiano
5 meses atrás

Sargento Mateus, filho de empresário de Caieiras, atuou em Brumadinho

Muitas pessoas atuaram de forma voluntária na tragédia de Brumadinho. A busca por desaparecidos continua e todos que fizeram e ainda fazem parte da equipe de buscas merecem aplausos. Um deles é Mateus Rodrigues Wanderley, 32 anos, 3º Sargento da 1ª Cia Independente de Poços de Caldas, de Minas Gerais.

Sargento Mateus, filho de empresário de Caieiras, atuou em Brumadinho
Sargento Mateus, filho de empresário de Caieiras, atuou incansavelmente no resgate de vítimas de Brumadinho (Arquivo Pessoal)

O agente que trabalha na atividade operacional e no atendimento de ocorrências é filho de Fernando Cesar Wanderley, morador e empresário na cidade de Caieiras. Em entrevista ao jornal Regional News, ele contou como foi sua experiência no local da tragédia.

O sargento Mateus ingressou ao Corpo de Bombeiros em 2009 como soldado de 2ª Classe no Curso de formação de soldados realizado em Belo Horizonte e em 2018 se transferiu para a cidade de Poços de Caldas onde está até hoje.
De acordo com o bombeiro, ele esteve em Brumadinho de forma voluntária. “Fui para lá devido a um curso que realizei, o BREC, Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas. Assim que a barragem rompeu tanto eu como muitos outros fomos voluntários e devido a qualificação compus a primeira equipe enviada do Sul de Minas”, declarou sargento Mateus.

Questionado sobre a primeira impressão ao chegar no local da tragédia, ele revelou ter se surpreendido. “Acompanhava tudo por meio de fotos e vídeos, mas quando cheguei me surpreendi com o cenário de destruição, Era tudo lama, apenas lama. Nós tínhamos um mapa que mostrava a localização da estrutura, o prédio administrativo, estacionamento e refeitório, mas tudo estava coberto por lama”, contou.

Sargento Mateus, filho de empresário de Caieiras, atuou incansavelmente no resgate de vítimas de Brumadinho (Arquivo Pessoal)

Segundo o sargento, os dias no local foram cansativos e tensos. “Foi uma missão diferente de tudo que já tinha vivido, com uma rotina bastante árdua e pesada, com trabalho que começava as 5 horas da manhã e finalizava as 19 horas. Porém, mesmo com o cenário tínhamos esperança em encontrar alguém com vida. Vivíamos um dilema entre a experiência profissional, que aponta para a impossibilidade de resgatar vítimas vivas naquele momento e o sentimento humano de acreditar no impossível. Nunca havia trabalhado com um cenário com tantas vítimas e tamanha área de busca. As condições de salvamento em um acidente com lama são bem diferentes de quando ocorre um desabamento ou um terremoto, por exemplo. Nestes casos, existem bolsões de ar, o que proporciona à vítima uma chance de sobrevivência, por horas ou dias, dependendo da situação. Porém, no rompimento, a lama invade qualquer cavidade entre as estruturas, diminuindo drasticamente a possibilidade de alguém sobreviver”, revelou.

Apesar do cenário de destruição, ele destacou a logística preparada pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. “As condições de trabalho eram favoráveis devido à estrutura montada pela corporação que possibilitou toda a logística de recuperação às vítimas. Quando chegávamos ao alojamento no fim do dia, encontrávamos tudo arrumado, roupas limpas, alimentação. Tudo feito e organizado de forma voluntária pelos próprios moradores de Brumadinho, pelos parentes das vítimas do rompimento. Um carinho e um cuidado, como se eles quisessem nos retribuir pelo que estávamos fazendo. Por isso, a cada momento em que localizávamos um corpo ou um fragmento, era um alento, pois estávamos dando condições a uma família de enterrar, de fazer uma despedida digna a um ente querido que morreu ali. Foi um aprendizado muito grande como profissional e maior ainda como ser humano, pois você está contribuindo para uma coisa muito maior, que é diminuir a dor de uma família”, confessou.

Na conclusão da entrevista, sargento Mateus destacou a operação ainda realizada no local. “Hoje a intervenção em Brumadinho já é a maior operação de busca e resgate do Brasil que só foi possível graças ao alto nível de qualificação que o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais atingiu, trabalhando em uma situação nunca antes vista por outras corporações. Destaco ainda o apoio de outras instituições inclusive de outros bombeiros do País, onde nos apoiaram principalmente com cães que foram fundamentais nas buscas. Sem dúvida os voluntários fizeram e estão fazendo toda diferença na operação”, finalizou.

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