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Nelson de Souza Lima » Entretenimento
1 mês atrás

Para entender o racismo no Brasil

Quantas vezes em conversa com amigos ou nas mesas de bar nos acostumamos a ouvir que não existe racismo no Brasil. Que o enorme desequilíbrio social entre brancos e negros é devido à diferentes questões de oportunidades.

Para entender o racismo no Brasil
(Foto: Reprodução)

Mas na real, não tapemos o sol com a peneira nem tentemos camuflar a flagrante realidade: nosso país é racista.

Em seu novo livro “Pequeno Manual Antirracista”, Companhia das Letras, a filósofa Djamila Ribeiro mostra como entender o racismo no Brasil, lidar com ele e criarmos uma sociedade mais igualitária. Pinço aqui algumas falas da autora e ativista que escancara o preconceito racial vigente no país e o quanto está na base.

“O primeiro ponto a entender é que falar sobre racismo no Brasil, é, sobretudo, fazer um debate estrutural. É fundamental trazer a perspectiva histórica e começar pela relação entre escravidão e racismo, mapeando suas consequências. Deve-se pensar como um sistema vem beneficiando economicamente por toda a história a população branca, ao passo que a negra, tratada como mercadoria, não teve acesso a direitos básicos e à distribuição de riquezas”, diz.

A obra, em formato pocket, traz 135 páginas divididas em dez capítulos, todos contudentes e reflexivos que nos levam a rever nossa posição neste processo de derrubar as barreiras do preconceito.

No capítulo “Enxergue a Negritude” a autora diz que desde cedo pessoas negras são levadas a refletir sobre sua condição racial. “Na escola o mundo que me foi apresentado era o dos brancos, no qual as culturas europeias eram vistas como superiores , o ideal a ser seguido. Eu reparava que minhas colegas brancas não precisavam pensar o lugar social da branquitude, pois eram vistas como normais: a errada era eu. Crianças negras não podem ignorar as violências cotidianas, enquanto as brancas, ao enxergarem o mundo a partir de seus lugares sociais – que é um lugar de privilêgio – acabam acreditando que esse é o único mundo possível”, atesta a autora.

Segundo a ativista, não é realista esperar que um grupo racial domine toda a produção do saber e que seja a única referência estética. Para ela “por causa disso, a população negra criou estratégias ao longo de sua história para superar essa marginalização. O conhecido movimento Panteras Negras, do qual a ativista e filósofa Angela Davies fez parte, além de lutar contra a segregação racial nos Estados Unidos e pela emancipação do povo negro, tiinha também em suas bases a valorização da estética negra”, afirma.

“Pequeno Manual Antirracista” é obra obrigatória para derrubarmos os muros da segregação no Brasil em busca de uma sociedade mais equânime.

Pequeno Manual Antirracista
Autora: Djamila Ribeiro
Editora: Companhia das Letras
www.companhiadasletras.com.br

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