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Nelson de Souza Lima » Música
2 semanas atrás

Nila Branco esbanja sensibilidade em novo álbum

Sensibilidade talvez seja a palavra que melhor defina o novo disco da cantora e compositora Nila Branco. Em “Lilith”, décimo trabalho gravado em plena pandemia, a goiana trouxe nove canções inéditas compostas em parceria apenas com mulheres. Segundo Nila, isso foi intencional para que “Lilith” chegasse ao clima que vai do amor puro ao drama. “As mulheres são intensas, misteriosas, “de fases”, mesmo como diria a antiga música. Só assim foi possível conseguir estas diversas visões femininas sobre o amor e o cotidiano”, diz.

Nila Branco esbanja sensibilidade em novo álbum
Foto: Divulgação

Quem acompanha a cantora em seus 25 anos de carreira sabe que o amor é tema recorrente nas canções e, claro, o sentimento aflora nas letras do disco. Mesmo que nos dias sombrios de hoje o amor esteja escasso. “Eu penso que o amor puro, desinteressado, empático, está sim em falta no mundo. Ouvimos muito as pessoas falarem em religião, pátria, família, amor, mas as práticas com relação a isto, vão sempre nas direções contrárias”, atesta.

As parcerias foram com autoras de várias gerações e lugares do Brasil como a gaúcha Laura Finocchiaro, a baiana Sylvia Patrícia e a tocantinense Karine Bizinoto. “Eu já tinha contatos em maior ou menor grau com todas elas que foram convidadas pro disco, por serem pessoas sensíveis, terem visão de mundo parecida com a minha e por estarem fora do eixo cultural, do modismo. As parcerias foram incríveis para mim”, celebra Nila Branco.

Foto: Divulgação

A entrevista completa você confere abaixo

Regional News – O que mais me chamou atenção é que a palavra “amor” tá em praticamente todas as canções. Um sentimento que tá em falta hoje em dia, com tempos tão sombrios os quais estamos vivendo. O amor é artigo em falta no planeta Terra?

Nila Branco– O amor sempre esteve presente em minhas letras, canções, em meus discos, até mesmo na fase mais roqueira e rebelde que tive. Eu penso que o amor puro, desinteressado, empático, está sim em falta no mundo. Ouvimos muito as pessoas falarem em religião, pátria, família, amor, mas as práticas com relação a isto, vão sempre nas direções contrárias.

RN– Outra coisa foram os belíssimos arranjos de cordas. Quem produziu e arranjou o disco? Como foram as gravações, uma vez que rolou durante a pandemia e todo mundo tendo que se isolar.

NB– Obrigada! Eu também gostei bastante! O álbum Lilith foi arranjado e produzido por Leandro Carvalho, de Goiânia, que já produziu 02 DVD’s e 02 CD’s em minha carreira. Os lindos arranjos de cordas foram criados por Bruno Carvalho, filho de Leandro, que tem 12 anos de idade e estuda Violino em Goiânia. Por causa da pandemia as gravações foram tensas as vezes, mas feitas sempre tomando as medidas de proteção possíveis com o uso de álcool em gel e mascaras sempre que possível.

RN– O próprio nome do disco já dá a entender a força feminina presente nas canções. Trabalhar em parceria apenas com mulheres conferiu as letras o que poderíamos chamar de muita sensibilidade?

NB– Sim, certamente e isto foi proposital para que o Lilith chegasse neste clima que vai do amor puro, ao drama. As mulheres são intensas, misteriosas, “de fases”, mesmo, como diria a antiga musica. Só assim foi possível conseguir estas diversas visões femininas sobre o amor e o cotidiano.

RN– No tocante aos ritmos presentes você foi do pop ao reggae resultando numa MPB que é bem sua identidade. O que tem te influenciado atualmente?

NB- Eu sempre tenho um leque bem aberto para ouvir vários estilos, sempre fui assim, mesmo antes de cantar. Isto aparece em vários momentos de minha carreira. Considero o Lilith um “amálgama” de influências de tudo o que eu já ouvi e tudo o que eu gosto. Quando tenho tempo, gosto de pesquisar e ouvir coisas novas.

RN– As parcerias foram com autoras de vários estados e gerações. Como travou contato com elas?

NB– Eu já tinha contatos em maior ou menor grau com todas as compositoras que foram convidadas para o Lilith por serem pessoas sensíveis, por terem visão de mundo parecida com a minha, por estarem fora do eixo cultural, do modismo. Os contatos foram feitos virtualmente, pois cada uma é de um lugar diferente e ate de Estados diferentes, caso de Sylvia Patrícia, baiana, Laura Finocchiaro, gaúcha que mora no Rio, Leca Machado também e Karine Bizinoto, que mora em Palmas, TO. A única goiana, Taina Pompeu, mora hoje em NY, EUA. As parcerias foram incríveis para mim!

RN– Esta pandemia estraçalhou o setor cultural que como dizem “será o último a se recuperar”. Além do disco novo, o que fez no isolamento pra não pirar?

NB– De fato, foi mortal para o nosso setor, bem como para o setor de eventos corporativos. Mas quando só temos um limão, o jeito é fazer uma limonada, rs rs. Se puder, adicione vodka e ponto! Rs rs! Eu retirei projetos das gavetas, fui compor, fazer lives, estreitar parcerias. Isto me fez um bem danado, me ajudou a entender que o mundo tem destas coisas e não temos controle sobre absolutamente nada.

RN– Além de “Lilith”, título do disco, há uma canção “Artemis” (Deusa da Caça e irmã gêmea de Apollo). Fala desse seu lado místico e interesse por astros e mitologia

NB- Sim, tem a ver com meu interesse sobre estes temas, sou bastante curiosa! Mas também tem a ver com achar que é hora de todos nós, sem fanatismo, sem crendices absurdas, sem gurus de falas mansas, nos voltarmos pra dentro, para a busca espiritual, para entender o que fazemos neste planeta, qual o legado podemos deixar. Acho fundamental isto. É meio utópico, eu sei mas eu sou assim.

RN– Queria saber sobre duas canções específicas. O que é “jogo Gris” e a força dramática de “Fale” a qual interpretou muito bem caberia bem na voz de Ney Matogrosso ou Ana Carolina. Você pensou nisso? De compor uma música pra ti, mas pensar como seria na voz de outro intérprete?

NB- Quem bom que você reparou na letra! Gris é o nome de um game, um jogo eletrônico que proporciona aos jogadores a experiência de viver as varias fases da aventura de Gris, uma garota que se vê fraca, desnorteada, perdida na vida. O jogador poderá ajuda-la a superar a depressão. O clima da musica tem a ver com a superação de alguém que encontrou no amor próprio a cura e assim pode amar novamente. Já a musica “Fale”, é uma musica da querida Taina Pompeu e foi escolhida por mim justamente pelo seu teor dramático, forte! Agradeço seu reconhecimento da interpretação! Penso que tanto Ana Carolina quanto Ney Matogrosso cantariam divinamente esta canção.

RN – Um recado para os fãs.

NB– Meus queridos, queridas, isto tudo vai passar e nós nos veremos brevemente, no palco e nos bastidores dos shows. Acreditemos!

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