São Paulo
4 meses atrás

Laudo identifica uma das ossadas enterradas em vala clandestina de Perus

Laudo identifica uma das ossadas enterradas em vala clandestina de Perus
(Reprodução)

Depois de quase 30 anos a Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos recebeu um laudo que identifica uma das 1.047 ossadas encontradas em uma vala clandestina no Cemitério de Perus, em São Paulo, nos anos 1990. A publicação é da jornalista Mônica Bergamo, colunista do jornal Folha de São Paulo.

De acordo com a reportagem, a exame foi feito por um laboratório da Bósnia e o resultado enviado ao Brasil há alguns dias. Ele revelava a compatibilidade genética dos ossos com o sangue de familiares do desaparecido político.

Com base nisso, foi feita a comparação entre o esqueleto e as características físicas do indivíduo buscado. O nome da pessoa até então dada como desaparecida ainda não foi revelado.

A notícia é um marco no esforço do Grupo de Trabalho Perus, coordenado pela comissão desde 2014 e que tenta identificar os corpos de desaparecidos políticos enterrados clandestinamente no local. A vala foi aberta em setembro de 1990, no cemitério Dom Bosco, na zona norte de São Paulo.

Pouco depois da descoberta, duas ossadas foram identificadas. Em 2005, o mesmo ocorreu com uma terceira.
Desde então, as demais passaram por três universidades e chegaram a ficar depositadas por 15 anos no Cemitério do Araçá. Em 2014, elas foram levadas à Unifesp, que encaminhou o material para o Centro de Antropologia Forense da instituição, onde o grupo de trabalho começou a fazer as análises laboratoriais.

A falta de recursos impediu que as identificações avançassem num ritmo mais acelerado. As ossadas, ao chegarem ao centro de antropologia, estavam em 700 caixas que foram abertas.

Os ossos foram separados e limpos e cada esqueleto foi remontado.  Destes, cem foram escolhidos para serem enviados à ICMP, International Commission on Mission Persons, na Bósnia, que acaba de identificar a primeira delas.

Grupo de Trabalho Perus

Na terça-feira, 20, por meio de um comunicado, o GTP, Grupo de Trabalho Perus, informou que concluiu a identificação de uma das vítimas. As análises permitiram a confirmação da identidade de Dimas Antonio Casemiro, morto em abril de 1971 por agentes de repressão política do regime militar.

A confirmação definitiva foi concluída no dia 16 de fevereiro, após o GTP ter recebido os resultados de exames de DNA extraídos da primeira remessa de amostras biológicas enviadas para análise genética à International Commission on Missing Persons (ICMP), entidade internacional com sede em Haia, na Holanda, e que atua como parceira do Grupo. Os resultados indicaram vínculo genético entre os restos mortais pertencentes a um dos casos enviados e as amostras sanguíneas dos familiares de Dimas.

O laudo genético foi trazido pessoalmente ao Brasil pelo Diretor de Ciência e Tecnologia da ICMP, Dr. Thomas Parsons, que se reuniu com o coordenador científico do GTP, Dr. Samuel Ferreira, e equipe de peritos no Brasil para análise do caso. A identificação genética foi então confirmada pelos estudos antropológicos, odontológicos e informações ante-mortem de Dimas Antônio Casemiro, relativas à altura, idade, dentição e ao trauma por ação de projétil de arma de fogo.

Atualizado às 11 horas.

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