Caieiras
2 semanas atrás

Jovem perde bebê e critica maternidade de Caieiras

Uma postagem nas redes sociais envolvendo a Maternidade de Caieiras gerou grande repercussão na cidade. Pelo Facebook, uma jovem moradora da cidade alega que teve a gravidez interrompida devido ao atendimento sem muita atenção por parte dos médicos, além da falta de aparelho de ultrassom.

Jovem perde bebê e critica maternidade de Caieiras
Foto: Arquivo RN

A publicação feita no domingo, 7, contou com centenas de curtidas e comentários com cobranças direcionadas também ao prefeito Lagoinha, embora a maternidade seja administrada pelo Governo do Estado de São Paulo.

O jornal Regional News conversou com Thais Oliveira Gregório, 21 anos, moradora do Jardim Marcelino, na terça-feira, 9, quando ela ainda estava internada, mas aceitou falar e contou detalhes do que enfrentou até a perda do bebê e que também fez questão de gravar um vídeo para o jornal com exclusividade.

“Estava gestante e comecei a ter sangramento na terça-feira, 2. No dia 3 estive na Maternidade de Caieiras e a médica disse que poderia ser normal nos três primeiros meses e que se fosse um aborto o corpo estaria expulsando naturalmente. Ela fez o exame de toque e fui embora. Mas no dia seguinte comecei a ter um sangramento mais avermelhado e já tinha sido orientada a voltar ao hospital se isso acontecesse”, disse Thais.

A situação começou a ficar problemática no sábado, 6, quando ela retornou à unidade. “Voltei lá com sangramento. Esperei por 40 minutos na recepção para fazer a triagem e depois esperei mais 20 minutos para ser chamada no consultório. Outro exame de toque foi feito e disseram que era normal. A médica receitou a medicação para segurar o feto e disse que por ser uma maternidade de baixo custo, não tinha o aparelho para fazer ultrassom e que seria melhor eu pagar. Fui até ao Hospital de Clínicas de Caieiras, mas lá não aceitavam encaixe neste dia. Então, fui para o Hospital de Taipas, mas por ser sábado, não tinha especialista para fazer o exame.

A jovem foi internada após o ocorrido e lamenta a falta de atenção com o seu caso que acabou interrompendo a gestação – Foto: Arquivo Pessoal

Acabei indo para casa, mas o sangramento aumentou e ao ir ao banheiro, acabei abortando. Meu corpo expulsou naturalmente o feto”, declarou a jovem.

Com a gravidez interrompida, ela não poupou críticas a maternidade e aos médicos que a atenderam e fez questão de frisar que só passou a ter atenção após tornar público a situação nas redes sociais. “Apenas no dia 8, após as publicações que fiz nas redes sociais, que passei a ser bem atendida. Mas já tinha perdido o bebê. Foi apenas nesse dia que também fui informada que tinha o aparelho no quarto ao lado que estou internada hoje. Porém, só é usado em caso de emergência. Infelizmente, não entenderam meu caso como uma emergência e não utilizaram o aparelho, além de saber que o profissional de plantão não realizava o exame”, falou Thais.

Ultrassom foi pedido por médica, mas Thais não conseguiu realizar na maternidade de Caieiras – Foto: Arquivo Pessoal

Para a jovem, faltou profissionalismo. “Eu entendo que meu caso era sim uma emergência, mas eles não souberam diagnosticar. Por conta disso, perdi meu bebê. Estava de 12 semanas de gestação. Precisou tudo isso acontecer para eles se movimentarem. Hoje (9 de novembro) estou sendo muito bem atendida. Mas eu precisava disso antes e talvez não teria abortado”, disse.

Thais que marcou o prefeito Lagoinha na publicação feita no Facebook, disse que recebeu a visita dele. “Ele apareceu após ter a entrada autorizada pela Secretaria Estadual de Saúde apenas para dizer que a maternidade é do Estado e não do município”, declarou, voltando a criticar a maternidade. “Como uma gestante chega a uma maternidade sangrando e não consideram emergência e nem realizam um ultrassom? Hoje mesmo tem uma paciente aqui relatando que estava com dor e o médico disse ser uma virose. Sem diagnosticar não tem como ter certeza do que o paciente tem. Infelizmente, se nada mudar, isso que passei vai continuar acontecendo. Pode ter certeza”, afirmou Thais.

Thais já se preparava para ter o segundo filho. Imagem reproduzida do vídeo gravado por ela e encaminhado ao Regional News – Foto: Reprodução

No final da entrevista, ela falou da tristeza de ter a segunda gestação interrompida e que já preparava para receber o segundo filho. “Minha filha já tinha até escolhido o nome. Mas o Estado tirou esse sonho de mim”, finalizou.

O que diz a Secretaria da Saúde

Em busca de informações, o jornal Regional News tentou uma entrevista com o Diretor do Complexo Hospitalar do Juquery, mas a assessoria de imprensa da Secretaria do Estado da Saúde não autorizou a fala do servidor e encaminhou a seguinte resposta:

A Srª T.O.G foi prontamente atendida e examinada no Hospital Estadual de Caieiras por médica especialista em ginecologia e obstetrícia, que não identificou necessidade de internação de acordo com o estado clínico inicial. À ocasião, a paciente recebeu todas as orientações necessárias e encaminhamento para realização de exame de ultrassonografia em caráter ambulatorial, bem como prescrição dos medicamentos adequados ao caso. O serviço possui equipamento para realização de exames de ultrassom em regime de urgência e os exames não urgentes devem ser realizados na rede onde a gestante faz acompanhamento pré-natal, de acordo com os protocolos vigentes no SUS.

O hospital segue todos os protocolos técnicos e é referência no atendimento às gestantes de baixo risco para pacientes de toda a região, com mais de 13 mil atendimentos por ano. O hospital se solidariza com a perda da paciente e está à disposição para os esclarecimentos necessários.

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