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Nelson de Souza Lima » Música
1 mês atrás

Dellaz Fest: mulherada roqueira e empoderada

Lugar de mulher é onde ela quiser. Assim reza a cartilha do bom senso. Inclusive no rock and roll. Provando mais uma vez que as mulheres mandam bem na música rola no dia 7 de março no Espaço Som, em Pinheiros, um festival para elas chamarem de seu. Evidentemente que é pra todo mundo, sem segregação.

Dellaz Fest: mulherada roqueira e empoderada
(Foto: José Santiago)

O Dellaz Fest é organizado pela Rádio Stay Rock Brazil e trará um line up de responsa com algumas das melhores cantoras e instrumentistas da cena rock/pop/blues atual. Sobem ao palco, a partir das 14 horas, Heloísa Lucas, Lu Vitti, Confraria Fusa, Ex Machina, Eletric Band, Power Blues e Fábrica de Animais.

Como headliner a lendária banda paulistana Harppia, que está prestes a completar 40 anos de estrada. Liderado pelo mitíco batera Tibério Luthier o grupo traz ainda Wagner Montagner no baixo e André Luís no vocal.

Mas cadê a porção feminina da Harppia? Ela vem muito bem representada pela excelente guitarrista Aya Maki.
Comandando as seis cordas do quarteto há dez anos Maki diz que eventos como o Dellaz Fest servem de vitrine para as mulheres mostrarem seus trabalhos, principalmente autorais. “O importante é ter continuidade e mentalidade universal, independente de gêneros, durante todo o ano. Não há mais necessidade de chegar derrubando tudo ou se impor de forma agressiva nos bastidores. É ter profissionalismo e saber dividir o pessoal do profissional. Mostrar nos estúdios e nos palcos a que viemos. Canalizar toda sua energia yang na arte”, filosofa.

Confere ai a entrevista completa com Aya Maki. Lá embaixo o serviço do Dellaz Fest

1- Gostaria que falasse um pouco da sua carreira. Como começou na música?
Venho de uma família Japonesa, que preservar a cultura através de canções tradicionais era tradição. Desde criança somos iniciados na música cantando em família, frequentado escola de Japonês para preservar o conhecimento do idioma, mesmo estando longe da terra natal dos pais e avós. Nessas escolas é tradição aliar os estudos do idioma com aulas de música, aprendendo flauta, escaleta, naipes de percussão.

Iniciei primeiro com piano aos 5 anos de idade e depois ingressei na Parade band (Tipo uma banda de fanfarra mais avançada). Aos 13 anos iniciei meus estudos de violão clássico e popular e depois dos 18 anos é que realmente fui despertar para a guitarra e o velho e bom Rock´n´Roll. Estudei com grandes professores e fiz especialização no Japão. Profissionalmente iniciei em 1997, tocando com bandas de diversos gêneros musicais, entre sertanejo, rock, samba, mpb e fusion. Toquei muito nos bares na noite.

Passei por muitas bandas de hard rock e classic rock.

Cheguei a fazer um ano de freelancer com uma banda feminina de country rock sertanejo. Depois segui pelos caminhos do rock/hard rock.

Fiz uma temporada de um musical infantil, no Teatro Roosvelt com a banda Bando da Floresta e nesse meio tempo, fui recrutada por Tibério Luthier para dividir a guitarra com Neila Abraão no Harppia. Um conceito inédito, duas guitarristas mulheres a frente da banda, para valorizar as mulheres no metal e também valorizar ainda mais o visual e o som da lendária banda.

Depois de um tempo, Neila se afasta para se dedicar a sua própria banda, e fiquei só na guitarra. Tentamos colocar um segundo guitarrista mas por incompatibilidade de gênio musical e a falta de comprometimento com a banda, por parte do candidato, o Tibério optou por ficar apenas com uma guitarrista e usar pedais de harmonizers.

2- Encontrou dificuldades para seguir na carreira?
As dificuldades não eram por questão de gênero sexual. Eram dificuldades comuns que até hoje os músicos e bandas sofrem: desvalorização de seus trabalhos e a falta de conhecimento de como funcionavam as negociações de cachês.

3- Sabemos que o machismo e preconceito também existe no rock/metal. Como é pra você? Sofreu preconceito de alguma forma?
Acho que a única forma de preconceito, e ainda bem humorado e sutil que ouvi, foi quando me chamaram uma vez de “Essa Eu Agarro” um trocadilho com Hélcio Aguirra. Mas não levo a mal. Isso no começo. Ninguém me conhecia. Nunca dei importância. Eu respondo tocando. Não tem mimimi.

4- Você tá no Harppia já há mais de cinco anos. Como foi se encaixar no estilo da banda. O que Aya levou pra banda e vice-versa?
Mais precisamente vou completar este ano 10 anos de Harppia. Eu vim do rock´n´roll e hard rock, mas já tinha uma pegada metal. Quando Tibério me chamou para a banda, ele sabia que eu tinha potencial (este é um dos dons de caça-talentos que ele tem e pela historia dos integrantes que passaram pela banda vocês podem conferir). Eu já era fã de ícones como Black Sabbath e já estava começando entrar para o metal através do Show-ya e Phantom Blue. O estilo do Harppia é praticamente o meu estilo. É o tipo de som que eu curto. Guitarras bem trabalhadas, boas letras e melodias, e uma cozinha pulsante e criativa. Eu precisei ouvir muitas bandas que eu não tinha habito de ouvir, claro, estudei toda a história, trajetória, além de frase por frase, riff por riff, de todas músicas e compreender o estilo de cada um dos guitarristas que gravaram os 3 álbuns da banda.

A banda me trouxe uma noção mais profissional e criteriosa na escolha de trabalhos e projetos fora dela. Musicalmente continuo aprendendo muito. Estou praticando tudo que eu já estudei na teoria. Aprendi a administrar e fazer negociação de shows. Aprendi a ser mais rigorosa com questões de escolhas de equipamentos. Aprendi a me valorizar como musicista. Já eu trouxe a determinação oriental, fidelidade ao propósito e legado da banda. Tenho flexibilidade e muita sede de aprendizado. Estudar nunca é demais.

5- Além da Harppia, você também integra a Wonder Maidens (tributo ao Iron). Murray e Smith estão entre suas grandes influências. Além deles quem você curte?
Vou me auto-desmascarar. Apesar de gostar muito do estilo deles, conhecia muito pouco de Iron, até começar a tocar no Harppia, pois queira ou não eles também fazem parte do DNA musical da banda, pelo menos na questão de duetos das guitarras. Mas as influencias principais são guitarristas nervosos e ao mesmo tempo com muita musicalidade e versatilidade. Eu tenho como influência, Brian May, Steve Morse, Richie Blackmore, Tommy Bolin, Jeff Beck, Johnny Winter, Randy Rhoads, Leslie West (Mountain), Jimi Page, Rory Gallagher, Tommy Bolin e Joe Walsh. Entre as mulheres Lita Ford, Miki Igarashi (Show-ya), Jennifer Batten etc..

6- Cada dia mais as mulheres estão empoderadas e o rock não foge à regra. Como você vê o movimento a mulherada no rock?
Melhorou muito. Quando comecei, nos anos 90, tinham poucas mulheres, pois todas estavam dispersadas em suas respectivas regiões e trilhando caminhos diferentes. Não tínhamos muito contato uma com as outras, pois na época a internet era para poucos. Mesmo as revistas de especializada, falava muito pouco das mulheres e os anúncios de bandas femininas e musicistas eram bem raros. Na verdade, as mulheres sempre foram empoderadas, só hoje com o advento da tecnologia que houve uma aproximação entre musicistas de todo o Brasil e o mundo. Falta agora, as mulheres assumirem verdadeiramente seus espaços de forma, consciente, responsável e digna.

7- No mês da Mulher nada melhor que um festival repleto de talentos femininos. Fala pra gente o que acha de festivais assim.
Considero uma excelente iniciativa para servir de vitrine para nossos trabalhos, principalmente autorais. O importante é ter continuidade e mentalidade universal, independente de gêneros sexual, durante todo o ano. Mas já é uma transição muito bacana no rock brasileiro. Nos outros estilos musicais, já ocorreu essa transição de forma harmoniosa, como no sertanejo, samba e mpb. As mulheres são um sucesso juntamente com os homens. Falta o rock brasileiro, ter suas representantes. Acredito que as portas já estão abertas, falta conscientização e desapego de crenças limitantes por parte das próprias musicistas. Não há mais necessidade de chegar derrubando tudo ou se impor de forma agressiva nos bastidores. Agora é ter profissionalismo e saber dividir o pessoal do profissional. Mostrar nos estúdios e nos palcos a que vieram. Canalizar toda sua energia yang na arte.

Aya Maki (Foto: Jean Santiago)

8- O Harppia prepara material novo? Qual sua participação no processo de composição da banda?
Gravamos o mais recente álbum do Harppia , 3.6.9. H.A.A.R.P., com 3 músicas de minha autoria: Black Angel (parceria com Tibério Luthier), Black Joe e a Instrumental Harppia 2.0.
Estamos em fase de composição para o nosso quinto album.
Sempre tenho idéias, mas tenho que filtrar para ver se essas idéias estão de acordo com a temática da banda. Quem faz esse filtro é o Tibério. Temos critérios muito rigorosos para soltar as músicas pois, se for para fazer qualquer coisa, podemos lançar mais de 5 álbuns por ano, mas não é nosso propósito. Queremos fazer o melhor, isto é, um album pelo qual nos orgulhamos. O sucesso e a aceitação são consequências. Por isso que o Harppia demora muito para lançar um novo álbum. Preferimos qualidade a quantidade.

9 – Haverá surpresas no DELLAS FEST? Pode adiantar alguma coisa?
Se eu falar, vai deixar de ser surpresa…hahaha

Serviço
Dellaz Fest
Dia 7 de março – A partir das 14 horas
Local: Espaço Som
Rua Teodoro Sampaio, 462 – Pinheiros – Próximo à Estação Clínicas – Linha 2 Verde do metrô
Ingressos: R$ 20,00
inf: www.stayrockbrazil.com.br

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