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Nelson de Souza Lima » Música
1 mês atrás

A festa da arte corporal

E tivemos mais uma edição da Tattoo Week SP. O mega evento que rolou no São Paulo Expo entre os dias 25 e 27 de outubro trouxe, como de hábito, alguns dos tatuadores mais famosos do Brasil e do exterior. Os amantes da arte corporal aproveitaram os preços não tão salgados para fazer aquela tatuagem nova. Muitas atividades para o excelente público que conferiu os três dias de festa, provando o quanto o setor não para de crescer.

A festa da arte corporal
(Foto: Arquivo Pessoal)

Muita gente tatuada participou dos concursos nas mais variadas categorias: aquarela, bio-orgânica, entre outras. Nessa 9ª edição estavam presentes estúdios tradicionais como Santa Moóca, Masters Ink e Team Amazon, os mais procurados pelos fãs.

Também rolou competição de skate, shows de bandas legais como Raimundos e Mato Seco, exposição de motos e carrões turbinados. Enfim um grande encontro da cultura pop.

Circulando entre os inúmeros estandes me aproximei de uma muvuca pra ver o tava pegando. Dando autógrafos e posando pra fotos o biólogo Richard Rasmussen era só sorrisos. Um dos mais atuantes defensores da natureza Rasmussen é apresentador de programas de TV nos quais mostra as belezas da fauna, flora e a importância de preservar o meio ambiente.

Mas o que o cara estava fazendo num evento de tatuagem? Fácil. Para quem não sabe o biólogo tem várias tatuagens, principalmente no peito, além de estar no evento atuando como consultor do Laboratório BioWorld. Criada em 2005 é uma empresa francesa objetivando desenvolver produtos naturais, como protetores de pele e hidratantes corporais, além de pesquisar e criar medicamentos.

Uma pausa de Richard Rasmussen foi a chance para trocar uma rápida ideia com ele que aproveitou o evento para fazer mais uma tatuagem, desta vez pelas mãos do artista Michael Pinguim.

O cara não sabe ao certo quantas tatuagens tem, pois elas vão se juntando umas às outras e, devido às inúmeras viagens, faz sessões longas de dois ou três dias. “Como tenho que entrar na água ou ficar exposto ao sol, quando começo uma tatuagem vou até o fim, de uma vez”, diz.

Sobre a Bioworld Rasmussen falou da parceria que resultou numa linha de produtos hidratantes que o protegem dos raios solares. “Eu procurei a BioWorld pois minha cicatrização com os cremes tradicionais de farmácia não funcionava bem, tanto é que tô refazendo uma tatuagem exatamente por causa disso, má cicatrização. Então como não encontrei no mercado algo que fosse legal pra mim, procurei um laboratório que pudesse formular esse tipo de produto e fizemos uma linha toda para o tatuado. Tem um produto para o tatuador que é uma espuma de limpeza, mas os demais são mesmo pra cuidar da tatuagem”, alega o biólogo tatuado.

Richard ri ao dizer que é “cobaia” do laboratório por testar a linha de produtos. “Tecnicamente eu sou a cobaia, mas como é uma empresa que já trabalha com cosmética humana, tendo diversas marcas, a ideia era trazer pra dentro do segmento especializado em tatuagem”, acrescenta.

Falando dessa paixão Rasmussen coloca que em sua época havia muito preconceito contra a arte corporal e que teve que esconder as primeiras tatoos por questões do trabalho. “Hoje o meu trabalho me permite ter essa liberdade poética, mas mesmo assim dentro do meu meio já sofri preconceito. Numa viagem à Nova Zelândia, num experimento, tatuei o rosto com uma Maori (arte corporal tradicional da Nova Zelândia) e experimentei uma pequena tatuagem na face e quase fui demitido por isso. Foi uma coisa pra ficar de cabeça aberta. Participei desse processo. Acho que minha geração teve uma grande responsabilidade na questão de popularizar a tatuagem e dizer que o cara que se tatua não é vagabundo, mas que trabalha, produz, tem filhos e que gosta de tatuagem. É uma arte. Quem não gosta de tatuagem não faça, mas condenar quem faz é muito ruim”, conclui Richard Rasmussen.

Para o ano que vem a organização da Tatto Week prepara um evento grandioso pois vai marcar os dez anos de atividade na cidade de São Paulo. É esperar ansiosamente.

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