Ele está de volta. Por 44 votos a favor e 26 contra, o senador Aécio Neves recuperou sua cadeira depois que senadores decidiram derrubar a decisão do STF, Supremo Tribunal Federal, que tinha afastado o peessedebista de seu mandato.

Sereno, ele recebeu a notícia e logo tratou de se manifestar por meio de nota quando voltou a afirmar que irá provar sua inocência. Mas essa vitória pode custar caro a Aécio, eleito pelo voto de mais 7 milhões de mineiros. Afinal, no meio político, ele mais que ninguém sabe que uma mão lava a outra e a votação que recebeu em seu favor, muitos deles vindos de denunciados na Lava-Jato, não saíra de graça. Nas mãos do PMDB, ao partido do presidente Michel Temer, ele deve a restituição de seu mandato e também o direito a sair à noite.

O senador tinha sido afastado depois que gravações mostradas em delações revelaram uma conversa dele com executivos do grupo J&F, que controla a JBS, pedindo e recebendo propina de R$ 2 milhões dos empresários, também sem ética para querer mostrar moral em delações, simplesmente aceitas para livrar a pele deles.

Esse é mais um capítulo desse jogo de interesses que parece estar longe do fim. A certeza é que não é possível confiar em um político sequer. O jogo da corrupção faz parte do sistema e isso está claro. Resta apenas torcer para que o Brasil retorne aos trilhos do progresso, a cada dia mais distante. Pior que isso, é ver nos noticiários que o ex-presidente Lula, mesmo condenado, poderá concorrer às eleições de 2018 com grandes chances de sair vencedor.

Realmente, a culpa não é só dos políticos. A população tem sua parcela principal. É tempo de agir de forma coerente para depois não ficar criticando o próprio erro. Nesse contexto, todos pagam pelas más escolhas.