Quem diria. Mas até pessoas nomeadas para dar exemplo e promover julgamentos do que é certo ou errado, com equilíbrio, entraram no jogo da vida e, sem pudor, usam e abusam do poder que detém.

Quem não se lembra do caso do juiz federal aposentado Flavio Roberto de Souza, que andou com o carro do empresário Eike Batista em 2015, pessoa que ela julgava por crimes financeiros. Essa semana ele foi condenado por um colega de trabalho por peculato e por crime de fraude processual. A notícia deveria ser comemorada, mas só o fato de saber que ele pode recorrer da decisão em liberdade, o cheiro de que tudo pode acabar em pizza se sente de longe.

E assim caminha nosso Brasil. São políticos pintando e bordando e autoridades constituídas com o poder de investigar, julgar e punir, livrando pilantras de condenações. E mais uma notícia nesse sentido e que pegou o brasileiros de surpresa foi a suspenção do processo criminal que tornou rés 22 pessoas e as empresas Samarco, Vale, BHP Billiton e VogBR por causa do desastre com a barragem de Fundão, em Mariana, em novembro de 2015.

Os canalhas, alguns estrangeiros, responsáveis pelo desastre que vitimou 19 pessoas tiveram a cara de pau de recorrer alegando serem ilícitas as escutas telefônicas usadas no processo.

Esses irresponsáveis deveriam ter o mínimo de compostura e assumir a tragédia que promoveram. Os rejeitos atingiram mais de 40 cidades do Leste de Minas Gerais e do Espírito Santo. Matou pessoas, desabrigou outras e destruiu terras nobres.

O desastre ambiental, considerado o maior no Brasil, não permitiu que familiares que perderam seus entes pudessem ao menos sepultar as vítimas já que nenhum corpo nunca foi encontrado. Pessoas foram engolidas sem dó nem piedade pela lama contaminada que ainda está lá.

Por essas e outras está cada vez mais lastimável testemunhar as decisões em favor de quem matou, estuprou, roubou, promoveu baderna e sangrou vidas de inocentes. Difícil é compartilhar da impunidade com crimes tão bárbaros.

Para quem ainda acredita na ética e em valores morais, é quase impossível acreditar nessas mazelas promovidas por quem tanto estudou, se empenhou, prometeu e até jurou estar do lado da verdade e da verdadeira justiça. Mesmo assim, esses que são minoria, permitem que acreditemos que ainda valha a pena confiar em pelo menos um dos poderes desse País já tão escrachado, de um povo que sofre sem conseguir falar, sem poder ser ouvido porque, infelizmente, todos se envolveram no jogo da vida.