Nem o reforço das tropas federais foi suficiente para inibir uma nova barbárie no Rio de Janeiro que viu grupos rivais se enfrentarem por domínio de espaço dentro da maior favela do mundo, a Rocinha.

Criminosos de outras três favelas, sem nenhum pudor, caíram para dentro e tocando o terror em tudo e em todos, mostraram quem é que manda no Estado. Difícil até de comentar, mas essa é a realidade de um passado nem tão distante enfrentada no Rio quase sempre, quase que diariamente.

O pior é ouvir das próprias autoridades policiais que a ação foi um ultimato dado por Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, que de dentro do presídio federal onde está preso em Rondônia, ordenou que seus comandados expulsassem do local outro chefe do tráfico, o Rogério 157.

O Estado, e porque não dizer a União também, perderam a mão e quem dita as ordens em periferias são os bandidos. Mas eles mesmos permitiram que a situação chegasse onde chegou por se envolverem com essas organizações criminosas em um jogo de interesses, ondem só os bandidos saem ganhando e a população de bem que vive ali, sofre e vive amedrontada dentro deu sua própria casa.

O que aconteceu no Rio só é mais explícito da realidade das outras capitais.

O alerta deve ser geral, afinal acordos entre autoridades e bandidos ocorrem de norte a sul, sem respeito às fronteiras, ou ao número de habitantes.

Em breve, poder-se-á observar ações parecidas em São Paulo, Rio Grande do Norte e demais Estados que contam com facções criminosas mais organizadas que o próprio sistema.

No caso do Rio de Janeiro, o secretário de Segurança Pública, Roberto Sá, admitiu, em entrevista, que a polícia falhou ao tentar impedir a tentativa de invasão da comunidade Rocinha. Mas não há como ou o que cobrar de quem ainda busca realizar seu trabalho como policial, comandante, secretário ou o que seja quando existe escassez de recursos como é o caso do domínio generalizado nestes Estados fracassados pelo próprio sistema.

Só um doido para querer enfrentar os traficantes fortemente armados, quando agentes utilizam viaturas quase sucateadas e armas inferiores ao dos bandidos. Enquanto isso, os responsáveis por desviarem verba pública em benefício próprio, embora alguns presos, tem suas vias preservadas. Contraditório e inaceitável.

Nessa guerra o que se viu também foram ataques de poderes de um cobrando o outro, enquanto a população aterrorizada se defende como pode e como consegue. Afinal, esperar segurança do setor público é cada vez mais difícil e complicado nesse Brasil sem lei e sem comando .