O que são pessoas, lá no final das contas, quando nos vemos trancados em nossos quartos, nós, conosco mesmo? É um amálgama às vezes travestido de formas angelicais, outras envergando couraças ígneas, tempestuosas. Vezes são o silêncio dos vales profundos revestidos pela perfumada lavanda, vezes o afervescer do gás sulfídrico num ecoar de podridão.

Exageros à parte, esses objetos, essas cousas chamadas pessoas, são capazes numa mesma manhã de comemorar a infância no mundo todo, valendo-se inclusive de instituições de trazem o meigo cuidado há anos a fio, como missão cruzada bem vista e abençoada, ao mesmo tempo que em qualquer canto imundo dessa terra pequenina são molestadas inocentes criaturas que conheciam a maldade apenas pelos olhos de um personagem de história da carochinha.

Crianças mortas, crianças exploradas, crianças destruídas, crianças maturadas. Porquê? Dinheiro? Continua sendo isso? Só isso? O tempo passa, se desgasta envelhece. Transcende, cresce e aparece e espairece. O volume de escrita nunca cala. O sangue escorre e a lição não é aprendida. A humanidade chora e o caderninho fica no chão ali canto, juntando poeira e inconformismo.